«A morte em directo do jornalista palestiniano provocou forte comoção»
Domingo sangrento
Iraque a ferro e fogo
Mais de uma centena de mortos é o pesado balanço dos confrontos registados no domingo, no Iraque, entre rebeldes e forças do governo interino e de ocupação.
Segundo o Ministério da Saúde do governo interino iraquiano, os principais ataques ocorreram em Bagdad, onde se terão registado 37 mortos, e em Tal Afar, a cerca de cem quilómetros da fronteira com a Síria, onde 51 pessoas morreram durante uma ofensiva norte-americana.
Os confrontos chegaram ao coração da capital, tendo como palco a rua de Haifa, que atravessa um bastião da resistência contra o governo colaboracionista de Iyad Allaoui. Carros de combate e helicópteros dos EUA entraram em acção, disparando de forma indiscriminada contra a população. De acordo com as agências internacionais, imagens da Reuters Television mostram iraquianos em fuga pouco antes de se ouvir uma explosão, que viria a provocar a morte do jornalista palestiniano Mazen Tomeizi, quando fazia a cobertura dos acontecimentos, em directo, para a cadeia de televisão árabe Al-Arabiya, do Dubai. No mesmo ataque ficaram feridos, sem gravidade, um operador de câmara iraquiano da agência Reuters e um fotógrafo também iraquiano ao serviço da agência Getty.
Segundo testemunhas, o helicóptero norte-americano disparou contra o grupo de pessoas que estavam junto da carcaça de um tanque Bradley o qual, de acordo com as autoridades, foi alvo de um atentado à bomba.
Na versão dos militares americanos, o helicóptero foi enviado «para prevenir saques e prejuízos ao povo iraquiano», depois de os quatro ocupantes norte-americanos do Bradley terem sido alvo de um ataque em que foram feridos sem gravidade.

Morte em directo

A morte em directo do jornalista palestiniano provocou forte comoção nos territórios palestinianos, onde milhares de pessoas se manifestaram em protesto contra o assassinato do jornalista.
Um comunicado entretanto divulgado pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) sublinha que «mais uma vez, um trabalhador jornalista, transportando nada mais perigoso do que um microfone, é mortalmente alvejado nas ruas sem qualquer explicação». Para a FIJ, «esta tragédia» reforça as exigências da organização para que seja feita justiça aos «jornalistas que foram mortos no Iraque pelo dito ‘fogo amigo’».
Segundo a FIJ, desde a invasão do Iraque, no ano passado, 13 jornalistas e outros trabalhadores dos média foram mortos em circunstâncias «sem explicação satisfatória», num total de 52 baixas entre o pessoal dos órgãos de comunicação social.

Aumento da violência

Ainda no domingo, uma dezena de obuses atingiu a «zona verde» de Bagdad, o sector de alta segurança onde está instalado o governo interino iraquiano e a embaixada norte-americana, e pelo menos sete viaturas armadilhadas explodiram na capital.
«Assistimos a um terrível aumento do número de ataques», reconheceu o general Erv Lessel, porta-voz do exército americano.
Também a conselheira para a segurança nacional dos EUA, Condoleezza Rice, admite que a violência vai continuar até às eleições, previstas para Janeiro próximo, e fazer-se mesmo sentir «durante as eleições», embora considere que será «possível assegurar a realização destas eleições».
Entretanto, continua por esclarecer o elevado número de mortos registado em Tal-Afar, onde as tropas norte-americanas lançaram uma ofensiva de grande envergadura no final da semana passada, alegadamente contra bases de combatentes estrangeiros.
Por explicar está igualmente o ataque levado a cabo por tanques e helicópteros americanos em Ramadi contra um sector residencial, de que resultaram dez iraquianos mortos, entre as quais mulheres e crianças, segundo fontes hospitalares.
Segundo a agência AFP, citada pelo Le Monde, já na segunda-feira de manhã, tiros de artilharia e raids da aviação norte-americana atingiram Fallouja, provocando pelo menos 15 mortos e 13 feridos.



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