«É objectivo do nosso Partido a construção do socialismo em Portugal»
Comunistas evocam Revolução de Outubro
Uma data maior <br>da história da Humanidade
Por todo o País, os comunistas portugueses assinalam, em dezenas de iniciativas, a Revolução Soviética de 1917, destacando a actualidade dos seus ideais e conquistas. Na Amadora, Carlos Carvalhas realçou o seu contributo para a obtenção de importantes conquistas dos trabalhadores e dos povos.
A Revolução de 7 de Novembro de 1917 está a ser assinalada em diversas iniciativas promovidas pelo Partido, de Norte a Sul do País. A Revolução Soviética de Outubro (no calendário ortodoxo, utilizado na Rússia, o nosso 7 de Novembro é no mês de Outubro), os seus ideais e actualidade foram realçados pelos vários dirigentes do Partido que participaram nas iniciativas.
O secretário-geral do PCP referiu-se ao 7 de Novembro de 1917 como uma «data maior da história da Humanidade», em que o operariado russo «deu um grande impulso para a transformação social e para a obtenção de novas conquistas no plano político, económico e cultural» por parte dos trabalhadores e dos povos do mundo. Para Carlos Carvalhas, a Revolução bolchevique abriu as portas à libertação dos povos que estavam sob o jugo colonial e permitiu aos trabalhadores dos países capitalistas conquistarem importantes direitos sociais.
Carlos Carvalhas destacou que a derrota dos países socialistas e da construção do Socialismo no Leste da Europa «não significa a derrota do Socialismo». Até porque o que a «vida nos mostra é que o capitalismo, ao invés de resolver os problemas da humanidade, agrava-os: Temos a concentração da riqueza mais pornográfica e a riqueza mais descalça». O seretário-geral lembrou que esta situação é ainda mais escandalosa quando estes problemas se agravam num período de grandes avanços da ciência e da técnica, em que «se poderia, inclusivamente, encurtar os horários de trabalho». Mas o que acontece é exactamente o oposto.
Os trabalhadores enfrentam, em pleno século XXI as mesmas chagas sociais do que os seus antepassados, à entrada dos séculos XIX e XX. «Por isso dizemos que o capitalismo não é o fim da história e continuamos a colocar como grande objectivo do nosso Partido a construção em Portugal do Socialismo», reafirmou o secretário-geral comunista. Carlos Carvalhas participava numa iniciativa do PCP em defesa do aparelho produtivo nacional, realizada no próprio dia 7, na Amadora (ver texto nesta página)

Outubro vive

Na Quinta da Atalaia comemorou-se a Revolução bolchevique com um grande almoço, que reuniu cerca de 250 pessoas. Aurélio Santos, do Comité Central, fez a intervenção política, onde destacou a importância social, política, económica e cultural do processo iniciado a 7 de Novembro de 1917.
Com a queda da URSS e do bloco socialista de Leste, a correlação de forças alterou-se substancialmente a favor do capitalismo, que lança uma poderosa ofensiva não só nos países de Leste, mas em todo o mundo. Para Aurélio Santos, está-se perante uma nova fase de transição para uma nova correlação de forças e novas formas de luta. As grandes revoluções sociais têm sempre avanços e recuos, mas ficam e marcam a história dos homens.
Os próprios direitos do homem e do cidadão eram muito limitados antes da Revolução de Outubro, lembrou Aurélio Santos. Os analfabetos, por exemplo, não podiam votar e chegavam a ser 70 por cento da população. Com a Revolução de Outubro, alargou-se o conceito de «direitos humanos» para áreas como o direito ao trabalho, à educação ou à saúde.
Mas foram muitas mais as iniciativas. José Casanova, da Comissão Política, participou, no dia 5, num grande jantar em Lisboa, com mais de uma centena de militantes e simpatizantes dos sectores intelectual e dos transportes. No dia seguinte, no Porto, celebrou Outubro num magusto que contou a participação de mais de cem comunistas, no Centro de Trabalho de Barão de S. Cosme. Para a iniciativa, um grupo de camaradas procedeu a uma grande limpeza e remodelação do Centro de Trabalho, que poderá assim voltar a ser um local aprazível de trabalho e convívio.

