A condenação da guerra imperialista no Iraque e na Palestina dominaram o Fórum de Londres
3.º Fórum Social Europeu
A denúncia do imperialismo
A terceira edição do Fórum Social Europeu, realizada em Londres, de sexta-feira a domingo, encerrou com uma manifestação em que se destacou a condenação da guerra no Iraque e na Palestina.
O desfile até à Trafalagar Square, no centro de Londres onde teve lugar um concerto, culminou três dias de debates que envolveram cerca de 19 mil participantes, de 65 nacionalidades, número que ficou aquém da adesão registada nas edições anteriores em Paris e Florença.
Aleida Guevara, filha de Che Guevara, interveio no maior debate realizado no fórum onde, a par da firme denúncia do imperialismo, ficou evidenciado o sentimento de generosa solidariedade que unia a grande maioria dos participantes em relação ao povo cubano e à sua revolução socialista.
De resto a solidariedade com os povos em luta foi um dos traços que marcaram as iniciativas em Londres, ganhando especial relevo a justa causa do povo palestiniano e a heróica resistência dos iraquianos à ocupação estrangeira.
O PCP fez-se representar com uma delegação constituída por Pedro Guerreiro, do grupo do PCP no Parlamento Europeu, e Ângelo Alves, da Secção Internacional, ambos membros do Comité Central.
Como deputada do Parlamento Europeu, esteve também presente Ilda Figueiredo, enquanto Miguel Madeira, da Direcção da JCP, se fez representar na qualidade de presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática, organização que promoveu várias sessões sobre questões da juventude.
Pedro Guerreiro interveio num seminário de partidos comunistas e de esquerda, promovido na quinta-feira, dia 14, pelo Communist Party of Britain (Partido Comunista da Bretanha), sobre a temática da construção europeia e das orientações neoliberais que a caracterizam, designadamente no projecto de tratado «constitucional».
Por sua vez, Ângelo Alves, entre outras iniciativas, participou num seminário realizado, na sexta-feira, 15, sobre a NATO, o militarismo na Europa e a luta contra as bases militares estrangeiras, co-organizado pelo «O Militante» e várias organizações europeias anti-guerra (ver peça).

Forte presença de comunistas

Traduzindo os temas centrais que dominaram o Fórum, na tarde de domingo, cerca de 20 mil manifestantes brandiram cartazes que exigiam o fim da guerra no Iraque, condenando George Bush e pedindo a demissão Tony Blair. Outros reclamavam «liberdade para os palestinianos» e qualificavam Bush e Sharon de «assassinos».
À cabeça da manifestação a inscrição era mais abrangente: «Parem a guerra, não ao racismo e às privatizações, por uma Europa de paz e de justiça social».
No entanto, este lema não reflectiu as contradições e divergências patentes durante as discussões do fórum relativamente à essência do processo chamado de construção europeia especialmente no que toca à questão da dita Constituição Europeia.
O desfile, no qual os dois representantes do Partido se integraram ao lado de militantes da organização da emigração do PCP em Londres, era formado por uma grande diversidade de organizações, evidenciando preocupações próprias. Todavia, foi notória a forte presença de partidos comunistas de toda a Europa, dos blocos de solidariedade com Cuba e das organizações ligadas à luta pela paz, especialmente britânicas, entre várias outras com objectivos mais sectoriais.

NATO
Instrumento de dominação

No seminário sobre a NATO, Ângelo Alves chamou a atenção para o processo de transformação da Aliança Atlântica que já não é mais um mero «instrumento de coordenação liderado pelos EUA para combater um inimigo comum», mas sim «uma sofisticada estrutura político-militar supranacional», cujos membros «são responsáveis pela grande maioria dos gastos militares em todo o planeta».
Um dos aspectos que melhor caracterizam a NATO actual, sublinhou aquele dirigente comunista, é o papel que crescentemente tem vindo a assumir como «um estrutura supranacional pronta para intervir em qualquer lugar do mundo, onde os seus principais membros assim o decidam de acordo com os interesses e objectivos próprios, em detrimento da soberania dos países e do direito internacional».
Para além do petróleo e do desejo de redesenhar o mapa do médio oriente, a guerra do Iraque, teve também como principal objectivo «demonstrar mais uma vez que a capacidade de destruição do exército americano, e consequentemente da NATO, é suficiente para provocar a destruição em qualquer momento e em qualquer região do mundo; que ninguém pode ignorar o poderio militar do imperialismo e se alguns se opuserem à american pax serão de imediato transformados num alvo da máquina de guerra imperialista», afirmou Ângelo Alves.

Concertação imperialista

Analisando a política da NATO no médio oriente e em África, este dirigente observou que a Aliança Atlântica é cada vez mais «uma estrutura onde têm lugar as negociações interimperialistas e onde é possível chegar a acordos políticos com vista à concertação de posições noutras estruturas internacionais, designadamente nas Nações Unidas».
A aprovação da resolução do Conselho de Segurança que branqueia a invasão do Iraque ou a forma como as grandes potências ignoraram as declarações de Kofi Annan sobre a ilegalidade da ocupação são apenas dois exemplos referidos por Ângelo Alves que mostram como os membros da NATO agem de forma coordenada dentro das Nações Unidas apesar das contradições existentes.
Intervindo também como retaguarda do imperialismo norte-americano, nomeadamente nos Balcãs e no Afeganistão, a NATO, com a reorientação da sua estrutura e estratégia para a chamada guerra contra o terrorismo, «começou a intervir nas áreas da segurança interna e no combate ao terrorismo fora e dentro das suas fronteiras, onde se baseia na perigosa ideia de combater o inimigo interno». Alguns exemplos destas políticas foram a presença da NATO em grandes acontecimentos como o Euro 2004, em Portugal, e os Jogos Olímpicos na Grécia.
Mas se a denúncia do real papel político da NATO constitui um importante vector da luta contra imperialismo, não são menos fundamentais as acções pelo desarmamento e contra a instalação e manutenção das bases militares estrangeiras.
É o caso da Marcha da Rota, promovida anualmente por organizações portuguesas, espanholas e marroquinas: «Todos os anos dezenas de milhares de pessoas participam nesta manifestação e posso assegurar que só pararemos quando libertarmos a Península Ibérica de bases militares do imperialismo», concluiu Ângelo Alves.


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