Mário Cláudio vence Pessoa

O escritor Mário Cláudio venceu a edição 2004 do Prémio Pessoa, galardão que distingue anualmente as personalidades que mais se destacaram nas áreas da cultura e da ciência em Portugal.
Após o anúncio, que decorreu sexta-feira da semana passada, o júri justificou a decisão destacando a «mestria da língua» e a «extraordinária invenção narrativa» como qualidades centrais na obra de Mário Cláudio.
O autor já havia sido premiado, em 1984, com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, na altura pela publicação do título «Amadeo».
Natural da cidade do Porto, onde nasceu em 1941, Mário Cláudio cursou Direito em Lisboa antes de se pós-graduar em Artes pela Universidade de Londres. Posteriormente, foi professor universitário e trabalhou com Museu Nacional de Literatura.
A diversidade da sua obra encontra-se em áreas como o romance, o ensaio ou teatro, escrevendo livros como «Triunfo do Amor Português» ou «Gémeos».


Liberdade de informar ameaçada

Na sequência da condenação do jornalista português José Manso Preto, decidida pelo tribunal por este profissional se recusar a divulgar a identidade de uma fonte de informação, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) considerou, em comunicado divulgado quinta-feira da semana passada, que «o caso português vem aumentar os receios entre os jornalistas de uma crescente tendência global de ataques ao direito de protecção das fontes».
Na conferência de imprensa, o secretário-geral da FIJ, Aidan White, afirmou que é cada vez mais necessário «reforçar o direito de sigilo» e esclareceu que «se os jornalistas traírem as pessoas que falam com eles, o acesso a informação vital e credível perder-se-á».
White acrescentou que o facto de estarem envolvidas «matérias de elevado interesse público e a escolha das pessoas que estão no poder», só justifica que os jornalistas não atraiçoem «as suas responsabilidades éticas», antes, defendam e cumpram «o direito das pessoas a saber».
Recorde-se que Manso Preto foi sentenciado com 11 meses de prisão e três anos de pena suspensa por, de acordo com o Código Deontológico dos jornalistas, ter recusado a divulgação da identidade de uma das fontes citadas numa peça sobre o caso dos «irmãos Pinto», activistas do bloqueio da Ponte 25 de Abril e posteriormente acusados de tráfico de droga, facto que desde sempre negaram.


Autonomia do Saara em causa

De acordo com declarações do presidente da Frente Polisário, Mohamed Abdelaziz, a os governos de Espanha, França e Marrocos têm encetado «uma espécie de conspiração contra o povo sarauí e a legalidade internacional».
Na acusação, feita terça-feira numa entrevista ao jornal argelino Liberté, citada pela Lusa, Abdelaziz revela que os dois países europeus têm dado cobertura à pretensão marroquina de não aceitar o plano da ONU quanto à autodeterminação do Saara Ocidental.
Apesar de ter considerado positivo o último encontro com o chefe do governo espanhol, José Luís Zapatero, o dirigente do movimento independentista sarauí estranha que a chegada dos socialistas ao poder coincida com um recuo a respeito do Plano Baker para o território ocupado por Marrocos.
Recorde-se que o Saara Ocidental deixou de ser uma colónia espanhola em 1975, após o que foi ocupada por Marrocos. A Frente Polisário, que desde então reclama a independência do país, acordou recentemente participar do Plano Baker, patrocinado pela ONU, o qual prevê um período de autonomia transitória de cinco anos e a realização de um referendo popular de autodeterminação.


Venda suspeita na Rússia

Depois da detenção do presidente executivo da Yukos Oil, Mijkhail Khodorkovsky, e da alienação de uma unidade do grupo empresarial responsável pelo abastecimento de 11 por cento do consumo de petróleo da Rússia, a maior exportadora do país está agora em risco de desaparecer.
O diferendo entre a Yukos e Vladimir Putin levou o presidente russo a impor a venda compulsiva de parte do capital e estrutura da empresa. O problema é que a identidade do comprador não foi revelada pelo governo de Moscovo, facto que está a levantar dúvidas aos habituais clientes da Yukos, pouco convencidos a manter aberta uma relação comercial de milhões de dólares diários com uma entidade que não conhecem.


Autoridade investiga preços

A Autoridade da Concorrência (AC) revelou que vai investigar a subida do preço do gasóleo registada no passado mês de Novembro por suspeita de um aumento anormal da margem de lucro das petrolíferas.
No último relatório da entidade, divulgado segunda-feira, a AC entende que o facto de no passado mês o preço do barril de petróleo ter decrescido no mercado internacional justificava um alívio no preço do gasóleo, o que acabou por não acontecer contrariamente ao outro combustível de elevado consumo, a gasolina.
A Autoridade informa ainda que embora a gasolina sem chumbo seja vendida em Portugal a um preço ligeiramente inferior à média dos restantes países da União Europeia, a diferença relativamente ao valor de venda na vizinha Espanha é ainda bastante significativa.


Resumo da Semana