• José Casanova

Fallujah
De 1991 até agora, as forças armadas dos EUA, assassinaram, no Iraque, centenas de milhares de inocentes. Nesse mesmo período, muitas mais centenas de milhares de inocentes – na sua maioria crianças e idosos – morreram de fome e por falta de cuidados médicos, por efeito do bloqueio imposto pelos EUA àquele país.
Trata-se de uma sucessão de crimes monstruosos, sempre apresentados como actos de combate ao terrorismo e em defesa da democracia, da liberdade, dos direitos humanos – e como tal apreciados, valorizados e incensados, à escala planetária, pela comunicação social dominante.
Nesse processo, os presidentes Bush-pai, Clinton e Bush-filho, comportaram-se como verdadeiros chefes terroristas, responsáveis por crimes em consequência dos quais, o Iraque é, hoje, um país em escombros, dilacerado, com as veias abertas por trágicas valas comuns, um país onde a destruição e o morticínio prosseguem todos os dias; onde todos os dias continuam a ser assassinadas pessoas pelo simples facto de serem iraquianas ou porque o terrorista invasor as considera terroristas – e onde, apesar disso – ou por isso mesmo - também todos os dias, o povo iraquiano prossegue a sua resistência heróica.
A selvajaria imperialista no Iraque, atingiu a sua expressão máxima em Fallujah, cuja resistência incomodava Bush e os seus aliados, tal como a resistência de Guernica, há quase sete décadas, incomodava os fascistas espanhóis e os seus aliados da Alemanha nazi - e, por isso, a cidade basca foi destruída, bombardeada ininterruptamente durante quatro horas, incendiada e a sua população massacrada numa carnificina bárbara. Como Fallujah. Apenas com as diferenças decorrentes das modernidade de cada época: Fallujah começou por ser submetida a um cerco, ao mesmo tempo que era alvo de bombardeamentos indiscriminados, na base do critério de que «todos os edifícios da cidade eram refúgios de terroristas»; seguiram-se os cortes de água, de electricidade, de assistência médica; depois, a destruição cirúrgica de hospitais e centros de saúde, de escolas, de edifícios religiosos; e o assassinato organizado de familiares, amigos, vizinhos de iraquianos que os ocupantes consideravam terroristas; e os assassinatos de crianças nas ruas; e os assassinatos em massa, o napalm, a carnificina, a barbárie, o terror, o horror.
Entretanto, por todo o país e todos os dias, a resistência continua.


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