Quando o Sonho se tornou realidade

Na sede nacional do Partido, um grande almoço reuniu, no dia 8, funcionários e colaboradores com tarefas centrais. No final, Jerónimo de Sousa, da Comissão Política, realçou o facto de ter sido a Revolução de Outubro a «primeira vez que, em milénios de história da humanidade, o homem se lançou audaciosamente na construção de uma nova sociedade, tendo como traço fundamental a liquidação da exploração do homem pelo homem e das desigualdades, injustiças e flagelos sociais». Também pela primeira vez na história, recordou, a «indignação, a revolta, o sonho e a utopia traduziram-se num projecto político, numa acção revolucionária e no alicerçar de uma sociedade nova».
Destacando a necessidade de prosseguir na análise das causas da queda do Socialismo no Leste da Europa, Jerónimo de Sousa afirmou que uma coisa é certa: «Confirmam-se e acentuam-se as trágicas consequências, desse fracasso e derrota, tanto para os povos dos ex-países socialistas como para os trabalhadores e os povos de todo o mundo. «Numa afirmação recente que vale por uma tese, o secretário-geral da ONU alertava para o facto de que nunca houve tanta fome no mundo como agora», citou o dirigente comunista, lembrando que à fome se poderia juntar o desemprego, a doença, as exclusões sociais. Apesar das derrotas, reafirmou, o Socialismo «surge como a única e verdadeira alternativa ao sistema iníquo assente na exploração do homem pelo homem». No fim, cantou-se, a plenos pulmões, A Internacional.

Na Amadora, com o espírito de Outubro
Defender a produção nacional

Foi no dia 7 de Novembro que o PCP realizou, na Amadora, uma iniciativa em defesa do aparelho produtivo nacional. A sessão, que contou com a presença de Carlos Carvalhas, foi também um momento de solidariedade com a luta dos trabalhadores pelos postos de trabalho e em defesa das suas empresas.
O secretário-geral do PCP valorizou a luta travada pelos trabalhadores ao longo dos anos, lembrando que é uma luta «patriótica», que sempre pretendeu defender os postos de trabalho mas também o aparelho produtivo nacional. E tinham razão, realçou Carvalhas. Portugal tem hoje uma economia «cada vez mais subcontratada». Destruídas as grandes empresas nacionais, «estamos dependentes dos investimentos dos outros. Fabricamos a feitio e à medida», disse o secretário-geral do PCP.
Quando o ministro de Cavaco Silva, Mira Amaral, decidiu vender a Sorefame, afirmou que o negócio ia permitir a aquisição de novos mercados, lembrou Carvalhas, recordando a luta que então o PCP e os trabalhadores travaram contra a privatização. Já na altura se denunciava o que viria a acontecer: «A multinacional serviu-se da Sorefame para obter encomendas, mas deslocalizou a actividade produtiva para o exterior».
Com esta política de destruição da produção nacional, afirmou Carvalhas, as multinacionais «olham para a Península Ibérica e instalam em Espanha o que aguenta salários mais altos e tem maior complexidade tecnológica e em Portugal o que tem salários mais baixos e menor complexidade tecnológica», acusou o dirigente comunista.

Persistir na luta

Antes de Carlos Carvalhas, falou António Tremoço, membro da Comissão Concelhia da Amadora do PCP e dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos. Saudando os trabalhadores da Sorefame, mas também da Cometna e da MB Pereira da Costa, António Tremoço lembrou que a venda da Sorefame à ABB levou à destruição do sector da energia que a empresa detinha. Na Sorefame, «construíamos barragens, do projecto à obra final. Essa parte foi destruída», denunciou o dirigente concelhio do Partido. Para António Tremoço, a responsabilidade pela situação não reside só no actual Governo, mas também nos anteriores, do PS e do PSD.
Para o membro da Comissão Concelhia da Amadora, o sector ferroviário nacional está em expansão, mas a única empresa que constrói material circulante está a ser destruída. «Fala-se muito do TGV, mas não vamos ser nós a construí-lo. Vai ser feito lá fora», denunciou António Tremoço.
Antes das intervenções, num filme intitulado Rotas do Desemprego (relativo a uma iniciativa do Partido, que o Avante! acompanhou), pôde ter-se uma imagem da dimensão da destruição da produção no distrito de Lisboa: Milhares de postos de trabalho destruídos, dezenas de empresas encerradas, milhões de euros de créditos devidos aos trabalhadores em atraso e ainda mais milhões perdidos por se ter deixado de produzir.


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