Bombeiros saem à rua

Os bombeiros de Sacavém manifestaram-se sábado contra a decisão do Governo de suspender a verba destinada à construção do seu novo quartel. Em comunicado, os bombeiros afirmam que está em causa a segurança de mais de cem mil habitantes, distribuídos por oito freguesias (Apelação, Bobadela, Portela, Prior Velho, Santa Iria da Azoia, São João da Talha e Unhos) densamente povoadas e fortemente industrializadas.
Entretanto, o actual e antigo quartel já não oferece condições de operacionalidade para os 120 bombeiros, situando-se numa zona de ruas estreitas em que os carros para sair têm que perder algum tempo em manobras e outros ficam estacionados na rua.
A Associação dos Bombeiros Voluntários de Sacavém considera ainda «inadmissível» que o Ministério da Administração Interna «em vésperas da decisão sobre a melhor proposta – já tinha sido lançado o concurso público e abertas as propostas – para a construção do novo quartel se afaste do processo e ponha em causa a sua viabilidade».


Trabalhadores prejudicados

Portugal é o segundo país da União Europeia em que os trabalhadores têm de suportar mais encargos em caso de doença, sendo apenas ultrapassado pela Eslováquia. A conclusão é de um estudo desenvolvido pela AON Consulting Eurometer sobre a taxa de substituição do salário em situação de doença.
Um trabalhador português que recorra à baixa médica apenas recebe da segurança social 63 por cento do seu ordenado, pelo que a sua comparticipação ascende a 37 por cento. Já na Eslováquia, que lidera o ranking, a trabalhador apenas recebe 51 por cento do seu vencimento.
Já na Dinamarca, Irlanda, Itália, Luxemburgo e Holanda os trabalhadores recebem o ordenado na sua totalidade sempre que têm de recorrer à baixa médica. Na Holanda é a entidade patronal quem paga tudo, mas nos restantes quatro países o valor é repartido pelas empresas e pela segurança social.
Mais uma vez Portugal, e ainda na República Checa, Estónia e Eslováquia são os únicos países em que a entidade patronal não comparticipa no pagamento deste benefício.


Elevado nível de pobreza

A Associação Promotora dos Direitos Humanos (APRODIH) recordou que um em cada cinco portugueses vive abaixo do limiar de pobreza, a propósito do Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, que se assinalou no domingo.
«Portugal é o país que possui o mais elevado nível de pobreza da União Europeia: cerca de 20 por cento da população, dois milhões de pessoas, vive abaixo do limiar da pobreza», considerou a APRODIH, citando dados do relatório «A Situação Social na União Europeia».
A associação salientou ainda que Portugal é o país que menos gasta com a protecção social por habitante - pouco mais de metade da média da União Europeia - e que é igualmente «aquele onde o fosso entre ricos e pobres mais aumentou nos últimos anos».


Recordar Maria Rosa Colaço

A presidente da Câmara Municipal de Almada recordou na passada semana a escritora Maria Rosa Colaço, que morreu vítima de doença prolongada, como a «figura humana que dedicou o que melhor tinha e sabia ensinar aos outros».
Em comunicado, Maria Emília de Sousa destaca na vida e obra da escritora, jornalista, ensaísta, cronista e dramaturga «a luta pela justiça», visando «a construção de um mundo fraterno e de paz que imaginava e sonhava ser possível».
Maria Rosa Colaço faleceu no dia 13 de Outubro, aos 69 anos, deixando uma vasta obra dedicada aos mais novos, na qual se inclui o livro «A Criança e a Vida», traduzido em vários países e com mais de 40 edições.
A autora foi professora do ensino primário em Almada, onde residia há vários anos, tendo colaborado em trabalhos com a Companhia de Teatro local. O seu nome ficou gravado numa escola primária na freguesia do Feijó desde a década de 90.


«Desafiar o Imperialismo Americano»

Aleida Guevara, filha de Che Guevara, exortou no sábado as organizações mundiais, reunidas no Fórum Social Europeu (FSE) em Londres, a «agirem» contra os «momentos difíceis que afectam a humanidade».
«Nós vivemos momentos muito difíceis para a humanidade. O que precisamos de fazer? Não bastam os discursos, é preciso agir», defendeu a filha do guerrilheiro perante algumas centenas de militantes de organizações não governamentais e movimentos internacionais presentes numa conferência inserida neste fórum subordinado ao tema «Desafiar o Imperialismo Americano».
Durante a sua intervenção, Aleida Guevara avançou mesmo com diversas propostas: «instituir uma taxa por cada transacção financeira», «abolir a dívida dos países do Sul» e «reduzir as despesas com armamento», sendo possível assim, na sua opinião, economizar cerca de oito mil milhões de dólares e dedicar esta verba «à saúde e ao desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo».
«É necessário dizer de uma vez por todas adeus às armas», defendeu a filha de Guevara.
Entretanto, nas salas de cinema portuguesas, está desde o dia 8 de Outubro o filme «Os Diários de Che Guevara», uma longa metragem do realizador brasileiro Walter Salles e protagonizado pelo mexicano Gael Garcia Bernal, sobre a juventude do guerrilheiro.


Resumo da Semana