A crise faz sentir os seus efeitos sobre a classe trabalhadora
Um milhão de trabalhadores vão encher Washington
Razões para marchar
Centenas de organizações mobilizam e preparam uma marcha histórica que, no próximo dia 17, pretende levar a Washington um milhão de trabalhadores em protesto contra o neoliberalismo e a guerra.
O apelo lançado dirige-se a todos os explorados e excluídos do país mais rico do mundo, sem distinção de raça, credo, origem ou nacionalidade.
Mais do que demonstrar apoio a uma candidatura presidencial que derrote George W. Bush, o objectivo é impor na agenda política dos EUA os problemas sentidos pelos trabalhadores e pelo povo, exigindo respostas efectivas e soluções concretas.
Necessidades que se impõem, segundo os promotores da Million Worker March, porque a crise faz sentir os seus efeitos sobre a classe trabalhadora, «em cujo nome», afirmam, «um punhado de ricas e poderosas corporações e oligarquias bancárias usurparam o governo, ocuparam lugares públicos para fazer os trabalhadores pagar as despesas da sua guerra, capturaram o Estado para servir os seus interesses».

Um ataque sem precedentes

Desde que a actual administração tomou conta do poder na Casa Branca, as medidas neoliberais – implementadas na década de oitenta por Ronald Reagen e seguidas por todos os governos seguintes - registaram um revigorado impulso, procurando dar a estocada final ao que resta de direitos e regalias sociais e laborais nos EUA e inspirar as restantes potências capitalistas a assumirem o mesmo modelo.
A Million Worker March (MWM) acusa o governo Bush de «desmembrar ou eliminar serviços e fundos essenciais para escolas, bibliotecas, saúde e habitação social», numa lógica de privatização que está a desregulamentar o mercado de trabalho, a impor condições cada vez mais severas, a destruir convenções contratuais colectivas e cujo «real propósito é quebrar as organizações sindicais e fazer recuar conquistas alcançadas com mais de um século de luta».
A par destas medidas impera a política do medo, elevada a ideologia dominante após o 11 de Setembro de 2001.
«O objectivo de legislação repressiva como o Patriot Act é aterrorizar e abafar as lutas das classes trabalhadoras pelos seus direitos, destruir o controlo democrático sobre a economia e a sociedade, lançar uma cortina de fumo que encubra a repressão e o poder autocrático», sublinham no documento da convocatória.

Protestar e exigir

A dez dias da iniciativa o mote mobilizador está lançado, tanto pela crítica e análise da actual conjuntura nos EUA como pelo conjunto de exigências colocadas pelos promotores da Marcha, as quais apontam para uma significativa inversão nas políticas reaccionárias que, interna e externamente, têm pautado a actuação dos diversos executivos.
Assim, as organizações integrantes da MWM reclamam, entre outras medidas:

- Regresso imediato das tropas norte-americanas no Iraque
- A implementação de um sistema de saúde como direito universal
- Um ordenado mínimo nacional que erradique permanentemente as bolsas de pobreza e pensões que garantam condições de vida decentes
- Protecção e Segurança Social pública
- Cancelamento de todos os projectos e acordos de «livre» comércio
- Defesa do direito de organização dos trabalhadores e revogação da legislação antilaboral
- Lançamento de um programa de escola pública com vista a eliminar o analfabetismo e a iliteracia
- Revisão do sistema fiscal em prejuízo das grandes empresas e fortunas
- Uma política que recupere o meio ambiente
- Revogação do Patriot Act e restante legislação repressiva
- Recuperação dos milhares de milhões de dólares pagos às companhias que beneficiaram com a guerra
- Abertura dos ficheiros respeitantes aos orçamentos secretos do Pentágono para financiamento da «guerra global».


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