Metro do Porto sob investigação

A Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) está a investigar as contas da Metro do Porto no âmbito do processo «apito dourado». Elementos do IGAT estiveram na passada semana na sede da Metro do Porto onde analisaram vários documentos da empresa, em especial, as empreitadas subcontratadas.
A PJ do Porto também tem estado nas instalações da empresa, assim como na Câmara Municipal da Invicta, no âmbito do mesmo processo, o que denota uma forte colaboração entre a polícia e entidades como a IGAT e a Inspecção-Geral de Finanças.
A administração do Metro do Porto remeteu-se ao silêncio quando confrontada com as buscas realizadas nas suas instalações. Recorde-se que a empresa foi envolvida no caso «Apito Dourado» depois de o Ministério Público ter acusado o ex-presidente da Metro, Valentim Loureiro de favorecimento a um empresário do ramo da Construção Civil, em troca de financiamento ao Boavista Futebol Clube.
Outra empresa de capitais públicos envolvida no processo é a «Águas de Gondomar, S.A».


PIDDAC insuficiente para Setúbal

O Partido Ecologista «Os Verdes» criticou, na passada semana, a redução das verbas do Plano de Investimento e Despesas da Administração Central (PIDDAC) de 2005 para o distrito de Setúbal, face ao aumento de 11 por cento a nível nacional.
«O investimento global na região de Setúbal passa de 365 milhões de euros em 2004 para apenas 219 milhões em 2005», o que corresponde a um corte 40 por cento, disse a deputada Heloísa Apolónia, que falava em conferência de imprensa, realizada em Setúbal.
«O investimento de Estado vai ser muito menor, certamente com reflexos concretos na realidade económica, social e ambiental», acrescentou a deputada, salientando que o «distrito de Setúbal será o mais penalizado em todo o País, no que respeita a cortes de investimento».
Além da redução de verbas, comparativamente com o PIDDAC de 2004, Heloísa Apolónia lamentou que o plano de investimento para 2005 também não tivesse contemplado «projectos fundamentais para o distrito», designadamente a «construção de novos hospitais no Montijo e no Seixal».
Segundo a deputada ecologista, a área da saúde é uma das mais penalizadas na região de Setúbal, dado que regista uma redução de verbas de 75 por cento e, em termos proporcionais, tem menos unidades hospitalares do que outros distritos do País.


Agravamento das condições de segurança

O presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, alertou recentemente para o agravamento das condições de segurança no metropolitano provocado pelo aumento de utentes na sequência do encerramento do Túnel do Rossio.
Para o responsável, «o Metro já é uma situação preocupante», em termos dos próprios planos de emergência e de saber como intervir, mas haver de um momento para o outro uma afluência muito grande de público veio «agravar» o problema.
«A lotação triplicou e excedeu o volume normal de circulação» e os bombeiros estão preocupados com esta situação, disse à Lusa Fernando Curto, antes do início da reunião do Conselho Geral da ANBP para debater vários problemas que afectam a classe. «Nós profissionais não conhecemos o Metro. Conhecemo-lo apenas como utentes», frisou o presidente da ANBP, defendendo a realização de simulacros e exercícios com o público no local para o caso de emergência os bombeiros poderem prestar um «socorro efectivo, correcto e eficaz».
«tenho de saber onde são as saídas de emergência, saber como conseguir tirar as pessoas de um determinado local o mais rapidamente possível e isso só se faz com exercícios e conhecimentos do espaço, mas muitas vezes isso não acontece», concluiu.


Já morreram mais de 100 mil civis iraquianos

Cerca de 100 mil civis iraquianos, na maioria mulheres e crianças, morreram, quase sempre de morte violenta, na sequência da ocupação do país em Março de 2003 pelo exército norte-americano e aliados, sustenta um estudo publicado na passada semana. A estimativa é avançada por especialistas de saúde pública norte-americanos num artigo divulgado na Internet pela revista médica The Lancet.
Os médicos Les Roberts, do Hospital Johns Hopkins de Baltimore (Estados Unidos), e os seus colegas compararam a mortalidade durante os 14,6 meses que precederam a ocupação, em Março de 2003, e os 17,8 meses seguintes. No conjunto, segundo eles, o risco de morte foi duas vezes e meia mais elevado depois da invasão.
O inquérito incidiu num total de 988 lares iraquianos, repartidos por 33 localidades.Em cada um dos lares, as causas das mortes, a data e as circunstâncias da morte violenta foram recenseadas desde Janeiro de 2002.
Num comentário que acompanha o artigo, o chefe de redacção da revista médica, Richard Horton, defende que o «imperialismo democrático conduziu a mais mortes, não a menos». «Este fracasso político e militar continua a provocar inúmeras vítimas entre os não-combatentes. Este fracasso deverá ser objecto de investigações sérias», conclui Horton.


Arte narrativa

No dia 8 de Outubro, num dos gabinetes do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, reuniu o Júri do Grande Prémio de Literatura DST/ITF, tendo apreciado as obras regularmente a concurso.
De entre as consideradas mais salientes no decurso da avaliação, decidiu, por unanimidade, distinguir o romance «Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina», de Mário de Carvalho, cujos méritos (re)afirmam uma ficcionista em pleno esplendor da sua arte narrativa, tanto nos domínios da estrutura, efabulação e criação de personagens como em quanto releva do trabalho, amiúde raro, da língua que escreve.
O tema nuclear, dissecando as sobras do império no presente contexto português, e os mecanismos de composição convocados - com destaque para a ironia, sem perda de uma assinalável densidade etológica - conferem-lhe, ademais, um estatuto de eleição no contexto da literatura que entre nós se conhece.


Resumo da Semana