«O indulto aos terroristas está a provocar reacções negativas»
Terroristas em liberdade
Cuba rompe relações com Panamá
Cuba rompeu as relações diplomáticas com o Panamá, na passada semana, e acusa as autoridades panamianas de envolvimento com o terrorismo anticubano.
Na base da decisão do governo cubano está a amnistia concedida pela presidente panamiana, Mireya Moscoso, a quatro conhecidos terroristas de origem cubana - Luis Posada Carriles, Gaspar Jiménez, Guillermo Novo Sampoll e Pedro Remón Rodríguez - acusados da tentativa de assassinato do presidente Fidel Castro, no ano 2000, na edição da cimeira Ibero-Americana realizada naquele país da América Central.
Já desde o momento da detenção dos quatro terroristas que Cuba vinha alertando as autoridades panamianas para as «graves consequências que teria para a credibilidade do Panamá» qualquer amnistia concedidas aos quatro homens. Estes alertas intensificaram-se a partir da semana passada, quando o governo cubano teve a certeza que o indulto iria ser concedido, informa a nota do governo da República de Cuba.
O governo cubano considera que a decisão da presidente (que termina brevemente o seu mandato) foi tomada com o apoio dos Estados Unidos e é o culminar de um processo de comprometimento com o terrorismo anticubano e de protecção dos terroristas indultados, que começou praticamente no momento da prisão dos quatro indivíduos.
Segundo o diário cubano Granma, o indulto aos terroristas está a provocar reacções negativas no Panamá. Vários partidos e organizações manifestaram repúdio pela decisão da presidente de incluir os quatro terroristas cubanos na amnistia concedida a mais de cem condenados.
Alguns dos condenados amnistiados – jornalistas, empresários, banqueiros, políticos – chegaram mesmo a rejeitar o indulto por considerarem que este apenas servia para encobrir a libertação dos quatro terroristas. Moscoso é acusada por várias organizações de ceder às pressões dos Estados Unidos.
Importa salientar que, se o atentado contra Fidel Castro tivesse sido bem sucedido, teriam muito provavelmente morrido, para além do presidente cubano, centenas de pessoas que se encontravam no anfiteatro que planeavam fazer explodir.

Currículos elucidativos

Os quatro terroristas amnistiados pela presidente panamiana tem um considerável currículo de acções terroristas contra a ilha socialista das Caraíbas. Acusados por tentativa de assassinato de Fidel Castro, qualquer um podia ter sido aprisionados por várias outras razões.
Luis Posada Carriles é um velho contra-revolucionário. Saído de Cuba nos anos 60, desde então que se dedica a actividades terroristas. O governo cubano acusa-o de ser o responsável directo pela destruição, em 1976, em pleno voo, de um avião cubano, que provocou a morte a 73 pessoas. É ainda atribuída a Posada Carriles a campanha de atentados bombistas contra hotéis cubanos no final dos anos 90, incluindo o que provocou a morte ao turista italiano Fabio di Celmo.
Gaspar Jiménez, outro dos amnistiados, para além de também ter estado envolvido na campanha contra os hotéis, nomeadamente através do treino e recrutamento de mercenários para cometer esses atentados, conta no seu currículo com o assassinato de um técnico cubano e tem problemas com a justiça mexicana relacionados com tráfico de droga e de explosivos.
O terceiro indultado, Guillermo Novo Sampoll, tem longa experiência na colocação de explosivos em embaixadas, aviões e barcos de países que mantêm relações comerciais com Cuba. O governo cubano refere ainda as suas ligações à polícia política chilena, no tempo de Augusto Pinochet, e o seu envolvimento no assassinato de Orlando Letellier, ministro da Unidade Popular.
Quanto a Pedro Remón Rodríguez, o quarto terrorista posto em liberdade, foi o assassino do diplomata Félix Garcia Rodríguez, morto em Nova Iorque, em Setembro de 1980, e também do emigrante cubano José Eulalio Negrín. Foi igualmente responsável por uma tentativa de assassinato do embaixador de Cuba na ONU.


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