Recordando Hiroshima e Nagasaki
Contra o militarismo e a guerra
Por ocasião da passagem de mais um ano sobre o lançamento da primeira bomba atómica sobre as cidades de Hisohima e Nagasaki, 6 e 9 de Agosto de 1945, o PCP reafirmou o seu propósito de lutar por um mundo de paz e livre de armas nucleares.
Então, pela primeira vez, «o mundo presenciou a terrível capacidade de destruição e morte da arma atómica e viu as cidades de Hiroshima e Nagasaki e suas populações sucumbirem ao poder desta monstruosa arma de destruição maciça», lembrou em conferência de imprensa, realizada no dia 5 de Agosto, Armindo Miranda, membro da Comissão Política do PCP.
Associando-se a todos que relembram «o hediondo crime praticado contra populações civis, indefesas e inocentes e o horrível legado que o uso da arma atómica deixou às populações de Hiroshima e Nagasaki, que ainda hoje, passados 59 anos, sofrem com os efeitos da radiação libertada em Agosto de 1945», o PCP recorda quanto aquele crime foi desnecessário e, por isso mesmo, «ainda mais horrível». «Nenhuma consideração de ordem militar ou estratégica justificou este crime», uma vez que «o Japão imperial estava já militarmente derrotado e a Alemanha nazi tinha já assinado a sua rendição», disse. Assim, «as bombas caíram, não para derrotar o Japão, mas para testar o poder de destruição da arma atómica e afirmar o poderio militar dos EUA».
Em 1945, disse o PCP, «a humanidade ficou a conhecer a dimensão do carácter cruel e desumano do imperialismo e o que pode gerar a sua sede de poder associada à guerra e ao militarismo».
Lembrou-o também, este ano, no último dia 6, o próprio presidente da Câmara de Hiroshima, que voltou a criticar o «egocentrismo» dos EUA que, à revelia das Nações Unidas e do direito internacional, prosseguem as pesquisas «para tornar as armas nucleares mais pequenas e mais fáceis de utilizar».

prosseguir a luta pela paz

Assim, em memória das vítimas de Hiroshima e Nagasaki e pela consciência «do perigo do holocausto nuclear, do uso de armas de destruição maciça e de assassínios em massa de populações indefesas», o PCP reafirmou o seu propósito de continuar a lutar, dentro e fora das instituições, para que «Portugal se desvincule desta escalada de violência, militarismo e guerra». Mais, prosseguirá a sua acção para que «os trabalhadores e a juventude portuguesa fortaleçam a luta pela paz e pelo desarmamento, pela dissolução da NATO e pela inscrição na agenda das organizações internacionais, como a ONU, de um real e efectivo programa de eliminação dos arsenais nucleares existentes e de proibição de produção de armamento não convencional». E, ainda, para que «as fabulosas quantias gastas em armamento sejam canalizadas para iniciativas que tornem o mundo em que vivemos muito melhor, nomeadamente para a investigação na área da medicina, no combate à pobreza em que se encontram mais de 500 milhões de seres humanos e para salvar as dezenas de milhar de crianças que em cada 24 horas morrem devido a causas evitáveis.»
Por fim, Armindo Miranda apelou ao «prosseguimento da luta contra a ocupação do Iraque e pelo regresso imediato do contingente da GNR», condenou «o envolvimento de Portugal na agressão ao Afeganistão», exigindo o regresso dos militares portugueses que lá se encontram, e alertou para «os perigosos projectos militaristas dos EUA e potências europeias» que, em nome do «elo transatlântico», envolvem «o reforço do intervencionismo da Nato e da militarização da UE, compromissos para a remodelação do mapa político do “Grande Médio Oriente” e a criação de forças de intervenção para actuar em África».

Os perigos estão aí

Passados 59 anos sobre um dos maiores crimes do imperialismo norte-americano «a humanidade corre sérios perigos, que decorrem das actuais políticas expansionistas e belicistas das principais potências capitalistas mundiais», afirma o PCP. E enumera:
- o reforço da NATO e a revisão do seu conceito estratégico, transformando-a numa aliança político-militar de carácter agressivo que admite a utilização da arma nuclear em combate;
- a aprovação do novo tratado para a União Europeia que prevê sua a militarização e transformação numa nova potência militar com vocação expansionista;
- a revisão da postura nuclear dos EUA em 2002 com o rasgar dos tratados de não proliferação e o assumir do uso da arma nuclear em combate, elegendo até um conjunto de países alvo;
- a concretização de projectos tão sinistros como o sistema de defesa anti-missil (uma nova versão da “Guerra das Estrelas”);
- o crescimento exponencial dos orçamentos militares dos países membro da NATO com destaque para os EUA que atinge este ano um recorde histórico de quase 500 milhões de dólares;
- a militarização das relações internacionais com um forte crescimento do comércio de armamento a nível mundial desde o 11 setembro;
- a ocupação e assassinato de milhares de cidadãos no Iraque e Afeganistão e o autêntico genocídio do Povo Palestiniano;
São políticas, sublinha, que colocam «tudo e todos numa situação de guerra e instabilidade permanentes, cujos limites, infelizmente são imprevisíveis».

CPPC condena escalada armamentista

Entre as várias organizações que assinalaram o 6 e o 9 de Agosto, está o Conselho Português para a Paz e a Cooperação (CPPC), que analisa com «preocupação o actual panorama político internacional, onde se observa uma crescente e provocada instabilidade que fomenta a guerra e o uso de armas cada vez mais sofisticadas e mortíferas».
Com o termo da guerra fria, o mundo ansiava uma paz duradoira em todos os continentes», diz o CPPC. Mas, para isso, impunha-se «o diálogo no sentido de se encontrar as soluções adequadas», o que não aconteceu, como o ilustra o «imenso rol de conflitos e guerras» que se têm sucedido.
Simultaneamente, lembra o CPPC, «não se respeitam Tratados de Não Proliferação de Armas Nucleares e outras convenções internacionais e poderosas potências, como os EUA, fomentam «perigosos programas de produção de mísseis de alta tecnologia capazes de transportar poderosas ogivas nucleares». De facto, em nome de «um discutível plano de defesa anti-míssel», concorre-se decisivamente «para a criação e agravamento de um clima político de desconfiança e ameaçador». E, em vez de se adoptar a nível internacional, «programas dissuasores», organizações militares agressivas, como a NATO, «aumentam os seus fortíssimos orçamentos para investigação e fabrico de novo e destruidor armamento».
Ao assinalar as datas dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki, o Conselho Português para a Paz e Cooperação condena estas orientações e objectivos, expressando a sua apreensão por não se verificar um esforço sério no sentido de um eficaz desarmamento a nível mundial, que impeça o prosseguimento de crimes contra a humanidade.


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