O sector dos serviços administrativos pode ser o próximo a privatizar
Após o anúncio de privatização do Handling
Cardoso e Cunha sai da TAP
Para o Sitava, a demissão é «uma boa oportunidade para alterar a política de privatizações de Cardoso e Cunha», afirmou ao Avante! o dirigente sindical, Vítor Mesquita.
Dois dias após o anúncio de venda de 50,1 por cento do capital do Handling da TAP aos espanhóis da Globalia, o Governo anunciou o fim de funções do presidente do Conselho de Administração, Cardoso e Cunha.
Em nota do gabinete de imprensa, também o PCP considerou que esta pode ser «uma oportunidade para se inverter o rumo privatizador que o Governo pretende prosseguir», e que urge parar o processo de desmantelamento e alienação da TAP, medida que considera necessária, «como comprovam os resultados económicos dos últimos anos».
Para o Sindicato dos Trabalhadores de Aviação e Aeroportos, a TAP deve manter-se como Empresa Pública, ao serviço dos trabalhadores e do País.
Segundo Vítor Mesquita, o aceleramento do processo de privatização veio fragilizar a empresa.
O Sitava sempre se manifestou contra o processo de alienação do Handling detido pela sub-empresa criada especificamente para que se avançasse com a privatização, a SpdH, Sociedade Portuguesa de Handling, uma vez que esta parte da TAP servia não apenas a companhia nacional como outras empresas de aviação.
Na altura da separação do Handling da TAP, o Governo afirmou estar obrigado a cumprir normas comunitárias que obrigavam àquela decisão. Para o Sitava, o argumento não é válido «porque haviam outras soluções viáveis que não passavam pela privatização», afirmou Vítor Mesquita recordando que a TAP é a principal cliente da SpdH, fornecendo-lhe 60 por cento de toda a sua actividade.
Para o sindicalista, estamos perante «mais uma empresa que poderá deixar de ser detida por capital nacional, uma vez que, devido à concorrência, nada garante que se mantenha em mãos portuguesas», acrescentou.

Mais privatizações à vista

«Á primeira vista, têm estado duas administrações a funcionar numa empresa que até já chegou a ter três administradores de uma só assentada», denunciou Vítor Mesquita, que ironizou ao afirmar que «qualquer dia, na TAP, há mais administradores do que trabalhadores».
«Se Cardoso e Cunha era visto como o chairman, o brasileiro Fernando Pinto era apresentado como o operacional, tendo-se gerado entre ambos, com o tempo, um choque de poderes», afirmou o mesmo dirigente salientando que Fernando Pinto já não tinha qualquer intervenção nas áreas do Handling e quase nenhuma na de manutenção, dedicando-se quase exclusivamente à administração do transporte aéreo.
Vítor Mesquita alertou ainda para a eminente tentativa de privatização de outra área da TAP: o sector de serviços administrativos que emprega actualmente quase 700 trabalhadores. Segundo esta fonte, a administração pretende autonomizar os serviços, «espartilhando pais uma parte da empresa, criando outra unidade, como fez com o Handling.
Entretanto, o Governo anunciou, no dia 4, ir solicitar, através do actual ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação, António Mexia – ex-administrador da Petrogal -, a Fernando Pinto, para que este se mantenha à frente da Comissão Executiva da transportadora aérea.
Entretanto, a TSF avançou com o nome de Faria de Oliveira para o lugar de Cardoso e Cunha. Trata-se de um administrador da empresa que foi ministro do Comércio e turismo nos tempos de Cavaco Silva, entre 1990 e 1995. Já foi vice-presidente do PSD entre Fevereiro de 1995 e Março de 1996.
Ao deixar o Governo, passou a desempenhar cargos de administração no IPE, Investimentos e Participações do Estado.


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