13º mês
No Canidelo, em Gaia, a empresa Carioca e Gonçalves não efectuou o pagamento do 13.º mês aos trabalhadores. Em plenário, no dia 29, os trabalhadores analisaram a possibilidade de desenvolver acções para exigir o seu pagamento, bem como os salários de Novembro de dois trabalhadores que ainda não os receberam. Após uma greve no passado dia 2 de Dezembro, os representantes dos trabalhadores efectuaram um encontro, no dia 15, no Ministério do Trabalho, onde o sócio-gerente se comprometeu a saldar as dívidas, mas o tempo passou e a promessa está por cumprir. No dia 21, a mesma administração impediu ilegalmente um plenário nas instalações da unidade, pelo que a iniciativa teve de decorrer à porta da empresa. O não pagamento do 13.º mês é uma clara violação do contrato colectivo em vigor.
Terror psicológico
Na Tyco Electronics, em Évora – antiga Siemens -, a maior unidade industrial do Alentejo, a administração instaurou processos disciplinares e suspendeu preventivamente dirigentes e delegados sindicais, como represália pelas acções de informação e esclarecimento à população sobre a repressão que se vive na empresa. Segundo uma nota da direcção da União dos Sindicatos do Porto, a suspensão surge após o despedimento de uma delegada sindical, grávida na altura. A medida foi anulada pelo Tribunal do Trabalho mas a trabalhadora não foi reintegrada. Controlados por vídeo-vigilância, os trabalhadores são proibidos de ir à casa de banho e pressionados para rescindir os contratos quando contraem doenças profissionais. A administração tem tido o desplante de exibir filmes durante o período de trabalho, onde ameaça deslocalizar a unidade, justificada com os «elevados salários» auferidos em Portugal, afirma-se na película. Foram ainda estabelecidas normas que incentivam à denúncia de colegas de trabalho. As ausências por motivos de consulta médica e por assistência inadiável aos filhos são consideradas faltas injustificadas. Ali trabalham 1700 operários, na maioria mulheres, e o administrador Piteira é apontado como o principal responsável pela onda de repressão.
Têxteis
Oito sindicatos e associações patronais do sector têxtil, do vestuário e do calçado assinaram, dia 22, uma petição, reclamando do Governo medidas face à liberalização em vigor desde dia 1, no sentido de proteger a indústria de práticas desleais de concorrência. A petição assinada, entre outras estruturas, pela Fesete/CGTP-IN, recorda que nos últimos dez anos perderam-se, em Portugal, entre 80 e 90 mil postos de trabalho no sector, apesar da capacidade e competitividade comprovadas com o aumento das exportações. Exigem a monitorização por parte de cada país e pela Comissão Europeia, em tempo real, tanto da quantidade como do valor dos produtos mercantilizados, com vista à salvaguarda da produção nacional.
Deslocalização
Na MacBraga, fábrica de confecções do Grupo Maconde, em Braga, os trabalhadores manifestaram-se, dia 10, frente às instalações da empresa, contra a intenção da administração em transferir a unidade. Em plenário, foi aprovada uma resolução que pretende alertar no sentido de evitar a deslocalização e o encerramento. Em causa estão 350 postos de trabalho. A resolução revela que, em 2004, os trabalhadores não beneficiaram de qualquer correcção salarial, embora, no mesmo ano, os resultados da empresa tenham sido de 6,7 milhões de euros. Os trabalhadores vão encetar formas de luta, em defesa dos postos de trabalho e da viabilização da unidade.
Autogestão
Em Arcos de Valdevez, na fábrica de produção de vestuário Afonso, os trabalhadores estão a gerir a unidade desde 29 de Novembro, após a administração ter tentado deslocalizar a unidade. Segundo o jornal on line, Portugal Diário, a fábrica de confecções com 91 trabalhadores, propriedade de alemães, sofreu uma tentativa de deslocalização das máquinas e dos tecidos para a República Checa, impedida prontamente pelos trabalhadores. Os funcionários têm-se revezado em vigílias nocturnas para bloquear a saída de quaisquer materiais. A unidade está a funcionar em pleno, tem assumido novas encomendas e pago os salários a tempo e horas.





