Os candidatos da CDU batem-se por valores e convicções
Candidaturas CDU
<font color=0093dd>Dar voz às aspirações populares</font>
Foram anteontem apresentadas todas as candidaturas da CDU às eleições legislativas de 20 de Fevereiro. No acto público, que decorreu em Lisboa – e que contou com as intervenções do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, de Heloísa Apolónia, do PEV, e de João Corregedor da Fonseca, da ID –, destacou-se a profunda ligação dos candidatos às aspirações e à luta dos trabalhadores e de amplos sectores da população contra a política de direita, que sofrerá uma derrota com o reforço da CDU.
Está concluído o processo de apresentação das listas de candidatos às eleições legislativas do próximo dia 20 de Fevereiro, apresentadas na passada terça-feira. Na mesa, para além dos três intervenientes, encontravam-se Deolinda Machado, da Coordenadora Nacional da CDU, e Inês Zuber, da Comissão Política da JCP.
Para Jerónimo de Sousa, que encerrou a iniciativa, a notícia pública das candidaturas da CDU e dos traços mais significativos que caracterizam a sua composição, constitui, não uma mera divulgação estatística, mas elementos que transportam «motivos de reflexão, posicionamento e conteúdos políticos». Entre outros méritos das candidaturas da CDU, afirmou, um destaca-se: o de não estarem associadas «àquele infindável número de fraternas traições, facadas nas costas ou pontapés na incubadora que por aí ouvimos relatar», nem tão pouco se verificaram as «subidas e descidas em conformidade com a decisão dos chefes».
Jerónimo de Sousa confia que os 325 candidatos que a CDU apresenta são uma garantia de que os deputados que integrarão os grupos parlamentares do PCP e do PEV «prosseguirão o reconhecido trabalho dos deputados eleitos pela CDU na Assembleia da República». Este, realçou, caracteriza-se por uma «intensa actividade e iniciativa, por uma proximidade aos problemas do país e por uma combativa intervenção na defesa dos interesses e aspirações populares».
A actividade dos dois grupos parlamentares expressa-se não só na «forte oposição» à desastrosa política do governo, mas com «importante iniciativa, quer do ponto de vista quantitativo quer qualitativo». Em menos de três anos de legislatura, destacou, foram apresentados mais de duas centenas de projectos de lei e de resolução. Para além, claro, de um conjunto de contactos, encontros, audiências e audições parlamentares, à qual se junta uma «intensa actividade nos respectivos distritos». Quer onde a CDU elege deputados quer onde não elege.

Não calar perante a injustiça

Se há certeza que Jerónimo de Sousa tem é que estes candidatos, uma vez eleitos, darão voz às principais lutas e reclamações dos trabalhadores e da população e, assegura, «proporão soluções para os problemas, que não se calarão perante as injustiças e a desigualdade». O secretário-geral do PCP assegura ainda que estes candidatos constituirão a «mais sólida e coerente presença na Assembleia», contando sempre para aprovar o que de positivo para os trabalhadores, o povo e o País seja apresentado e para dar firme combate a todas as propostas e medidas de direita».
«Os candidatos da CDU são parte da força dos que aspiram, trabalham e lutam por uma vida melhor e que não se submetem à lógica das soluções neoliberais dominantes», destacou o dirigente comunista. São também, salientou, candidatos que «não fazem parte do afinado coro, antes o denunciam, que, recorrente e insistentemente, apela a medidas de austeridade, sempre para quem trabalha».
Recordando que para uma verdadeira política de esquerda é necessário o reforço da votação na coligação entre comunistas e ecologistas, Jerónimo de Sousa considerou que, pelos seus candidatos e pela sua prática, a CDU é «depositária da vontade e da esperança de todos quantos querem dar força a uma política de esquerda».

