Editorial

«O combate à política de direita será tanto mais forte quanto mais forte for o PCP»

O REFORÇO NECESSÁRIO

A situação do País e os percursos que a ela conduziram, mostram com particular evidência a importância da existência do PCP e do seu reforço orgânico e interventivo, bem como do reforço da sua expressão social, eleitoral e política. É sabido que, durante vinte e oito anos, a política de direita, praticada pelos três partidos que exerceram o poder – PSD, PS e CDS-PP – fez da revolução de Abril e das suas conquistas o seu alvo prioritário, desferindo violentas machadadas sobre o que de mais positivo, progressista e moderno foi alcançado na sequência do 25 de Abril. Quer no que respeita a direitos sociais, quer em matéria de conteúdo democrático do regime, quer no que tem a ver com a soberania e a independência nacional, a política de direita situou-se sempre no extremo oposto aos interesses dos trabalhadores, do povo e do País. É sabido, igualmente, que no decorrer dessas quase três décadas, o PCP foi a única força política de oposição não apenas aos sucessivos governos mas também, e simultaneamente, à política de direita por eles praticada. É verdade que os executores dessa política conseguiram êxitos, que importantes conquistas foram destruídas e que se verificaram retrocessos que, em certos casos, constituem quase que um regresso aos tempos do antigamente. Mas é verdade, também, e verdade relevante, que nenhum desses passos em frente contra Abril se deveu ao abandono da luta por parte dos comunistas. Independentemente de erros cometidos, de insuficiências na resposta às situações, é um facto que, na imensa maioria dos casos, esses êxitos da política da contra-revolução de Abril resultaram de enormes disparidades na correlação das forças existentes, de uma enorme supremacia de meios e de forças por parte dos nossos adversários.

Sublinhar essa realidade é sublinhar a confirmação da importância da luta e de quem dela faz o seu principal instrumento de intervenção, sempre e em todas as circunstâncias, mesmo quando as perspectivas de uma vitória imediata não são visíveis. Como escreveu um grande poeta e a vida nos ensina, muita diferença faz/entre lutar com as mãos/e abandoná-las para trás. E essa diferença – entre lutar sempre e baixar os braços quando a luta é mais difícil – é detectável não apenas nos resultados imediatos da luta mas também, e essencialmente, nas sementes de futuro que todas as lutas transportam.
Aliás, pode dizer-se – e esta é outra verdade relevante e complementar da primeira – que se a ofensiva contra as conquistas de Abril não foi mais longe nos seus efeitos nefastos, se os efeitos da política de direita não assumem ainda maior e mais grave expressão nas condições de trabalho e de vida dos portugueses, isso se deve a essa oposição protagonizada pelo PCP – oposição singular no quadro partidário nacional e traduzida num combate sem tréguas à política de direita através de uma intensa e diversificada iniciativa partidária, da intervenção institucional dos eleitos comunistas e da sua articulação com a luta de massas, ou seja, com a acção determinante dos militantes comunistas nas diversas estruturas representativas dos trabalhadores, das populações, dos agricultores, dos jovens, das mulheres, dos micro, pequenos e médios empresários, enfim de todos os que sofrem na pele, todos os dias, as consequências gravosas dessa política; oposição difícil e complexa, a exigir muito, muito esforço (e nenhuns elogios mediáticos, bem pelo contrário) a quem a pratica – por isso feita de derrotas e de vitórias, de sucessos e de insucessos, de recuos e de passos em frente e de persistência sempre; oposição que prosseguirá até à derrota da política de direita e à sua substituição por uma política de sentido oposto, uma política que inicie a resolução dos muitos e graves problemas que afectam a imensa maioria dos portugueses e portuguesas.

Este papel singular desempenhado pelo PCP na vida nacional faz dele um partido insubstituível e confere especial importância à necessidade, acima referida, do seu reforço orgânico, interventivo, social, eleitoral, político. O combate à política de direita e, na situação actual, ao Governo PSD/CDS-PP que a executa, será tanto mais forte e eficaz quanto mais forte e influente for o PCP. Daí a importância do prosseguimento da implementação das medidas definidas pelo colectivo partidário visando esse objectivo – medidas que, ali onde têm vindo a ser aplicadas, se têm revelado extremamente positivas. Daí, igualmente, a importância do envolvimento do maior número de militantes no processo de preparação do XVII Congresso, momento maior da vida partidária, tempo de balanço crítico do trabalho realizado, de análise aprofundada e rigorosa da situação nacional e internacional, de definição das orientações políticas decorrentes dessa análise – e que será tanto mais produtivo quanto maior for a participação militante. Daí, ainda, a importância do esforço com vista à intensificação e ao alargamento da luta contra a velha política do velho Governo PSD/CDS-PP – luta necessária e que constitui, também ela, um factor de reforço do Partido. Daí, finalmente, a importância da mobilização para a construção da Festa do Avante!, iniciativa só possível de concretizar por um partido onde a militância consciente e assumida é quem mais ordena, exemplo gritante da diferença existente entre o PCP e todos os restantes partidos nacionais, momento forte de real oposição à política de direita – e, por tudo isso, caminho certo e seguro para o necessário reforço do PCP.


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