Veneza distingue Oliveira

A 61.ª edição do Festival de Cinema de Veneza distinguiu, sexta-feira, o realizador Manoel de Oliveira com o «Leão de Ouro» pela sua longa carreira e pelo contributo daquele português para a sétima arte.
Aos 95 anos, o mais velho cineasta em actividade viu ainda estrear o seu último trabalho, «O Quinto Império – Ontem como Hoje», no mais antigo e conceituado certame do cinema europeu.
No que diz respeito aos filmes a concurso, destacaram-se duas fitas que abordam outros tantos temas candentes nas sociedades contemporâneas.
O vencedor do «Leão de Ouro» foi o filme «Vera Drake», do britânico Mike Leigh, cuja história aborda o drama do aborto clandestino na Inglaterra do pós II Grande Guerra Mundial.
Com o Grande Prémio do Júri ficou «Mar Adentro», de Alejandro Amenabar, um filme que relata a história verídica de um tetraplégico que lutou durante anos pelo direito a por termo à sua própria vida.
Javier Bardem e Imelda Stauton receberam os prémios de melhor actor e melhor actriz, respectivamente, pelos papeis desempenhados em «Mar Adentro» e «Vera Drake», enquanto que o sul-coreano Kim KI-Duk foi agraciado com o galardão de melhor realizador.


Atlântico vaia Santana

Pedro Santana Lopes foi copiosamente vaiado por milhares de pessoas que, segunda-feira, lotaram o Pavilhão Atlântico, em Lisboa.
Enquanto esperavam pelo início do primeiro de dois espectáculos que a cantora norte-americana Madonna realizou na capital portuguesa, os cerca de 17 mil espectadores brindaram Santana com apupos, assobiadelas e um ruidoso bater de pés nas bancadas do recinto em sinal de protesto contra o primeiro-ministro que ali se deslocou para assistir ao concerto.
Semelhante tratamento num espectáculo público teve o antecessor do actual chefe do Governo, Durão Barroso, quando na inauguração do novo Estádio da Luz foi igualmente apupado por mais de 60 mil pessoas descontentes com a política seguida pelos executivos da coligação de direita PSD/PP.


Cuba dá o exemplo

Depois de ter causado cerca de 65 mortos em diversos países das Caraíbas, o furacão «Ivan» passou pela costa ocidental da ilha de Cuba sem provocar qualquer vítima mortal e encaminha-se agora para o Golfo do México.
Apesar da violência dos ventos de mais de 200 quilómetros por hora e das ondas que chegaram a atingir os cinco metros de altura junto às zonas costeiras, o fenómeno climatérico deixou apenas marcas de destruição em algumas linhas telefónicas, postes de electricidade e telhados menos resistentes, sobretudo na região de Pinar del Rio.
A acção das autoridades locais, que efectuam formação primária e preventiva durante todo o ano, disponibilizam todos os meios necessários para resistir a uma eventual catástrofe e evacuaram as populações das zonas de risco, contribuiu decisivamente para que o «Ivan» não consumasse a sua acção devastadora.
Tal conclusão foi avançada, terça-feira, pela agência da ONU para as catástrofes naturais, a ISDR.
De acordo com aquele organismo, «o modelo cubano poderia ser facilmente aplicado a outros países em condições económicas idênticas e até em alguns países com mais recursos que continuam a não conseguir proteger as suas populações».
O responsável da ISDR, Salvano Briceno, sublinhou ainda que comparativamente com o Estado da Flórida, nos EUA, os anteriores ciclones Georges e Charley mataram muito menos pessoas em Cuba e provocaram prejuízos muito menores, destacando que «o que falta, muitas vezes, são programas concretos e vontade política para implementar novas medidas».


Justiça sempre lenta

Segundo dados apurados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), dos cerca de 1,8 milhões de processos judiciais que deram entrada nos tribunais nacionais, no ano de 2002, apenas 500 mil foram concluídos no mesmo ano, ou seja, 31 por cento do total.
Apesar da baixa taxa de execução que continua a registar-se, face ao ano de 2001 entraram mais 0,8 por cento de processos e foram concluídos mais 6,4 por cento.
Os crimes contra as autoridades policiais, 400 mil em 2002, aumentaram 5,2 por cento, números englobados num crescimento geral das queixas consumadas contra o Estado em cerca de 18,4 por cento ao nível nacional.
As regiões Norte e de Lisboa concentraram a maioria dos novos casos, 74 por cento, mas também a maior fatia dos processos dados por concluídos, 73 por cento.


Extrema-direita dá a cara

Sectores da extrema-direita israelita anunciaram, sábado passado, a fundação de um novo partido político cujo objectivo é a expulsão dos muçulmanos e cristãos residentes em Israel e nos territórios ocupados da Palestina.
De acordo com o co-fundador Ben Elyaho, tal medida «resolveria todos os problemas políticos, económicos e sociais de Israel», pelo que «a região entre o Rio Jordão e o Mediterrâneo deve ser limpa garantindo uma maioria judia de não menos de 90 por cento».
O partido congrega membros do Grupo Kach, de inspiração fascista e racista, e foi um dos animadores da manifestação que se seguiu ao anuncio da fundação da nova formação política.


Resumo da Semana