A queda dos mercados financeiros arrastou os fundos de pensões
Pensões na Grã-Bretanha
A crise da capitalização
O sistema privado de reformas por capitalização está à beira da ruptura na Grã-Bretanha. Um em cada dez pensionistas já vive na pobreza.
Um relatório oficial divulgado no passado dia 12 confirma que o sistema de reformas está em crise e que para o salvar seria necessário aumentar as contribuições, poupar mais e prolongar a vida activa.
Tal como noutros países europeus, o envelhecimento da população e a queda da natalidade reflectem-se numa diminuição dos activos que financiam um número crescente de inactivos.
Actualmente, as contribuições de 60 por cento dos britânicos garantem as pensões dos 21 por cento de reformados. Contudo, segundo estima a comissão independente responsável pelo estudo, em 2030, o número de trabalhadores baixará para 56 por cento, enquanto os reformados representarão 27 por cento da população activa.
Os indivíduos com mais de 65 anos constituem hoje 16 por cento da população, número que passará para 25 por cento dentro de 30 anos. A esperança de vida desta camada etária, actualmente de 18 anos, elevar-se-á então para 21 anos.
Com base nestas projecções, o estudo conclui que para manter o actual nível de rendimentos aos futuros reformados seria necessário começar desde já a poupar 57 mil milhões de libras, ou seja mil libras (1450 euros) por habitante.
Todavia, há muito que o sistema público foi reduzido ao mínimo, garantindo quanto muito 20 por cento dos rendimentos que o trabalhador auferia durante a vida activa. As pensões do Estado são de cerca de 80 libras, ou seja 115 euros por semana e por pessoa e 127 libras (184 euros) por casal. No entanto, estas magras prestações representam 60 por cento dos rendimentos globais dos reformados.
Acresce que, desde 1980, o valor das reformas deixou de acompanhar a evolução dos salários e o seu peso global não ultrapassa os seis por cento do PIB, muito abaixo da média comunitária. Em resultado, um em cada dez reformados vive abaixo do limiar da pobreza.

Aposta falhada

Ao conferir ao regime de capitalização um papel preponderante, os governos liberais britânicos remeteram a responsabilidade das pensões para os trabalhadores e empregadores privados. Mais de um em cada dois assalariados subscrevem planos complementares.
Durante o período áureo da bolsa, estes fundos proporcionaram grandes lucros às empresas e boas reformas aos trabalhadores. Porém, a queda a pique das cotações em 1999 teve efeitos devastadores, levando alguns deles à falência. Os montantes das reformas deixaram de estar garantidos e as empresas foram obrigadas a gastar verbas suplementares para assegurar a sobrevivência do sistema, desviando parte dos dividendos dos accionistas para o pagamento das reformas.
Em consequência, os lucros diminuem e com eles as cotações em bolsa, o que agrava ainda mais a situação dos fundos de pensões, cuja rentabilização depende do bom desempenho dos mercados financeiros.
As conclusões da comissão independente são claras. O governo tem quatro opções possíveis: gastar mais com as reformas; prolongar a vida activa; obrigar os assalariados a aumentar as contribuições; ou então resignar-se com o empobrecimento dos reformados e pensionistas.


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