Editorial

«Os resultados dizem respeito ao colectivo partidário que os assume de forma solidária a fraterna»

AÇORES E MADEIRA: A LUTA CONTINUA

Ao mesmo tempo que participam empenhadamente na preparação do XVII Congresso do Partido, os militantes comunistas, respondendo às múltiplas exigências decorrentes da situação que se vive no País e no mundo, desenvolvem intensa actividade em diversas frentes de luta. Ou seja, a luta de massas que, em articulação com a actividade institucional, constitui o factor determinante no combate à política de direita e por uma alternativa de esquerda, é todos os dias complementada com as muitas e diversificadas batalhas, das quais ressalta sempre, como preocupação essencial e primeira, a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País. Batalhas que se ganham, batalhas que se perdem mas que, seja qual for o resultado, contêm sempre, como ensinamento maior, o da necessidade de prosseguir a luta. Exemplo claro disso, é a importante batalha eleitoral que os militantes comunistas – juntamente com muitos outros activistas da CDU, homens, mulheres e jovens sem filiação partidária mas que reconhecem a qualidade do trabalho desenvolvido pela CDU - acabam de concretizar nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores. Tratou-se, como é sabido, de eleições com resultados diferentes para a Coligação Democrática Unitária: positivos num caso, negativos no outro – mas em ambos os casos decorrentes de uma luta empenhada, de muito trabalho, de muito esforço, de muita dedicação. Na Região Autónoma da Madeira, os resultados foram altamente positivos. A CDU, para além de manter a sua representação parlamentar - o que não é de somenos importância tendo em conta as condições desfavoráveis que, sempre, em todas as eleições, se colocam aos candidatos comunistas – obteve a sua maior votação de sempre, em número e em percentagem de votos, ficando a escassas quatro centenas de votos da eleição do terceiro deputado e passando a ser a terceira força eleitoral no Funchal.

No caso da Região Autónoma dos Açores, os resultados foram negativos para a CDU. Não só para a CDU, sublinhe-se: de facto, a não eleição dos dois deputados comunistas nas Flores e no Faial - apesar de as listas que encabeçaram terem obtido, respectivamente, 15 e 17% dos votos! - constituindo um sério revés para a CDU do qual decorrerá, inevitavelmente, um avolumar de dificuldades para as lutas futuras, constitui, igualmente – e essa é uma questão não menos relevante - um prejuízo assinalável para a Região Autónoma e para o povo açoreano. Como a realidade irá evidenciar, a ausência dos dois deputados comunistas na Assembleia Regional, no próximo mandato, traduzir-se-á no enfraquecimento da intervenção na defesa dos interesses da Região Autónoma e do seu povo.
A quebra eleitoral da CDU nos Açores está inequivocamente ligada ao clima de bipolarização fortemente alimentado e, de forma muito particular, às manipulações levadas a cabo, nos últimos dias da campanha eleitoral, especialmente a partir da RTP e da RDP, espalhando a falsa ideia de que havia um empate técnico entre o PS e a coligação PSD/CDS-PP e da hipotética necessidade de repetição das eleições. Tal manobra acabaria por levar a água ao moinho dos manobradores, desviando decisivos segmentos do eleitorado da CDU para um pretenso voto útil no PS – voto que, na realidade, mais do que inútil se revelará, a muito curto prazo, contrário aos interesses da imensa maioria dos açorianos, de todos aqueles para os quais a acção dos deputados comunistas constituía a garantia da defesa dos seus direitos, de todos aqueles para os quais a intervenção dos eleitos da CDU no parlamento açoriano era a voz dos que não têm voz.
De qualquer forma, os resultados desta batalha eleitoral dizem respeito, no caso da Madeira como no dos Açores, ao colectivo partidário nacional que, como é seu hábito, os assume de forma solidária e fraterna.

A leitura dos resultados feita pela generalidade da comunicação social, não constituiu qualquer novidade e é bem elucidativa do estado a que chegaram os média nacionais – cada vez mais exímios praticantes da arte de transformar a liberdade de informação, conquistada com a revolução de Abril, na liberdade de desinformar, filha da contra-revolução de Abril. Pegando em três daqueles jornais que, certamente por efeito de longos e vastos currículos nessa matéria, se auto-intitulam «jornais de referência», neles encontramos uma prática gémea na observação dos resultados eleitorais da CDU – prática conhecida, igualzinha à que esses «jornais de referência» utilizam quando escrevem sobre a vida, o funcionamento, a intervenção, a actividade do PCP.
Todos destacam o resultado negativo da CDU nos Açores (chegando mesmo à dramatização especulativa da questão); todos procuram ocultar o resultado positivo na Madeira (chegando a resumi-lo em escassa meia dúzia de palavras) – ou seja, todos informam, desinformando, umas vezes deixando por dizer a outra metade da verdade, outras vezes, optando pela outra metade da mentira. Na mesma linha de preocupações e seguindo os seus tradicionais caminhos, os três «jornais de referência» procuram, não apenas camuflar os maus resultados do Bloco de Esquerda, mas, cumprindo as suas tarefas propagandísticas, convencer os leitores desprevenidos de que o BE teria obtido um resultado «positivo» e «promissor» - de facto, a perda de um deputado na Madeira e uma acentuada quebra do número de votos...
É claro que tais manobras, podem influenciar – e influenciam - muitos leitores desprevenidos. Mas não conseguirão esconder eternamente a verdade dos factos. Nem em relação a resultados eleitorais, nem em relação à actividade e ao conteúdo da intervenção dos comunistas.


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