A VW impõe congelamento salarial e flexibilidade nos horários
Sector automóvel
Exploração agravada
Depois de semanas marcadas por fortes movimentações dos operários da Opel e da Volkswagen na Alemanha ocidental, os sindicatos cederam à pressão chantagista do capital, aceitando trocar salários e direitos por garantias de emprego.
À semelhança de recentes processos na DaimlerChrysler ou na Siemens, as administrações da Opel e da Volkswagen ameaçavam com despedimentos maciços e deslocalizações da produção caso os seus programas de redução de salários e direitos não fossem aceites pelos sindicatos. Nos dois fabricantes, os trabalhadores mobilizaram-se em torno das suas reivindicações quebrando a germânica paz social com poderosas acções de protesto.
Na sequência das greves na fábrica de Bochum, que afectaram a produção noutras unidades europeias, os responsáveis da Opel foram obrigados a fazer um compasso de espera até melhor oportunidade.
Quinta-feira da semana passada, sob pressão do «acordo» obtido na véspera no grupo Volkswagen, o comité de empresa da filial da norte-americana General Motors anunciava que os sindicatos estavam prontos para fazer amplas concessões contra garantias de salvaguarda dos postos de trabalho. Mais flexibilidade nos horários e congelamento por vários anos dos salários foram a oferta sindical.
Contudo, a multinacional não garantiu nada, declarando que irá colocar em competição fábricas alemãs com a congénere da Sabb, na Suécia. Quem for menos competitivo sofrerá reduções de pessoal. A General Motors pretende eliminar 12 mil postos de trabalho, dez mil dos quais na Alemanha, de um total de 62 mil no continente europeu. foram as moedas de troca.
O fim do conflito na VW, obtido na sétima ronda de negociações, foi de certo modo inesperado já que, na terça-feira, dia 2, cerca de 50 mil operários tinham paralisado a produção, manifestando-se frente à sede do grupo em Wolfsburg.
Para os representantes do IG Metall, sindicato que inicialmente exigia quatro por cento de aumentos, baixando depois a proposta para dois por cento, tratou-se de «um compromisso inteligente e leal, uma vez que há uma compensação: a segurança dos empregos» nas seis fábricas no território ocidental da Alemanha.
Com razões acrescidas de satisfação, a direcção do grupo considerou o acordo como «um passo essencial» para atingir o seu objectivo de reduzir em dois mil milhões de euros os custos do trabalho, cerca de 30 por cento, até 2011.

Regressão nos direitos

Na verdade, os termos do acordo permitem desde já à VW economizar mil milhões de euros por ano nos salários dos trabalhadores. Estes não terão qualquer actualização durante 28 meses, perda que dificilmente será compensada pelo prémio único de mil euros que será pago no próximo ano.
Porém, os maiores retrocessos verificam-se ao nível do horário de trabalho. Desde 1993, os assalariados da VW trabalhavam quatro dias por semana, ou seja, 28,8 horas em média. O plano agora adoptado prevê que a jornada semanal possa atingir as 40 horas sem remuneração adicional desde que não seja ultrapassado um máximo de 400 horas extraordinárias por ano.
Até ao momento o trabalho extraordinário tinha um tecto de 200 horas anuais, havendo lugar a pagamento logo que fossem ultrapassadas as 35 horas semanais.
Além disso, outros aspectos do acordo, que serão definidos até Março de 2005, prevêem que seja aumentada a parte do salário que depende directamente do desempenho do trabalhador. Também os novos contratados passarão a reger-se por um novo contrato colectivo que deverá equiparar-se ao convénio sectorial e não às condições mais favoráveis vigentes na empresa. Assim, os salários dos futuros trabalhadores serão revistos em baixa e parte deles obterá previamente formação profissional numa filial do grupo, a Auto Vision, com remunerações e regalias inferiores.
Num aparente «esforço colectivo», a VW anunciou que o congelamento salarial será igualmente aplicado aos cargos de direcção.

Schroeder recua
Alemães mantêm feriado

O chanceler Gerhard Schroeder retirou, na sexta-feira, 5, a proposta apresentada 24 horas antes pelo seu ministro das Finanças, Hans Eichel, de suprimir o feriado de 3 de Outubro, data que assinala a reunificação da Alemanha.
A ideia foi de imediato contestada pelos órgãos de comunicação e pelo próprio presidente da República, Hors Koehler, que dirigiu uma carta aberta ao chefe do governo. Contudo, este só recuou face à ausência de apoio parlamentar, já que os Verdes, partido da coligação governamental e os conservadores manifestaram a sua oposição à medida.
Eichel pretendia obter uma receita de 500 milhões de euros e um crescimento económico adicional de 0,1 por cento.


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