Auditório 1.º de Maio
Música e Revolução
Manecas Costa

Oriundo da Guiné-Bissau, Manecas Costa é um virtuoso guitarrista, compositor e cantor e trouxe à Atalaia o calor dos sons da sua terra, conquistando aos poucos um público que terminou rendido aos ritmos contagiantes da banda que se aventura com sucesso, pelos campos da World Music.

Guto Pires

Ex-membro dos Issabary, Guto Pires decidiu avançar com uma carreira a solo que, promete dar que falar: o público só teve de aproveitar a embalagem deixada por Manecas Costa para continuar a dançar ao som de Guto que encheu o auditório com temas que ficam no ouvido como «Ai negrita» em ritmo reagee, ou «Prá casa nossa», uma fusão de Jazz com afro que levou o público ao rubro.

Lura

A programação de sexta-feira do Auditório 1.º de Maio encerrou com uma potente actuação da cantora Lura num ambiente dado ao intimismo.
A cabo-verdiana, que para além de interpretar assina alguns dos temas apresentados, confirmou ser um dos valores mais seguros da música africana, facto que lhe valeu presença num colectânea recente onde pontuaram músicos consagrados como Marisa Monte, Caetano Veloso ou Teresa Salgueiro.
A voz arrebatadora e surpreendentemente jazzística de Lura, o calor e a alma com que afrontou o espectáculo, envolveu o público num gigantesco abraço.

«Utopia» de Vitorino e Janita

Vitorino e Janita Salomé explicaram como, no período revolucionário, pretenderam através da música, despertar o povo para a realidade e para a defesa das liberdades conquistadas.
Com «Utopia», recriaram as canções de José Afonso e de Abril com as suas vozes e arranjos magníficos, encerrando com chave de ouro os espectáculos de sábado no auditório.
Ex-companheiros de palco de Zeca Afonso, souberam mais uma vez homenagear o cantor da Revolução, agradecendo à Festa do Avante! e ao PCP a oportunidade de participar num evento que é bem caro a esta dupla única do panorama musical português, pela forma como compõem e interpretam.

«Grândolas» de Laginha e Sasseti

Dois dos melhores pianistas de Jazz do mundo, Mário Laginha e Bernardo Sasseti, realizaram um «frente a frente» em perfeito dueto para recordar José Afonso através do seu último trabalho, «Grândolas».
«Venham mais Cinco», «Era um redondo vocábulo», «Trás um amigo também» e outras, viram-se enriquecidas com a magia dos dois pianos que se completaram em harmonias intimistas, demonstrando um empenhado trabalho dos dois compositores.
O espectáculo culminou com uma interpretação de homenagem ao «Hino do MFA», seguida de um arranjo de Laginha para «Grândola, Vila Morena», culminando com um regresso ao palco para interpretar o hino universalista de intervenção norte-americano, «We shall Overcome».

Rão Kyao

Classificar o concerto do mais famoso flautista português de extasiante é dizer pouco ou quase nada sobre o momento que Rão Kyao ofereceu ao público, através do seu mais recente trabalho, «Porto Alto». A capacidade de fazer sonhar e viajar por mundos desconhecidos fluiu das flautas de Rão com tanta determinação e sentimento que deixou estupefacto um público totalmente rendido às paisagens que o intérprete foi introduzindo antes de cada música.
Dando provas de grande à vontade com um público que o adora, Rão congratulou-se com mais uma presença sua na Festa.

Johnny Blues Band

Vinda do Porto, a banda munida de duas guitarras eléctricas – João Antero e José Martinho - a revezarem-se em solos perfeitos, e por um conjunto de sopros mais a bateria, recordaram temas de Muddy Waters, Sonny Boy Williams, B.B. King, e homenageou John Lee Hooker, num grande momento de Rythm & Blues pela voz de João Fonseca.


«A Jazzar no Zeca Afonso»

O trabalho é uma adaptação feita por Zé Eduardo, do Jazz, a vários trabalhos do autor de «Grândola, Vila Morena». Os convidados Jesús Santandreu, Marc Miralta e Jack Walrath improvisaram os ritmos e os sons jazzísticos fundindo-os com canções que estão na memória do povo como, «Venham mais Cinco», entre outras.

