Editorial

«Um Congresso de militantes e de militância, de confiança e de convicções, de reflexão e de luta»

AFIRMAÇÃO DE CONFIANÇA!

Do XVII Congresso do PCP, emerge, impressionante e impressiva, a imagem real de um partido singular no panorama nacional: um partido vivo, militante e de militantes, adulto, maduro, responsável, garante fiel da memória do seu passado e com os pés assentes no presente e os olhos postos no futuro; um partido que conhece profundamente a realidade nacional e internacional onde vive e intervém; que tem a consciência plena do papel que desempenha na sociedade portuguesa; que conhece com rigor a natureza e a dimensão dos obstáculos que se lhe deparam; que acredita que vale a pena lutar e que luta; que sabe o que quer e o que não quer – e que é o que é, não por decreto individual ou de grupo, mas por vontade colectiva assumida por milhares de homens, mulheres e jovens que, ao longo de sucessivas gerações, persistiram, persistem e persistirão na luta pela concretização do sonho de construção de uma sociedade liberta de todas as formas de opressão e de exploração.

Culminando um amplo debate iniciado há onze meses por dezenas de milhares de militantes, os delegados ao XVII Congresso confirmaram-no como o congresso de um partido de futuro: um congresso de militantes e de militância, de fraternidade e de camaradagem, de confiança e de convicções, de reflexão e de luta. As intervenções produzidas durante os três dias – quer pelo conteúdo, quer pela forma, quer pelo modo como foram recebidas por delegados e convidados – constituíram sínteses perfeitas desse amplo debate travado no colectivo partidário. Foram, afinal, intervenções de um Congresso em que todo o espaço de intervenção, precisamente porque é espaço de intervenção militante, é espaço nobre e de horas vivas – ao contrário do que, recentemente, vimos em congressos dos outros partidos, com delegados a falar para salas vazias, a horas mortas, porque os chefes, democraticamente, tinham ocupado todo o espaço nobre de todas as horas vivas... após o que, sempre democraticamente, haviam debandado, arrastando atrás de si os respectivos séquitos.

O Congresso e todo o seu processo preparatório, confirmaram amplamente a validade e a riqueza democrática dos métodos e normas de funcionamento interno do Partido – confirmando, também, que em matéria de democracia interna é sempre possível (e necessário) ir mais longe. À nossa maneira comunista, naturalmente, e não segundo os critérios em vigor nos partidos anticomunistas. Não porque queiramos que nos tomem como modelo, mas porque rejeitamos liminarmente o conceito de democracia partidária adoptado por esses partidos e patente nas leis antidemocráticas com as quais pretendem impor-nos o seu modelo.
Tanto o processo que conduziu à aprovação da Resolução Política (que contém as orientações e linhas de trabalho para o futuro imediato em matéria de intervenção partidária e no que respeita ao Partido e ao seu fortalecimento) como o processo que conduziu à eleição da Direcção do Partido (à qual cabe a responsabilidade de assegurar a aplicação dessas orientações e linhas de trabalho), são exemplos concretos de um conceito de democracia partidária – o nosso - no qual a participação militante é factor essencial e determinante. Coisa impossível de compreender pelos partidos para os quais os seus associados não passam de objectos votantes. E que não resistiriam meia dúzia de meses à libertação da opinião e da inteligência dos seus membros.

A eleição do Comité Central – feita por voto secreto, por imposição da lei antidemocrática disparada contra o PCP pelos três partidos da política de direita – viria a traduzir-se num estrondoso fracasso dos objectivos imediatos desses partidos e na afirmação da elevada consciência política, de classe, partidária, revolucionária, dos 1300 militantes comunistas que, por voto secreto, votaram como se o tivessem feito de braço no ar (e o actual Comité Central foi eleito com menos votos contra e menos abstenções do que o anterior). Se a esses partidos restassem duas migalhas que fosse de dignidade democrática, procederiam à imediata revogação das antidemocráticas leis dos partidos. Como nada indica que lhes reste uma migalha sequer dessa dignidade, o Congresso foi claro na determinação de o Partido dar ás ditas leis o devido combate – até à sua revogação.

Sublinhe-se a ampla e profunda renovação, traduzida em dezenas de novos membros eleitos para o Comité Central, bem como o rejuvenescimento, evidenciado pelo vasto conjunto de jovens eleitos, vários deles passando a integrar, igualmente, os Organismos Executivos. Renovação e rejuvenescimento de acordo com o entendimento do colectivo partidário, obviamente – e não, obviamente, ao sabor das conveniências e interesses dos velhos e novos protagonistas da campanha anticomunista. Sublinhe-se, igualmente, o significado político e partidário desse rejuvenescimento, confirmação plena de que os jovens comunistas, mais do que o futuro do Partido, são o seu próprio presente.
Sublinhe-se, ainda, a eleição do novo Secretário Geral do Partido, camarada Jerónimo de Sousa – em substituição do camarada Carlos Carvalhas, que desempenhou o cargo durante doze anos.
E anote-se o entusiasmo com que o anúncio dessa eleição foi recebido pelos 1300 delegados e pelos muitos convidados presentes – ou seja, pelo Partido, pelo colectivo partidário.
Sublinhe-se, finalmente, a afirmação de confiança partidária que emanou deste XVII Congresso – um Congresso que, por muito que isso custe (e custa!) aos profissionais do anticomunismo, foi a demonstração inequívoca de que, no PCP, o colectivo é quem mais ordena.


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