Eleições nos EUA
Mobilização récorde
Em vésperas das presidenciais nos EUA, a inscrição de eleitores aumenta em todo o país, num sinal claro de que a luta pela Casa Branca vai ser renhida.
Com Bush e Kerry praticamente empatados nas sondagens, os partidos Republicano e Democrata desdobram-se no pouco tempo que falta até às eleições de 2 de Novembro para mobilizar apoios. O grande desafio é garantir votos, o que implica antes do mais assegurar o maior número possível de inscritos nos cadernos eleitorais, como tem vindo a advertir um número crescente de analistas políticos.
«A questão resumir-se-á, no fim, a quem mobiliza melhor os seus votantes, porque já não restam indecisos», afirmou no fim-de-semana Stephen Hess, da Brooking Institution, citado pelo El Periódico. Opinião idêntica tem Donald Green, politólogo da Universidade de Yale, confrontado com as sondagens que colocam alternadamente um ou outro candidato à frente das preferências dos eleitores, sem que nenhum pareça ser capaz de consolidar a sua posição.
Para Curtis Gans, director do Comité para o Estudo do Eleitorado norte-americano, a questão que se coloca é sobretudo a da motivação, e essa parece não faltar, com a crise económica, o medo do terrorismo e a guerra no Iraque.
«Nos últimos 20 ou 30 anos, a questão não foi a inscrição [eleitoral] mas sim a motivação dos eleitores, e agora estamos a assistir à maior motivação desde 1968, devido à gestão extremista de Bush», afirma Gans, que prevê «uma subida significativa de votantes, até 58 ou 60 por cento, ou seja 118 a 121 milhões de votantes, contra os 54 por cento registados em 2000».
Segundo o El Periódico (edição de 11 de Outubro), os dados da Associação Nacional de Secretários de Estado, responsável pelas listas de inscrição de votantes, confirmam a opinião de Gans, pois atestam números récordes em todo o país. Entre os estados que registaram mais inscrições contam-se Ohio, Pensilvânia e Florida, sendo que neste último já havia em Agosto 9,7 milhões de residentes inscritos, ou seja, mais um milhão do que em 2000. No Novo México registou-se um aumento de 10 por cento, tal como no Misuri e no Minnesota.

Plano contra a fraude

O Partido Democrata está convencido que esta mobilização do eleitorado será favorável a John Kerry, e o presidente do partido, Terry McAuliffe, não hesita mesmo em afirmar que a sua base de apoio «é maior do que nunca». Os democratas não esqueceram no entanto o sucedido nas eleições de 2000, pelo que apresentaram, no passado dia 6, um plano que visa impedir a fraude eleitoral nas eleições de Novembro.
Segundo informa a Prensa Latina (PL), responsáveis pela campanha de Kerry e do Comité Nacional Democrata explicaram em conferência de imprensa que o plano tem como objectivo impedir outro fiasco como o de 2000, quando dezenas de milhares de votos não foram contabilizados, favorecendo Bush.
A estratégia compreende a articulação de um chamado Grupo de Trabalho de Protecção Eleitoral, integrado por oito advogados e activistas negros e hispânicos, que acautelarão o direito de voto. Por outro lado, o plano prevê a deslocação de coordenadores e activistas dos direitos civis por todo o país, de forma a vigiar as assembleias de voto, para garantir que as minorias não sejam excluídas.
A iniciativa, de acordo com a PL, compreende ainda anúncios radiofónicos, que começaram a ser transmitidos esta semana em mais de 25 cidades de nove estados chave, dizendo aos votantes para não se deixarem intimidar pelos republicanos.
Recorda-se que nas eleições de 2000, só na Florida, o governador Jeb Bush, irmão de George W. Bush, manobrou de forma a que 94 000 pessoas, na sua maioria de origem negra e democratas, fossem privadas do direito de voto.

Hispânicos contra Bush

Ao contrário do que sucede com a comunidade afro-americana, tradicionalmente apoiante dos democratas, a comunidade hispânica sempre manifestou preferência pelos republicanos. Esta realidade parece no entanto estar a mudar. Na segunda-feira, o diário La Opinión dava conta de uma marcha realizada na véspera em San Bernardino, Califórnia, em protesto contra Bush.
Armando Navarro, presidente da Coligação Nacional dos Direitos Humanos, organização que convocou a marcha, afirmou à imprensa que a mensagem «foi muito clara, o presidente Bush ignorou as reivindicações da comunidade hispânica e não queremos que seja reeleito».
Denominada «Mobilização eleitoral Não a Bush», a marcha mobilizou representantes de pelo menos três dezenas de organizações, algumas com membros de outras comunidades, que afirmam ir desenvolver novas iniciativas nas próximas semanas contra a reeleição de Bush.


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