Lisboa
Preparar o futuro
Neste início de ano, é indispensável abordar, entre muitas, três grupos de questões de primeira importância para a cidade de Lisboa.
Primeiro grupo, o das questões verdadeiramente locais da Cidade.
Antes de mais, o realojamento de 70 famílias da Vila Ferro, Campolide, prometido pela Câmara e falhado.
Depois, a recorrente alusão à (e promessa de) instalação de um local de diversões no Jardim do Tabaco, local de diversões a que a maioria PSD-PP da Câmara de Lisboa insiste em chamar «Feira Popular», como se algo parecido coubesse ou fosse instalável naquele «cubículo», e desprezando impactes ambientais e implicações com o terminal de barcos. Mais: sem ter em conta o verdadeiro conceito de Feira Popular que não se compadece com a instalação de meia dúzia de máquinas de «flippers» ou similares, por força de expressão.
Ainda neste primeiro grupo, é de considerar também a problemática do Parque Mayer e negócios imobiliários atrelados a uma chamada solução que envolve o desbaratar de propriedades municipais em Entrecampos e no Restelo, por interposta empresa municipal EPUL.
E, finalmente, a questão da paragem da obra do túnel das Amoreiras e alegadas responsabilidades decorrentes. Estas, a terem lugar, devem ser imputadas à maioria PSD-PP que na CML insiste em prolongar uma estrutura errada e de consequências negativas para a Cidade – sendo certo que pende sobre a matéria parte do processo inicial e a proposta de um referendo local, pelo que muita água há-de correr antes de encerrado este triste caso de incompetência e teimosia.

Planeamento urbano

Um segundo grupo a analisar é o das questões de planeamento urbano. Nele se incluem, entre outras, as seguintes matérias: a revisão do Plano Director Municipal (PDM), que se encontra enigmaticamente parada algures; a anulada «golpada» das chamadas «Torres de Alcântara», sem plano nem projecto de pormenor, algo que agora se pretende transformar em «edifícios de sete, oito andares, para ser mais rápido»; e o chamado projecto «Foster» para a Boavista, igualmente sem plano; e, finalmente, a questão ainda mais ilegal do atentado urbanístico e patrimonial que se vai consumando sub-repticiamente para o Vale de Santo António.
O terceiro grupo que se propõe para reflexão neste início de ano diz respeito às questões estratégicas.
Em primeiro lugar, a estratégia de curto prazo, com a Cidade sem Orçamento para 2005 e sem Plano de Acção (PA) aprovado para o quadriénio 2005-2008, por caturrice da direita instalada nos Paços do Concelho, a qual não cedeu um milímetro nas suas concepções de PA para Lisboa, mesmo sabendo que não tem suporte maioritário na Assembleia Municipal, pelo que esses documentos acabariam por ser rejeitados por este órgão do Poder Local.
E, em segundo lugar, a promessa da CDU de Lisboa de construir uma proposta de Plano Estratégico de Cidade de Lisboa (PECL), a debater com todas as forças instituídas na cidade, a conjugar as linhas de força do PDM e a concatenar com os poderes locais dos concelhos limítrofes, dado o peso que a capital representa na região em matéria de desenvolvimento estratégico global. Também não podem ficar de fora as grandes empresas públicas a operar na Cidade e na região, designadamente, entre outras, o Metro, a Carris, a CP e todas as empresas municipais.

Retomar a direcção

É tempo de preparar as mudanças do futuro, para que a cidade retome a sua direcção de desenvolvimento interrompida por este interlúdio que já vai em três anos a desbaratar os bens públicos, o património municipal e os dinheiros da CML, sem proveito para a generalidade da população, e muito menos para os mais carenciados. Para os bairros municipais e bairros sociais, então, nem se fala. Mas com muito proveito para meia dúzia de aventureiros. Só meia dúzia. Porque nem sequer as promessas que se adivinha tenham sido feitas há três anos nos bastidores aos «apoiantes empresariais» foram cumpridas, por tão claramente ilegais, e ainda bem que foram travadas a tempo…
Por tudo isso, agora, é a hora de se começar a pensar de forma mais concreta, e mais expressamente, em delinear e programar outros caminhos para Lisboa.
Mas primeiro, as legislativas, que vão dar o mote e condicionar tudo o resto.


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