A política que os portugueses precisam

«O que faz falta não é impor uma política de equilíbrio orçamental sistematicamente conseguido à custa da diminuição da prestação das funções sociais do Estado, da educação, da saúde, do apoio social e do investimento», afirmou o secretário-geral do PCP. Para Jerónimo de Sousa, o principal problema do País é o seu aparelho produtivo debilitado e a economia «assente nos baixos salários e de fraco valor acrescentados que é preciso com decisão alterar».
Segundo o dirigente comunista, «é tempo de se ver que a questão orçamental é, essencialmente, um problema de receitas e não de despesas». É preciso, afirmou, «pôr fim, com medidas concretas e eficazes à fraude e evasão fiscais e garantir uma mais substancial tributação da banca e dos grandes grupos económicos».
Para os comunistas, há que «pôr fim à vaga privatizadora» de serviços públicos essenciais e fazer regressar os hospitais, SA ao sector público administrativo, bem como travar a privatização de novas unidades de saúde. É ainda necessário, destacou o secretário-geral do PCP, não «continuar o desastroso caminho de destruição do ainda débil sistema de segurança social, da sua progressiva privatização».
O que é necessário fazer e a «boa notícia que os portugueses aguardam» não é o prosseguimento da ofensiva contra os seus direitos laborais e sociais, mas a sua anulação, com a «revogação imediata do retrógrado Código de Trabalho».
Jerónimo de Sousa destacou ainda a necessidade de terminar com a «desestabilização e a secundarização da escola pública», combatendo de facto o insucesso escolar e combatendo a «crescente elitização do ensino superior, abolindo as propinas».

Ligados à vida e à luta

O secretário-geral comunista destacou também a própria composição das listas apresentadas. Os 325 candidatos que as constituem são, em sua opinião, expressão do carácter unitário da coligação. Para além de candidatos das forças políticas que a compõem, cerca de dez por cento dos candidatos são independentes.
A participação feminina – cerca de 35 por cento do total, ou seja, mais de um terço do total – é também de assinalar, sobretudo, destacou Jerónimo de Sousa por se tratar de uma decisão de, por «iniciativa própria e imperativo consciente, atribuir o papel que ás mulheres cabe por direito próprio em todas as áreas da vida». Esta participação de mulheres constitui, assegura, uma garantia adicional de que a CDU «continuará a encontrar-se o espaço mais sólido e coerente em defesa dos direitos das mulheres, pela afirmação de valores de igualdade, de combate contra as discriminações».
Estas são também listas que mantêm uma «expressiva participação» de candidatos jovens. 30 por cento tem menos de 40 anos e 18,4 por cento menos de 30. Isto traduz, crê o secretário-geral, o «empenhamento da CDU no seu rejuvenescimento, a ligação aos movimentos e aspirações juvenis e a garantia firme de ser dada voz» na Assembleia aos problemas dos jovens.
A ligação aos trabalhadores, ao movimento sindical e operário, essa é óbvia: Cerca de 90 candidatos são dirigentes de organizações de trabalhadores. Este peso reflecte a «atenção e prioridade dada pela CDU aos trabalhadores e aos seus problemas, à luta pelo direito ao trabalho e a um emprego de qualidade, pela melhoria dos salários». Esta presença é como que um reencontro nas listas com o «encontro de todos os dias ao lado dos trabalhadores em defesa dos seus direitos nas empresas e locais de trabalho».
As lutas de outros sectores estão também representadas. Nas listas pontificam candidatos ligados a organizações de agricultores, ao movimento cooperativo, aos pequenos e médios empresários, aos reformados e ao movimento associativo de base local. E ainda, realçou, uma «expressiva e reforçada» presença de intelectuais e quadros técnicos, «muitos dos quais com significativa intervenção na vida cultural, cientifica e técnica». Isto revela o valor que a CDU atribui à produção e criação culturais, ao papel e lugar dos intelectuais na luta emancipadora e por uma sociedade mais justa, afirmou Jerónimo de Sousa.



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