Utentes contra aumentos

O porta-voz do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), Carlos Braga, afirmou, segunda-feira, à Agência Lusa, que os anunciados aumentos dos passes sociais no início do próximo ano constituem «mais uma medida penalizadora dos direitos dos utentes».
Instado a comentar a possibilidade de, em Janeiro e Fevereiro do próximo ano, se verificarem dois aumentos no preço dos passes sociais dos portugueses na ordem dos cinco a seis por cento, Carlos Braga disse que «as revisões que se fazem têm sempre a intenção de aumentar e nunca de reduzir os preços dos transportes».
A confirmarem-se os aumentos, o activista do MUSP considera que «quando a inflação prevista é de 2,5 por cento e quando os passes aumentam cinco a seis por cento, só demonstra que não é verdade que os trabalhadores não vão continuar a perder o poder de compra».
Carlos Braga revelou ainda que as iniciativas de protesto previstas pelo MUSP para este período foram desmarcadas na sequência da dissolução da Assembleia da República, embora se tenha mantido, para anteontem, agendada uma conferência de imprensa para dar nota das medidas governamentais lesivas dos direitos dos utentes.


PJ sopra o apito

A segunda fase da investigação a alegadas práticas de corrupção no futebol português, denominada «Apito Dourado», levou, quinta e sexta-feira da semana passada, mais seis suspeitos a comparecerem no Tribunal de Gondomar perante a juíza Ana Claudia Nogueira.
Embora tenham sido libertados com a medida de coacção mais leve, o termo de identidade e residência, todos ficaram proibidos de contactar entre si, com alguns dos indiciados no mesmo processo em Abril passado e com diversos agentes do meio desportivo.
Entre os novos arguidos estão Pinto da Costa, presidente do FC Porto, António Araújo, empresário, e os árbitros Augusto Duarte, Jacinto Paixão, José Chilrito e Manuel Quadrado.
O empresário, acusado de cinco crimes de corrupção desportiva activa, está proibido de frequentar instalações afectas ao FC Porto – clube com o qual tem diversos negócios – ou bares e casa de alterne, meio onde alegadamente corrompia os árbitros através da organização de festas com prostitutas.
Augusto Duarte foi acusado de um crime de corrupção desportiva activa na forma de cumplicidade, posse ilegal de arma e três crimes de corrupção desportiva passiva. Esta última acusação recai igualmente sobre Jacinto Paixão, Manuel Quadrado e José Chilrito, todos acusados de um crime de corrupção desportiva passiva.
Quanto a Pinto da Costa, cuja audição perante a juíza ficou agendada para anteontem, fora notificado após terem sido efectuadas pela PJ buscas na sua residência e na SAD do FC Porto.
Recorde-se que o presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e da Câmara Municipal de Gondomar, Valentim Loureiro, o presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, Pinto de Sousa, e o presidente do Gondomar Sport Clube, José Luís Oliveira, foram, à seis meses, juntamente com outras treze pessoas, igualmente indiciados no processo «Apito Dourado».


Tribunal julga Felgueiras

Teve início, sexta-feira da semana passada, no Tribunal de Felgueiras, a primeira sessão do julgamento que envolve a ex-presidente da Câmara Municipal, Fátima Felgueiras, e outros 14 arguidos.
O processo começou com a audição de testemunhas de Guilherme da Silva Almeida, empresário local, acusado de ter transferido dinheiro para o fundo de campanha eleitoral da ex-autarca do Partido Socialista, tudo a troco do licenciamento de dois pavilhões industriais que violavam o Plano Director Municipal.
No total, Fátima Felgueiras é acusada de 28 crimes, dos quais 11 de corrupção passiva, cinco de participação económica em negócio, quatro de abuso de poder, três de prevaricação e outros tantos de peculato, e dois de peculato de uso.
Sobre Felgueiras recai ainda a suspeita de ter lesado a Câmara Municipal em quase 800 mil euros, entre contractos comerciais estabelecidos com a ResinFátima Felgueiras encontra-se foragida no Brasil desde Maio de 2003 para não cumprir prisão preventiva.


«Cantos de combate»

Decorreu, no passado dia 28 de Novembro, no Porto, a sessão de lançamento do novo livro do padre Mário de Oliveira, intitulado «Canto(s) nas Margens».
A obra, editada pela Ausência, surge porque, como afirma o autor, «os cantos que eu escuto e canto são cantos de combate, não de alienação. São cantos de libertação, não de religião, são cantos de festa militante, não de simples passatempo».


Recordar Lopes Graça

No ano que assinala a passagem do 10.º aniversário da morte do maestro Fernando Lopes Graça, muitas foram as iniciativas que decorreram para evocar a vida e a obra de um dos maiores compositores da história da música portuguesa.
Entre os eventos realizados destacaram-se a reposição da obra «Requiem Pelas Vítimas do Fascismo em Portugal», que decorreu nos passados dias 27 e 28 de Novembro, em Lisboa, e a actuação do Coro Lopes Graça da Academia dos Amadores de Música, domingo, no concelho do Seixal.
O 17.º Congresso do PCP também não esqueceu um dos seus militantes e homenageou Lopes Graça com um forte e emotivo aplauso de todos os delegados e convidados presentes.


Resumo da Semana