Hugo Alves e «Estranha Natureza»

Hugo Alves trouxe o trabalho considerado pela crítica como o melhor CD de jazz português do ano passado. Misturou o classicismo jazzístico com técnicas mais vanguardistas magistralmente interpretadas com os inestimáveis contributos da guitarra de Bruno Santos, o contrabaixo de Nuno Correia e a bateria de Jorge Moniz.

Telectu e Convidados

Novas pistas, sonoridades e formas de interpretação da música e dos instrumentos foi mais uma vez o desafio feito pelos Telectu ao exigente público da Festa. A banda trouxe os convidados Tom Chant e Cris Cutler que durante uma hora enveredaram pelo improviso, no jeito e na forma que os Telectu nos têm habituado.

Big Band do Município da Nazaré

Neste espectáculo pontuaram temas dos grandes nomes como Duke Ellington, Dizzy Gillespie ou Count Basie reconhecidos e apreciados até por aquele público que só na Festa tem oportunidade de os recordar.
Aqui e ali, os ritmos mais quentes da América Latina puxando para um pézinho de dança.

TGB

Uma guitarra, uma bateria e uma tuba foram o suficiente para que os TGB tecessem uma malha musical plena e contagiante.
Uma multiplicidade harmoniosa de sons gerou interpretações instrumentais do tema «Só», de Jorge Palma, e de «Black Dog», dos norte-americanos Led Zepplin. A guitarra por vezes fez lembrar a voz do vocalista destes últimos, Jimmy Page.

Navegante

A banda de José Barros levou o auditório à dança através de trabalhos do seu novo álbum, «Vivos...e ao vivo», uma verdadeira viajem pelo cancioneiro nacional do mundo do trabalho, enraizado na cultura portuguesa. «Maria Faia» foi o tema escolhido para homenagear José Afonso e a Revolução. No fim, o público dançou e festejou com o tema, «É mentira, sim senhor».

A Naifa

A música contemporânea e as sonoridades de inspiração urbana marcaram o espectáculo do inovador projecto de Luís Varatojo e João Aguardela.
Lisboa e a sua raiz musical estiveram sempre presentes, poesia das notas que se completou com a das palavras de uma nova geração de poetas portugueses.

Tim Tim por Tim Tum

O experimentalismo da percussão num diálogo entre os músicos em palco e o público.
Do som ao silêncio, a expressão ritmada onde a música produzida imperou como forma de comunicação quase sem barreiras de estilo.

Cravos de Fado

Mísia (en)cantou com Paredes

Verdadeira ninfa do Fado, Mísia confessou que gosta sempre de regressar à Festa do Avante!, e não é para menos. O público rendeu-se mais uma vez ao feitiço lançado do palco pela fadista que, desta feita, interpretou poemas de vários autores portugueses, adaptados às músicas de Carlos Paredes. Foi o último espectáculo da Festa e provou ter fundo de verdade a expressão, os últimos são sempre os primeiros.
José Saramago, Vasco Graça Moura, Pedro Támen e Sérgio Godinho são alguns dos autores dos poemas. O trabalho resultou num álbum intitulado «Canto», que encheu de ternura os corações de um público rendido à intérprete, e foi de forma mágica que o auditório 1.º de Maio se despediu, até ao próximo ano, com o apoteótico encerramento do palco ao som da «Carvalhesa» e da contagiante dança de milhares de pessoas de todas as idades.

Aldina Duarte

Negro é a cor do fado e da voz de Aldina consegue-se discernir a melancolia e a tristeza típica de um estilo que é exclusivamente português. A forma divinal como a fadista interpreta temas de amor e das desgraças da vida do nosso povo expressas pela sua garra evidenciou-se em vários temas do seu primeiro álbum, «Apenas o amor», e sobre amor Aldina provou saber cantá-lo como poucas.

Cátia Pires

Vestida de vermelho e dando provas de grande profissionalismo, esta voz do fado em ascensão interpretou magistralmente clássicos, entre eles a «Gaivota».
Efectuou ainda uma variação de «Trás outro amigo também» de Zeca Afonso, e terminou com «Lisboa Menina e Moça». Uma bela voz ajudada por uma fisionomia que faz recordar em muito, Amália Rodrigues.


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