Editorial

«Aos militantes comunistas depara-se um conjunto de tarefas de dimensão e complexidade assinaláveis»

MÃOS À OBRA



Como se esperava, a primeira preocupação do Governo Santana Lopes/Paulo Portas, após a tomada de posse, foi a de «demarcar-se das insuficiências» do Governo Durão Barroso/Paulo Portas, assim como quem assobia para o ar fingindo nada ter a ver com o recentíssimo passado, fingindo nada ter a ver com um governo e uma política rejeitados pela maioria dos portugueses e portuguesas – e lançando para o ar a ideia de que, corrigidas essas «insuficiências», «se Deus quiser» tudo se resolverá... Na realidade, e como aqui sublinhámos antes de ser conhecida a composição do actual Executivo, o que aí vem é mais do mesmo, ou seja, a continuação da política de direita com a crescente concentração de riqueza, com o prosseguimento do gravoso processo de privatizações, com a intensificação da exploração e o consequente agravamento das condições de trabalho e de vida dos portugueses, com uma cada vez maior dependência e submissão aos interesses do imperialismo norte-americano e dos grandes da União Europeia – aliás, no cumprimento do desejo expresso pelo Presidente da República ao exigir ao actual Governo, em tom severo, a «necessidade da continuação das políticas essenciais» do Governo Barroso/Portas... De novo, na prática do actual Executivo, assistiremos a uma maior carga de populismo e de demagogia e à acentuação de uma intervenção governativa crescentemente eleitoralista, novidades que hão-de ser servidas em exuberantes doses da política-espectáculo tão ao gosto quer do Primeiro Ministro quer do ministro da Defesa – os quais, sendo o que são e não podendo ser outra coisa, começaram já a cobrir-se de ridículo com a exibição de maquilhados rostos sérios e circunspectos que, pensarão, lhes conferem a desejada postura de Estado...

Feita, uma vez mais, a demonstração inequívoca de que, seja qual for o governo que a aplique, esta política com vinte e oito anos de idade é frontalmente contrária aos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, há que prosseguir a luta visando derrotá-la e substituí-la por uma política de sentido oposto. Trata-se de uma luta difícil, sem dúvida, mas que é necessário continuar a travar com determinação e confiança. Na situação actual, impõe-se superar as dificuldades acrescidas em consequência da lamentável decisão do Presidente da República, e dar continuidade a essa luta que, como a experiência mostrou, se revelou determinante nos últimos tempos. Com efeito, a melhor resposta e a mais forte e eficaz oposição à política do governo Barroso/Portas situaram-se na luta de massas, nas lutas dos trabalhadores, complementadas com as acções das mulheres, dos jovens, dos reformados, dos micro, pequenos e médios empresários. E a consciência generalizada da responsabilidade do governo e da política de direita nos problemas dos trabalhadores e do povo – e, portanto, da rejeição, também generalizada, desse governo e dessa política e da necessidade de os derrotar – essa consciência, surgiu no decorrer de um processo de intensas lutas de massas que envolveram praticamente todos os sectores de actividade – lutas nas quais o PCP, os militantes comunistas tiveram um papel decisivo.
É tudo isto que importa ter presente no momento em que o Governo Santana Lopes/Paulo Portas se prepara para desencadear mais uma forte ofensiva contra os direitos e interesses dos trabalhadores e de outras camadas e sectores da população, no momento em que o Governo da direita/extrema-direita se prepara para dar novos passos em frente no enfeudamento do País e da soberania nacional aos interesses e aos ditames dos grandes e poderosos da Europa e do Mundo. É tudo isto que importa ter presente para que a resposta das massas esteja à altura das exigências da situação, para que este Governo e esta política sejam derrotados antes de 2006.

Assim sendo, aos militantes comunistas depara-se um conjunto de tarefas de dimensão e complexidade assinaláveis. Ocupando o lugar que lhes compete nas empresas e locais de trabalho, nos campos, nas escolas, nos locais de residência e nas instituições (nomeadamente na Assembleia da República, no Parlamento Europeu e nas Autarquias Locais), eles estarão na primeira fila da luta necessária, assim confirmando aos trabalhadores e ao povo português que, hoje como sempre, podem contar com o PCP. Para além disso – e também neste caso confirmando a singularidade, no quadro partidário nacional, do partido da classe operária e de todos os trabalhadores – os militantes comunistas têm à sua frente a gigantesca tarefa de construir a Festa do Avante!, iniciativa maior dos comunistas portugueses, só possível de concretizar na base de um imenso esforço colectivo, da colaboração voluntária e criativa de milhares de camaradas e amigos do Partido, de uma participação militante assumida, consciente e, por isso, feita de uma sólida camaradagem - ao fim e ao cabo, o conjunto de características e valores que estão na origem do ambiente fraterno, amigo, solidário vivido pelos milhares e milhares de pessoas que nos dias 3, 4 e 5 de Setembro visitarão o magnífico espaço da Atalaia.
Ao colectivo partidário coloca-se, ainda, a necessidade de continuar a responder a outras e não menores exigências, quer dando continuidade à aplicação das medidas visando o reforço da organização e da intervenção do Partido, quer participando activa e intensamente no processo de preparação do XVII Congresso.
Mãos à obra, então.



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