Chamas voltam a queimar e...

Depois da calamidade que, no ano passado, assolou quase todos os distritos de Portugal, novos focos de incêndio voltaram a deflagrar, revelando que as tão propaladas medidas de prevenção primária no terreno podem não ser suficientes ou nem sequer terem sido convenientemente aplicadas pelo Governo.
A subida de temperaturas registada no início desta semana ajudou ao reacender do rastilho, tendo sido possível identificar, terça-feira, incêndios numa dúzia de distritos do território nacional.
Em Santarém os bombeiros combateram cinco fogos e em Alqueva, concelho de Portel, no Alentejo, as chamas que lavraram desde segunda-feira consumiram uma vasta área de mato, eucalipto e pinheiro manso.
Em Fontela, no concelho da Figueira da Foz, os bombeiros tiveram que se empenhar a fundo para que o fogo não atingisse algumas habitações, enquanto que em Quinta de Góis, ainda no distrito de Coimbra, concelho de Tábua, os «soldados da paz» procediam às operações de rescaldo
À hora do fecho desta edição, na localidade de Casas Velhas, perto de Tomar, o quadro ainda se apresentava preocupante, situação que se verificava também em Melides e Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal.


...exposição mostra fogos

Decorreu, na segunda-feira, na Casa do Alentejo, em Lisboa, a inauguração de uma exposição intitulada «Fumo e Fogo», que revela, em mais de uma dezena de fotografias, alguns dos dramáticos cenários que assolaram centenas de localidades portuguesas no verão do ano passado.
As imagens foram captadas por João Aboim Inglez Mourão, que quotidianamente trabalhou entre os fogos e as cinzas que desolavam as paisagens antes verdejantes.
No périplo que o fotógrafo realizou pelo País, «a objectiva é, mais que nunca, os nossos olhos: não vemos o fogo, estamos face a face com ele.», como escreveu Filipe Diniz no texto que acompanha a mostra.
Alguns dos trabalhos reunidos nesta exposição estiveram na edição de 2003 da Festa do Avante!, mas para aqueles que na altura não puderam visitar o espaço do Pavilhão Central da Festa que foi dedicado aos fogos florestais, surge agora a oportunidade até ao próximo dia 30 de Julho.


Morreu Maria de Lurdes Pintassilgo

Faleceu, na madrugada de sábado da semana passada, aos 74 anos, vítima de colapso cardíaco, a ex-primeira-ministra de Portugal Maria de Lurdes Pintassilgo.
Pintassilgo desempenhou, depois do 25 de Abril, um papel destacado na vida política nacional e foi mesmo a única mulher a chefiar um Governo no nosso País, em 1979.
Anteriormente, fez parte do II e III Governo Provisório, desempenhando funções como ministra dos Assuntos Sociais.
De 1975 a 1981 representou Portugal como Embaixadora na UNESCO, e em 1986 candidatou-se à Presidência da República depois de ter fundado o Movimento para o Aprofundamento da Democracia.
Em telegrama enviado aos familiares e amigos, o Secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, expressou «profundo pesar pela morte da Engenheira Maria de Lurdes Pintassilgo» e evocou «com grande apreço, amizade e respeito, a sua destacada e muito empenhada intervenção na vida democrática do País, a sua vinculação aos valores e esperança de Abril e a sua contribuição para as causas do aprofundamento da democracia, da justiça social e da paz.»


Filipinas retiram tropas

O governo filipino decidiu, quarta-feira, mandar retirar o contingente militar do país estacionado no Iraque.
A informação que dava conta do abandono do Iraque por parte dos 51 homens pertencentes às unidades do exército daquela nação asiática começaram a circular, terça-feira, após confirmação governamental, tendo sido posteriormente desmentida pelas mesmas fontes.
Na manhã de ontem, uma nota do palácio presidencial confirmou o regresso dos soldados, adiantando ainda que as operações estão a ser efectuadas com carácter imediato.
A decisão surge na sequência do rapto de um cidadão filipino. Os raptores exigiram a retirada das tropas do Iraque em troca da libertação de Ângelo de la Cruz.
Nas ruas da Capital das Filipinas, Manila, algumas centenas de pessoas protestaram contra o governo, acusando-o de ser responsável pela situação em que se encontra o refém, obrigado a ir trabalhar para o Iraque devido à extrema pobreza a que está votada grande parte da população das Filipinas.
Os protestos foram reprimidos pela polícia, mas o efeito da pressão popular fez-se sentir.


Inflação volta a subir

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, a inflação homóloga voltou a subir em Portugal no mês de Junho, cifrando-se agora em 2,7 por cento, cerca de mais 0,3 pontos percentuais em relação ao anterior mês de Maio.
Contributo decisivo para esta subida foram os aumentos registados nos preços de bens e serviços como as comunicações, com um acréscimo de 2,4 por cento, os transportes colectivos, meio ponto percentual, e no sector da hotelaria e restauração, com um aumento na ordem dos 1,4 por cento, facto a que não terá sido alheia a presença em Portugal de milhares de turistas atraídos pelo Euro2004.


Resumo da Semana