Intervenção de Carlos Carvalhas na abertura
Festa da juventude, dos trabalhadores e do povo
No 30.º aniversário da Revolução do 25 de Abril, que também tornou possível a Festa do Avante aqui estamos hoje com alegria, na abertura desta grande Festa da democracia, nesta grande Festa da juventude, dos trabalhadores e do povo.
Ao longo destes anos os reaccionários de vários matizes tudo fizeram para a liquidar e sufocar.
Não conseguiram nem conseguirão.
Primeiro foram as sucessivas dificuldades e entraves obrigando-nos a mudar de local: Jamor, Alto da Ajuda, etc., etc., até comprarmos este terreno. Agora é a Lei do Financiamento dos Partidos.
A todos esses deixamos-lhes um desafio: em vez de proibições, leis e entraves burocráticos, façam também a vossa Festa e mostrem que têm unhas para tocar guitarra!
Os mesmos que gostariam de liquidar a Festa do Avante são os mesmos que ano após ano passam o certificado de óbito ao PCP. Coitados!
Já era altura de perceberem que esta Festa era impossível de realizar sem o trabalho voluntário de milhares e milhares de construtores, sem as ajudas de tantos amigos do Partido e que um Partido que tem esta prática, que tem profundas raízes nos trabalhadores e no povo está preparado para enfrentar as mais fortes tempestades.
Já era altura de perceberem que se neste Partido isto se verifica é porque os seus membros aí militam por causas e convicções, pela transformação social, por uma sociedade mais justa, mais solidária e mais fraterna e não para qualquer beneficio pessoal.
Já era altura de perceberem que isto só é possível num Partido que fala verdade, que combate consequentemente a política de direita, os populismos e a demagogia dos novos «tele-evangelistas» da política. De um Partido que na sua prática e quotidiano cultiva os valores da generosidade, da solidariedade, do humanismo que faz com que os seus ofereçam milhares de horas de trabalho, inclusive dias das suas férias à Festa do Avante!
Já era altura de perceberem que isto só é possível num Partido cuja única razão de ser e existir é servir os trabalhadores, o povo e o país, o Partido Comunista Português.
Por isso, queremos daqui, em primeiro lugar e em nome da Direcção do PCP saudar os construtores da Festa, os homens, mulheres e jovens que a ergueram contribuindo para a afirmação do trabalho, da criação, da beleza, da arte, da cultura que se traduz na Festa do Avante!.
Saudar a juventude e muito especialmente a JCP que com a sua forma peculiar de estar, como força insubmissa de esperança e de futuro dá uma contribuição singular à nossa Festa e à cidade da juventude.
Saudar as Organizações Regionais do PCP que, com o seu trabalho, com as suas exposições, com o artesanato, com os seus petiscos, nos trazem também este ano, no plano cultural e político, mostras do 25 de Abril que nos permitem recordar e celebrar o que foram trinta anos de liberdade.
Esta é a Festa onde estará também presente a solidariedade internacionalista e a luta pela paz, onde será lembrado Pablo Neruda no centenário do seu nascimento; o «espaço criança» com pintura, jogos, teatro, palhaços; o maior festival de cartoon político realizado em Portugal com 165, trabalhos de 74 autores de 38 países, a homenagem a Carlos Paredes, o debate e a intervenção política.
Esta é uma Festa onde se respira a alegria, a fraternidade, a confiança no futuro, razões porque aqueles que nos visitam pela primeira vez levam daqui uma boa recordação, independentemente do quadrante político em que se situam.
Esta é a Festa dos comunistas e dos democratas, da juventude e do povo onde transparece uma atitude perante a vida e o mundo, um projecto político, uma capacidade de sonhar e uma vontade de transformar.
Aqui se encontrarão razões e novas energias na luta pela paz, na solidariedade a todos os povos em luta.
Aqui se encontrarão razões, motivos e impulsos, novas energias para continuar a luta.
A luta contra a política de direita do governo, que tem condenado o país à recessão, ao retrocesso económico e social e a retrocessos de civilização como é o caso da Lei Aborto, com os julgamentos medievais de mulheres, e a devassa da sua vida privada. E agora com o «moderno» ministro da Defesa e o apoio do Primeiro-Ministro, a impedir com vasos de guerra a entrada do pequeno barco holandês, chamado «barco do aborto», com o argumento de que está a defender a Lei quando sabe que a mesma empurra milhares de mulheres para a sua violação, isto é para o aborto clandestino. Temos o ridículo de, perante tão grave «ameaça» se colocar, na prática, a Marinha de Guerra a velar pelo aborto clandestino e pelas concepções ultramontanas que vigoram no CDS e no PSD!
A hipocrisia e o reaccionarismo não têm limites. Sr. Primeiro Ministro deixe-se de habilidades, de «aberturas» para debates sem consequências, olhe, por exemplo, para o que se passa neta matéria na vizinha Espanha e assuma seriamente e não com malabarismos a resolução do drama do aborto clandestino.
Os governos de direita têm também condenado milhares de famílias à diminuição do seu poder de compra e nível de vida, pois o país não é a clientela do PSD e do CDS/PP, das assessorias, dos gabinetes ministeriais, dos lugares-chave da administração pública, da gestão dos hospitais, dos boys, das negociatas das privatizações.
O país não é o país virtual da propaganda e do marketing político de Santana e Portas, mas o país que trabalha e sofre as dificuldades quotidianas de uma política errada e injusta, que em vez de aumentar tem diminuído, ano após ano, o poder de compra dos portugueses. E por isso terá o combate firme e determinado do PCP.
O país real é o país do desemprego, da precariedade, das extensas manchas de pobreza; o país da cauda da Europa em relação ao desenvolvimento, mas campeão das desigualdades sociais.
E Dr. Santana Lopes, não vale a pena fingir que nada tem a ver com a política do seu antecessor ou que as dificuldades advêm de uma conjuntura económica internacional desfavorável.
Relembramos que em 29 anos de governos constitucionais o PSD esteve 20 anos na governação do país, primeiro aliado ao CDS, depois aliado ao PS, depois sozinho e agora outra vez aliado ao CDS.
A factura da política de direita vai sempre para os mesmos e os privilégios também.
Em entrevista recente o Primeiro-Ministro já vai dizendo que este ano os aumentos dos trabalhadores da Administração Pública ainda serão menores que a taxa de inflação, o que é o mesmo que dizer que o governo pretende diminuir, mais uma vez, os salários reais. E este «ainda», para alimentar a resignação significa também que o governo só pretende apresentar aumentos reais próximo das eleições legislativas.
Mas o Primeiro-Ministro pode estar certo que a política que foi condenada nas urnas, nas eleições para o Parlamento Europeu e que diz ir prosseguir, continuará a ser combatida pelos trabalhadores e pelo povo. Não nos calaremos perante as injustiças e a liquidação de direitos.
A Festa do «Avante!», Festa organizada e construída por aqueles que não se rendem nem se resignam, é também um importante contributo para o prosseguimento da luta e para se derrotar esta política e este governo, que o que tem para oferecer ao país é mais do mesmo, embora tudo muito bem embrulhado em papel vistoso para esconder o negativo dos conteúdos. Mas terá pela frente o nosso combate, o combate dos trabalhadores do povo e da juventude, o combate deste grande Partido, o Partido Comunista Português.


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