Interesses poderosos refugiam-se no segredo
Fequimetal denuncia obstrução às investigações
Interesses de milhões na <em>Galp</em>
Para a estrutura sectorial da CGTP-IN, «a gestão da Galp é, na respectiva escala, o espelho do País», onde «não há limites para aqueles que utilizam o poder como instrumento posto ao serviço dos seus interesses particulares e dos grupos que representam».
«Há forças poderosas a procurarem obstruir que se investigue até ao fundo os milhões que têm girado em torno dos múltiplos negócios da Galp», denuncia a Fequimetal, a propósito da privatização da petrolífera. Num comunicado que distribuiu na semana passada, a federação suscita algumas interrogações, cuja resposta deveria resultar da investigação profunda daquele processo: «Quem tinha interesse em pôr Mexia no Governo? Quem tem interesse em manter Ferreira do Amaral na Galp? Quem tem interesse em colocar agora “pessoas certas nos lugares certos”, como, por exemplo, Freitas do Amaral?»
A admissão na Galp do ex-dirigente salazarista e de outros desempregados merece da federação «a mais via repulsa, por tudo o que significa de nepotismo e ausência de escrúpulos, mas também devido à existência de trabalhadores na “prateleira” e ao assédio que tem sido feito a outros trabalhadores para que aceitem negociar o seu próprio despedimento». Representa igualmente «uma afronta aos quadros técnicos da Galp».
«A procissão ainda vai no adro e nós, obviamente, cá estamos para prosseguir a denúncia e o desmascaramento desta gente e para continuar a luta em defesa dos interesses do País, da empresa e dos trabalhadores», assevera a Federação Intersindical da Metalurgia, Metalomecânica, Minas, Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás.

Segurança

Caíram sempre em saco roto as denúncias e os alertas da federação, dirigidos ao Governo e à Inspecção do Trabalho, quanto aos perigos suscitados pelas políticas seguidas na Galp, nomeadamente a redução de pessoal em áreas sensíveis da empresa e a entrega «cega» de serviços e actividades a empreiteiros. Agora, a Fequimetal defende que «as inúmeras fugas de gás na rede de Lisboa e os acidentes ocorridos nas refinarias devem ser analisadas no contexto da gestão desenvolvida». Será assim «legítimo» imputar responsabilidades à administração, ao Governo e à IGT, «por nada terem feito no sentido de prevenir a ocorrência de acidentes». A federação denuncia ainda que «a administração mantém como responsável do pelouro de Segurança um administrador totalmente ignorante nessa matéria».
Comentando as declarações «coléricas e ameaçadoras» do presidente da CM de Matosinhos, acusando a refinaria do Porto de estar muito próxima de habitações, a Fequimetal contrapõe que «a refinaria foi construída em terrenos desertos de construção e tem sido ele, Narciso Miranda, ao longo de mais de duas décadas em que preside à Câmara, a autorizar as licenças de construção cada vez mais junto à refinaria». «Não tem sido essa precisamente a estratégia de quem tem interesse pessoal em ver substituir a refinaria pela construção de mais empreendimentos imobiliários?» – pergunta a federação.

Fugas no inquérito?

Segunda-feira à noite foi noticiado pela Agência Lusa o conteúdo de um comunicado interno com as principais conclusões da comissão de inquérito, nomeada pela Galpenergia para averiguar o acidente que ocorreu a 31 de Julho, durante a substituição de 18 linhas de oleodutos que ligam, ao longo de dois quilómetros, a refinaria de Matosinhos ao terminal petrolífero de Leixões.
Na terça-feira à tarde, a Comissão de Trabalhadores da Petrogal ainda não tinha conhecimento do inquérito. Hugo Basto, em declarações ao Avante!, estranhou como foi possível tal divulgação, uma vez que o relatório só anteontem recebeu as assinaturas de todos os membros da comissão de inquérito.
Reagindo às primeiras declarações do presidente da administração da Galpenergia, Joaquim Ferreira do Amaral, que logo após o incêndio surgiu na imprensa a declarar que haveria «uma violação de procedimentos», a CT exigiu que fosse o principal responsável da empresa a divulgar os resultados do inquérito. Esta exigência mantém-se, tal como se mantém a reclamação da entrada em funcionamento da Comissão de Saúde, Higiene e Segurança no Trabalho. Esta foi inviabilizada pela administração de Ferreira do Amaral e António Mexia, o presidente da Comissão Executiva da que saiu para integrar o Governor.
Este será um dos temas a abordar numa reunião que a CT solicitou a Ferreira do Amaral, mas para a qual este ainda não marcou data.


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