Corrine Brown defendeu que a ONU monitorizasse as eleições
Eleições sob suspeita
Americanos começaram a votar
Os norte-americanos começaram a votar, embora a data oficial das presidenciais seja 2 de Novembro. Nos estados que optaram por «votar cedo» já houve irregularidades.
Desde há alguns anos que o sistema eleitoral norte-americano permite que os diferentes estados possam optar pelo chamado «early voting» (votar cedo). O método, que pode assumir a forma de voto directo ou por via postal, foi este ano adoptado, entre outros, pela Florida, Texas, Arkansas e Colorado, onde o escrutínio se iniciou esta semana.
O sistema de «votar cedo» - praticado em países muito grandes (como a Índia) ou com dificuldades em garantir o acesso às urnas de todos os eleitores (como em África) - destina-se a facilitar o exercício deste direito cívico e a evitar as grandes aglomerações de votantes. No caso concreto dos EUA, em particular no respeitante à Florida, houve outro motivo: prevenir irregularidades como as ocorridas em 2000, em que a decisão final do vencedor da corrida à Casa Branca acabou por ser tomada em tribunal. A recontagem de votos, exigida pelos democratas, foi interrompida e Bush declarado vencedor, numa atitude nada abonatória para o país que se reclama de ser a «maior democracia do mundo».
A percentagem de votantes por antecipação varia de estado para estado, podendo no entanto ultrapassar os 30 por cento.

Em defesa do direito voto

O sistema de voto norte-americano está longe de ser fiável. As avarias nas máquinas de leitura óptica, como aconteceu agora em Orlando, ou o envio pelo correio de boletins de voto incompletos, como denunciou há dias uma democrata em Palm Beach, estão longe de garantir a lisura do processo. A situação é tanto mais grave quanto se sabe que nos estados de maioria republicana está a ser levada a cabo uma intensa campanha de desinformação para evitar os votos de potenciais eleitores democratas, para além de terem sido eliminados dos cadernos eleitorais milhares de nomes de cidadãos sob falsos pretextos.
O principal alvo da sanha dos republicanos são os afro-norte-americanos, que segundo a CBS/NET estão este ano ainda mais mobilizados do que em 2000, e cuja participação se estima venha a ser de 83 por cento, contra 71 por cento há quatro anos. Compreende-se assim que se tenha formado uma organização de defesa do direito de voto, a Election Day Protection Coalition, que pediu 25 mil voluntários e 5 mil advogados para fiscalizarem em 2 de Novembro todos os locais de votos com população minoritária. A organização divulgou também um número de telefone SOS para os que forem impedidos de exercer o seu direito de voto poderem pedir ajuda.
Para se aferir do clima de suspeição que paira sobre as eleições norte-americanas, basta referir que, em 16 de Julho, a congressista Corrine Brown (democrata pela Florida) defendeu na Câmara de representantes que a ONU monitorizasse as eleições de 2 de Novembro. Explicando o (aparentemente) insólito pedido, a congressista afirmou que no seu distrito, nas eleições de 2000, foram deitados fora 27 mil boletins de voto dos seus eleitores, e acusou a administração Bush/Cheney de fraude eleitoral e a liderança republicana na Câmara de ser cúmplice de um criminoso golpe de Estado. As palavras de Corrine Brown foram censuradas e não ficaram na acta oficial, mas os republicanos não deixaram de aprovar uma resolução impedindo a ONU de monitorizar as eleições.

Kerry soma apoios

Oito importantes jornais da Florida manifestaram segunda-feira o seu apoio ao candidato democrata à Casa Branca, John Kerry. Entre eles está o Tampa Tribune, matutino que nos últimos 40 anos sempre apoiou os republicanos. O diário justificou a sua posição dizendo que a política de Bush em relação ao Iraque e o aumento das despesas federais não o recomendam para novo mandato.
Os restantes jornais que se pronunciaram a favor de Kerry foram o Saint Petersburg Times, Palm Beach Post, Bradenton Herald, The Miami Herald, Florida Today, The Daytona Beach News-Journal, e o Sun-Sentinel. Para a maioria, a principal crítica a Bush é a política económica, designadamente o plano de cortes nos impostos que provocou défices nunca antes alcançados no país.
A nível nacional, expressaram o seu apoio a Kerry influentes jornais como o New York Times e o Boston Globe, enquanto por Bush se pronunciaram o Indianapolis Star, The Arizona Republic e o Dallas Morning News.


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