Editorial

«O sonho tem Partido – e esse Partido chama-se PCP»

ELES NÃO SABEM NEM SONHAM

Sendo a Festa do Avante! uma conquista de Abril, era natural – inevitável, pode dizer-se – que a Revolução, neste ano do seu trigésimo aniversário, tivesse presença marcante e impressiva na sua festa. E assim é: como se sabe, a comemoração do trigésimo aniversário é o tema central da Festa, o que significa que a revolução de Abril, a sua importância e o seu significado, perpassarão, durante todo o próximo fim de semana, pela bela cidade do futuro construída na Quinta da Atalaia por milhares e milhares de militantes de Abril. Através de múltiplas manifestações culturais, de debates e colóquios, de uma exposição central, de exposições promovidas pelas organizações regionais do Partido, os muitos milhares de visitantes da Festa do Avante! terão oportunidade de relembrar (ou de tomar contacto pela primeira vez, para o caso de muitos dos mais jovens) com os aspectos essenciais desse momento ímpar da nossa História.
Sabe quem quer saber que a revolução de Abril constituiu o momento maior – de maiores avanços políticos, económicos, sociais, culturais, civilizacionais – da história de Portugal. Ou seja, o momento de maior modernidade da nossa história colectiva – modernidade que o é porque feita do novo, portanto modernidade de facto, e não esse baú de velharias (precisamente velharias políticas, económicas, sociais, culturais), que há séculos vêm sendo baralhadas e dadas de novo e que os escribas ao serviço do sistema dominante nos pretendem impingir como se de coisas modernas se tratasse. A revolução de Abril é o futuro. E a comemoração do seu aniversário na festa do futuro que é a Festa do Avante! sublinha a actualidade e o conteúdo revolucionário dos seus ideais e das suas conquistas.


Exemplo concreto e bem elucidativo da força, da actualidade, da modernidade de Abril, desses seus ideais e dessas suas conquistas, é o facto de grande parte, seguramente a maioria, dos milhares de militantes de Abril que constróem a Festa do Avante!, serem jovens – jovens que, por alturas do 25 de Abril de 1974, não eram ainda nascidos, ou eram ainda crianças. Com efeito, a presença dominante de jovens – rapazes e raparigas – nas jornadas de trabalho (quer nas do dia a dia, quer nas dos fins de semana), é uma realidade evidente. São, na sua maioria, jovens comunistas – embora se verifique uma assinalável presença de jovens simpatizantes e amigos do Partido e da JCP.
Vêm de todo o País e oferecem à Festa parte das suas férias; em muitos casos têm, ali, os seus primeiros contactos efectivos com o mundo do trabalho e com as ferramentas; erguem estruturas, assentam paredes, colocam toldos, pintam as placas de madeira e os ferros; preparam a realização de espectáculos e de debates sobre os mais diversos temas; erguem a Cidade da Juventude pensando na comemoração do 25º aniversário da JCP; participam na construção da cidade maior que é a Festa; nos intervalos das jornadas de trabalho, falam dos seus problemas, debatem questões da actualidade política e juvenil, nacional e internacional; e, quer enquanto trabalham, quer nos períodos de descanso, confraternizam, convivem e vivem, fazem amizades e amores, crescem enquanto seres humanos adultos, responsáveis, conscientes. São jovens comunistas, são a JCP, Juventude do PC, são, ao fim e ao cabo e por tudo isso, rapazes e raparigas de Abril, jovens operários e operárias em construção, construindo e construindo-se com os instrumentos de trabalho de que é feito o futuro, construindo de forma clara e inequívoca a sua condição de revolucionários, demonstrando e confirmando que, como diz o lema do aniversário da JCP, «o sonho tem Partido» - e que esse Partido se chama PCP.

Festa de Abril, festa da juventude: portanto, e naturalmente, festa da liberdade, da democracia e do progresso, da alegria e da amizade. Portanto, e naturalmente também, festa dos comunistas e por eles erguida graças a um gigantesco esforço colectivo; a uma abnegação ilimitada; a uma postura de solidária e fraterna camaradagem; a uma notável consciência política, ideológica e de classe; a uma militância responsável e assumida, que vê a participação militante como um direito de cujo exercício jamais prescinde; festa dos comunistas e com eles compartilhada pelos muitos e muitos milhares de homens, mulheres e jovens que, não sendo comunistas, querem participar e, sem preconceitos, participam na festa dos comunistas - porque querem ser, e são, protagonistas da mais importante, da maior, da mais bela iniciativa político-partidária realizada em Portugal.
Pode haver, e há, quem não veja estas realidades óbvias e por isso as considere inexistentes; pode haver, e há, quem não queira vê-las nem queira que elas sejam vistas e, por isso, as silencie e oculte; pode haver, e há, quem considere tais realidades um perigoso exempl e, por isso, tenha como preocupação maior deturpá-las e denegri-las – e, se necessário for, fazer aprovar leis profundamente antidemocráticas visando apagar essas realidades, procurando uniformizar o funcionamento interno de todos os partidos, tomando como referência e modelo obrigatórios o partido da política única - tal como obrigatório era, no antigamente, o modelo do partido único. Mas não atingirão agora, como não atingiram então, os seus objectivos. E, tal como os seus antepassados, jamais saberão as razões desse insucesso. Porque eles não sabem nem sonham que «o sonho tem Partido».


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