A hora do trabalho
Foi no sábado, a partir das 15 horas e até depois das 17. Nos três espaços de debate do Pavilhão Central, os temas tratados tinham todos algo a ver com o trabalho.
No Fórum, a tónica ia para a luta e a organização dos trabalhadores, 30 anos após o 25 de Abril. No espaço da imprensa do PCP, estava-se À Conversa com... sobre a realidade actual das classes sociais. E no auditório do espaço da Ciência tratava-se dos problemas e da organização dos trabalhadores nas tecnologias de informação e comunicação, TICs. Os interessados chegavam para preencher a maioria dos lugares disponíveis em qualquer dos locais. Também era comum a desmistificação do conceito de modernidade, brandido por governantes e empresas para retirar direitos aos trabalhadores.
A esse propósito, afirmou Jerónimo de Sousa que o 25 de Abril foi o acto mais moderno e mais avançado da História contemporânea de Portugal. João Paulo, ao denunciar que a ofensiva contra os direitos conquistados pelos trabalhadores tem sido conduzida por governos de diversas matizes ideológicas, mas sempre com a mesma política, afirmou que, nas últimas legislativas, o programa eleitoral de Ferro Rodrigues era ainda pior, nos conteúdos laborais, que o de Durão Barroso. Amável Alves deteve-se sobre a importância da contratação colectiva, que hoje abrange três milhões de trabalhadores, considerando que essa é a forma moderna e que há que continuar a lutar para que não volte o tempo em que vigorava o poder patronal absoluto. A campanha do retrocesso a que querem chamar modernidade, sendo um grande embuste, pode ter efeitos mesmo junto de muitos trabalhadores, que acabam por se colocar contra os seus próprios interesses.
Francisco Lopes referiu a caracterização das classes, contida nas Teses do 17.º Congresso do Partido. Quando 60 grandes grupos dominam a economia e a ideologia no País, verifica-se que a política actual só serve um conjunto muito reduzido, levando a que até sectores da média burguesia estejam interessado em convergir com a classe operária e os trabalhadores.
Odete Santos salientava que aos jovens trabalhadores, como na área das TICs, é preciso fazer ver que têm direitos e devem exercê-los, apesar da grande precariedade e pressão a que são sujeitos.
Enquanto num debate se frisava a exigência de que os trabalhadores não percam a consciência de classe e a organização própria, no auditório ao lado denunciava-se que o ajuste de contas da direita com o 25 de Abril e as suas conquistas é dirigido também contra os seus protagonistas, pois o que realmente conta na resistência a essa ofensiva é a luta organizada dos trabalhadores, seja no sindicato, na CT ou no seu Partido. E essa luta vai continuar.

DM


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