Gás da discórdia

De acordo com informações fornecidas pela Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor (DECO) à agência Lusa, foram apresentadas, entre 2000 e 2004, cerca de meio milhar de queixas contra a Lisboagás devido a deficiências decorrentes da instalação daquele recurso energético.
Em causa está a reconversão da rede de distribuição do antigo sistema de abastecimento, o gás de cidade, para o gás natural, problema que se estima que afecte milhares de pessoas na área de Lisboa.
As queixas conhecidas indicam que o principal problema está na deficiente instalação das estruturas, permitindo fugas de gás que, quando detectadas, obrigam pelo menos a uma dispendiosa vistoria dos equipamentos às expensas dos consumidores.
Alguns relatos vindos a público revelam ainda que o sobressalto é grande entre os utilizadores, sobretudo pelo perigo que constitui o mau usufruto de um combustível tóxico, e que os técnicos responsáveis pela reconversão, trabalhadores externos à empresa e alguns subempreiteiros, não realizavam todos os testes necessários para garantir com total rigor a utilização segura do gás natural.
No mesmo âmbito, o jornal Público noticiou, segunda-feira, que um dos utentes terá vencido, em Abril, o processo movido contra a Lisboagás, facto que pode abrir um precedente, em favor dos consumidores, relativamente a outras queixas levadas à barra dos tribunais.


TC aponta má gestão

Um relatório elaborado pelo Tribunal de Contas sobre a actividade da Sociedade Porto 2001, entre Dezembro de 1998 e Setembro de 2003, divulgado terça-feira, indica que a derrapagem de custos de 182,3 para 300,9 milhões de euros no projecto ficou a dever-se a erros no planeamento e orçamentação.
A Casa da Música foi uma das principais responsáveis pelo aumento, com os custos deste equipamento a triplicarem em relação ao inicialmente previsto, uma vez que a sua construção foi «deficientemente sustentada, nomeadamente em estudos técnicos e económico-financeiros realistas».
Ainda em relação à Casa da Música, o TC adianta que a selecção do projectista não cumpriu os requisitos para ser considerada «legal e transparente».
Segundo o mesmo documento, outros projectos integrados na iniciativa «Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura» registaram derrapagens e atrasos de cumprimento completamente além do estimado.
O Auditório Carlos Alberto custou mais 125 por cento e obteve a pior execução física.
Quanto às obras de requalificação urbana da cidade, para além de não terem contribuído para a «captação de públicos à cidade», «não beneficiaram, antes, perturbaram, a vivência do evento», ao que se acresce o facto de terem custado mais 16,6 milhões de euros e não se terem realizado 14 por cento das intervenções previstas para a baixa do Porto.


Investigadores bloqueados

Na apresentação das conclusões do Fórum Internacional de Investigadores Portugueses (FIIP), iniciativa que terminou os seus trabalhos na quarta-feira da semana passada, em Coimbra, a presidente da organização, Irene Fonseca, revelou-se céptica relativamente às recentes medidas do governo para evitar a fuga de «cérebros», explicando, no entanto, que a principal questão não se prende com uma eventual sangria migratória de investigadores, mas antes «o desperdício dos mesmos».
Irene Fonseca confessou o seu «descrédito na possibilidade do sistema académico português pôr em prática» as boas intenções reveladas, adiantando ainda que as compensações não se podem resumir a um nível só.
A investigadora e docente de matemática na Universidade de Pittsburg, nos EUA, disse ainda não se tratar de uma problemática exclusivamente financeira, antes com o facto de que «o reconhecimento, valorização e acarinhamento do trabalho do investigador não existe e é muito difícil o sistema funcionar. Neste momento, em Portugal, não há oportunidade de recrutar cientistas, essa possibilidade não existe, o sistema está bloqueado.»


Che dá filme

Integrado num conjunto de sete documentários sobre a história recente de Cuba, intitulados «Caminhos da Revolução», o realizador cubano Manuel Perez realizou um filme onde conta a vida do Revolucionário Ernesto «Che» Guevara.
A fita, com duração inferior a uma hora, foi elaborada com base em imagens até agora inéditas que se encontravam nos arquivos do Instituto Cubano do Cinema.
«Donde nunca jamas se lo imaginam», é a história biográfica do combatente, desde o seu nascimento, em 1928 na Argentina, até à sua morte às mãos dos serviços secretos norte-americanos, em 1967 na Bolívia.


Lei racista em Israel

A reunião semanal do conselho de ministros de Israel, liderado pelo primeiro-ministro Ariel Sharon, prorrogou, no domingo, pelos próximos seis meses, uma lei datada de 2003 que proíbe aos cidadãos palestinianos casados com árabes israelitas o direito de residir em Israel.
Apesar de ainda não ter sido aprovada no parlamento, o Knesset, tudo indica que a decisão do executivo seja para levar em diante, discriminando milhões de cidadãos por motivos de confissão religiosa e impedindo o normal e regular relacionamento entre cônjuges e familiares.
A ONU condenou a legislação indicando que tal «levanta questões sérias sobre o respeito do tratado internacional de direitos humanos».
Paralelamente, o presidente francês, Jaques Chirac, informou, segunda-feira, Sharon de que a sua visita não será bem acolhida no país.
Em causa estão declarações de Sharon, no domingo, onde este instiga a comunidade judaica francesa a «partir imediatamente» a fim de evitar ser alvo de um «anti-semitismo desenfreado».
As declarações, feitas no decurso da preparação da visita de Sharon a Paris, foram igualmente condenadas no parlamento francês.


Resumo da Semana