• Rui Paz

Alarga-se o movimento de protesto contra as reformas laborais
Mais manifestações na Alemanha
As manifestações de protesto contra o pacote «Hartz IV», que se realizam na Alemanha todas as segundas-feiras, estenderam-se a mais de 140 cidades e localidades, depois de na semana anterior terem abrangido cerca de 90 localidades.
Em Leipzig, Berlim e Magdburgo verificaram-se as maiores acções de protesto. Mas em todas as cidades do Leste realizaram-se desfiles de contestação (Dresden, Cottbus, Potsdam, Rostock, Halle, Jena, Weimar, Gera, etc.).
Também nas principais cidades da antiga República Federal da Alemanha (Bona, Hamburgo, Hannover, Munique, Colónia, Frankfurt, Stuttgart, Aachen, Essen, Dortmund, Duisburg, Wuppertal, Münster, etc.) milhares de manifestantes repudiaram a Lei com que o governo Schröder-Fischer pretende liquidar o seguro de desemprego e substituí-lo pela assistência social. «Não à pobreza decretada por Lei!», «Abaixo o Harzt IV!», «Nós somos o povo, não somos escravos!», lia-se em numerosos cartazes.
Enquanto o pastor Christian Führer da igreja de S. Nicolau em Leipzig afirmava que «o capitalismo não está em condições de resolver os problemas das pessoas», o porta-voz do governo de Schröder, Bela Anda, sugeriu que se mude o nome das medidas odiadas pelos trabalhadores alemães de «Hartz IV» para «reformas do mercado do trabalho».

Trabalho escravo

Por sua vez, o presidente da DGB no Estado da Turíngia, Frank Spieth, comparou a obrigatoriedade dos desempregados passarem a ter de trabalhar por um euro à hora (um café na Alemanha custa 2 euros e meio) com as regras do «trabalho ao serviço do Reich» de Hitler provocando a ira e a desorientação no seio das forcas governamentais.
O actual presidente do SPD Franz Münterfering reagiu imediatamente avançando com a possibilidade de o trabalho obrigatório por um euro à hora ser substituído por um salário mínimo.
Com a passagem dos desempregados para as estatísticas da «assistência social», Schröder pensa poder, antes das próximas eleições, mascarar demagógica e artificialmente o constante aumento do desemprego.
Mas a determinação e a luta dos trabalhadores e do povo começa já a criar dúvidas e a abrir brechas nos círculos do poder. A presença cada vez maior de bandeiras da antiga República Democrática Alemã e de símbolos do socialismo nas manifestações são a expressão de uma rápida tomada de consciência de que o capitalismo é a principal fonte dos males que estão a conduzir à liquidação das conquistas sociais e dos direitos dos trabalhadores.


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