Águas turvas

Segundo os dados constantes no relatório «Controlo da Qualidade da Água para Consumo Humano», divulgado pelo Agência Lusa na sexta-feira da semana passada, cerca de 143 mil análises obrigatórias à água não foram realizadas no ano transacto.
Apesar de se assistir a uma progressiva diminuição destes números, em comparação com o ano de 2002, o índice de incumprimento continua a ser de mais de 17 por cento.
O documento diz ainda que a percentagem de análises não realizadas a determinados parâmetros tóxicos à água de consumo rondam os 28 por cento.
Descortinando os indicadores recolhidos por concelho, o relatório afirma que um quarto das entidades locais apresenta análises em falta superiores a 25 por cento e que só em cinco por cento dos concelhos não se registam falhas ou violações em qualquer dos parâmetros de incumprimento estabelecidos.


Rica casinha

De acordo com informações postas a circular no final da semana passada, o actual ministro do Ambiente da maioria PSD/PP, Luís Nobre Guedes, construiu uma moradia de quase 170 metros quadrados, no Parque Natural da Arrábida, num terreno onde a antiga habitação supostamente não excedia os 40 metros quadrados.
Ora a legislação aplicável ao parque natural em causa determina que só é permitido reconstruir antigas edificações já existentes, ou seja, está vedada a construção de qualquer imóvel com área superior ao anteriormente presente no terreno.
Apesar de Luís Nobre Guedes ter facultado à comunicação social a documentação que autoriza a obra, a suspeita de ilegalidade subsiste, uma vez que nenhum dos papéis fornecidos pelo ministro corresponde a um levantamento desenhado e fotográfico da propriedade indicando ruínas com 168 metros quadrados.
O caso não parece ser o único a levantar dúvidas, uma vez que existem outras moradias no parque Natural da Arrábida cuja demolição se encontra pendente ou cujas licenças de construção estão a ser investigadas.


Músicos sem contrato

A pedido dos músicos da Orquestra Filarmónica das Beiras, reuniu ontem, em Coimbra, em sessão extraordinária, a Assembleia-Geral da Associação Musical daquela região.
Em causa esteve a análise do regulamento interno da associação e a exigência dos profissionais no estabelecimento de vínculos contratuais permanentes.
Desde final de 1997 que os músicos lutam pelo fim do regime de pagamento através de recibos verdes na Orquestra, facto que a direcção recusa e contesta pela alegada ausência de condições financeiras e de um estatuto que enquadre os artistas.
Os músicos acusam ainda a direcção da instituição de privilegiar os salários dos dirigentes e administrativos em detrimento do auferido pelos quase trinta elementos da orquestra, acusando mesmo o director executivo de ter aumentado a sua remuneração em cerca de 160 por cento nos últimos sete anos.


Sempre Ary

No âmbito da comemoração do 25.º aniversário da edição do álbum «Homem na Cidade», de Carlos do Carmo, foi lançado na passada segunda-feira um novo disco intitulado «Novo Homem na Cidade».
O trabalho apresenta-se como uma homenagem ao poeta Ary dos Santos, cujas letras eternizaram os fados do primeiro disco e que agora surgem com renovadas composições melódicas. A interpretação fica a cargo de reconhecidos artistas provenientes da lusofonia.
Do leque de artistas que participam fazem parte Mariza, que interpreta «O amarelo da Carris»; Ivan Lins e o trio jazz de Bernardo Sassetti, com«Um homem na cidade»; Camané, «Fado do Campo Grande»; Pedro Moutinho, «Rosa da Noite»; Paulo Flores, «Namorados da cidade»; Katia Guerreiro, «Balada para uma velhinha» e Gil do Carmo, «O cacilheiro».
Na terça-feira, no âmbito das comemorações do 5 de Outubro, o Presidente da República, Jorge Sampaio, condecorou, a título póstumo, Ary dos Santos com o título de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.


Chissano não quer armas

O presidente da República de Moçambique, Joaquim Chissano, apelou ao principal partido da oposição, a RENAMO, e ao seu líder, Afonso Dhlakama, para desmobilizar o contingente armado que este mantém no centro do país.
Chissano afirmou que a persistência de um grupo de cerca de duas centenas de ex-combatentes, alegadamente fazendo parte do corpo de guarda pessoal de Dhlakama, não faz sentido no actual quadro institucional do país e viola princípios assinados no Acordo de Roma, que pôs fim a 16 anos de conflito armado em Moçambique.
O presidente disse ainda que não faz sentido falar em guarda pessoal quando Dhlakama habita na capital daquela nação africana, Maputo, e o contingente militarizado se encontra a mais de mil quilómetros de distância, precisamente numa das antigas bases da RENAMO.


Resumo da Semana