É preciso mudar a sério, romper com a política de direita
Comício em Setúbal apresenta lista
<font color=0093dd>Um magnífico início de campanha</font>
As listas da CDU estão a ser apresentadas por todo o País. Em Setúbal, a apresentação foi efectuada num grande e intenso comício na Baixa da Banheira.
A campanha começou bem em Setúbal. A sala do ginásio da Baixa da Banheira foi muito pequena para acolher, no passado domingo, todos quantos quiseram participar no comício de apresentação da lista da CDU. Muitos não conseguiram entrar, mas ouviram do lado de fora os que lá dentro era dito.
Muitos dos presentes tinham já percorrido, com energia e vigor, as ruas da localidade operária, com os candidatos, numa animada arruada. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, juntou-se aos seus camaradas e companheiros de coligação e seguiu no desfile, tendo sido saudado por muitos habitantes da Baixa da Banheira.
Para além da apresentação da lista, passaram pela tribuna o secretário-geral comunista, o cabeça de lista pelo distrito, Francisco Lopes, a actual deputada de «Os Verdes», Heloísa Apolónia, Hélio Bexiga, da Intervenção Democrática, João Fernandes, pela Juventude CDU, e o mandatário regional da candidatura, Alfredo Monteiro, presidente da Câmara Municipal do Seixal.
A seguir a Francisco Lopes, na lista, surgem os actuais deputados Odete Santos, Heloísa Apolónia e Bruno Dias. A restante lista é composta por gente ligada ao trabalho, à juventude, a amplos sectores da população.

Crescer em votos e deputados

O primeiro candidato da coligação pelo distrito, Francisco Lopes, recebido entusiasticamente pelos presentes, começou por destacar a energia e a dedicação «neste extraordinário e participado arranque da campanha eleitoral da CDU no distrito de Setúbal».
Responsabilizando a política de direita pelos graves problemas vividos pelos trabalhadores e pela população da região, o candidato afirmou que as potencialidades de desenvolvimento existentes no distrito e o trabalho realizado pela CDU nas autarquias não foram aproveitados. As consequências, afirmou, estão à vista: a destruição do aparelho produtivo, mais de 42 mil desempregados, pensões baixas para os reformados, a falta de médicos de famílias, entre muitos outros enunciados por Francisco Lopes.
«É preciso mudar a sério, romper com a política de direita, abrir caminho a uma política ao serviço dos trabalhadores e do povo», afirmou o cabeça de lista. Mas para isso, realçou, é necessário eleger mais deputados da CDU. «Nós temos soluções.»
Para Francisco Lopes, o PSD e o PP partem derrotados para estas eleições. «A grande questão que se coloca é evitar que a sua política continue pelas mãos do Partido Socialista, que anda aí a pedir uma maioria absoluta», destacou o candidato. Esta maioria absoluta, com a orientação actual do PS, «ainda mais comprometido com os interesses de grandes grupos económicos», não constitui, para o candidato comunista, «qualquer garantia de mudança».

Passar a confiança para fora

Já antes, Heloísa Apolónia, do PEV, tinha acusado o PS de nada dizer relativamente à decisão do Governo – que lembrou ser de gestão e não ter autoridade para decidir sobre questões estruturantes – de permitir a introdução, em 2005, de organismos geneticamente modificados (OGM). Para quem faz do ambiente uma das suas bandeiras, lembrou a deputada ecologista, o silêncio sobre esta questão e a insistência na co-incineração nada auguram de positivo.
João Fernandes, da Juventude CDU, afirmou que a campanha será voltada para o contacto directo com os jovens, nos seus locais de trabalho e estudo. E já têm o plano definido, para empresas e escolas. Uma coisa é certa. Como afirmou Heloísa Apolónia, a primeira batalha está ganha: a mobilização e entusiasmo dos activistas da CDU. Agora, é passá-los para fora!

Falar com toda a gente

O primeiro candidato da lista da CDU por Setúbal, Francisco Lopes, falando no comício da Baixa da Banheira, afirmou que a campanha será dirigida a toda a gente, «independentemente das suas opções de voto», para lhes mostrar que «as coisas não têm que ser assim, que podem ser diferentes, que pode haver uma mudança a sério».
E, sublinhou, é preciso dirigir-se a toda a gente: Aos que em eleições anteriores votaram do PSD e no PP e que viram o «desastre da governação destes partidos»; aos que votaram no PS e «que estão agora confrontados com uma opção do Partido Socialista, com vínculos ainda maiores aos grandes grupos económicos e financeiros e que está a apelar a uma maioria absoluta que só teria consequências negativas para os trabalhadores e para o povo do nosso País»; aos que votaram no BE «e que vêem agora o equívoco que esta força política constitui, quando admite passar cheques em branco e viabilizar orçamentos e as políticas que estes traduzem sem conhecer sequer os seus conteúdos».
Mas, lembrou o candidato comunista, há que falar também com aqueles que se têm abstido e que «começam também a ver que o seu alheamento ou desânimo não contribuíram para melhorar a sua vida nem para resolver os problemas do distrito e do País». Tudo isto para que a CDU se reforce na Assembleia da República, para lá defender «propostas e projectos essenciais para o País e para o distrito».
Finalizando, o candidato defendeu a necessidade de obter mais votos e mais deputados para a CDU para ampliar a derrota da direita e impedir que, com maioria absoluta, o PS fique de mãos livres para prosseguir a mesma política.

Televisões ausentes

A iniciativa que «não existiu»!

Força política que dirige a maioria das autarquias da região, a CDU apresentou, no passado domingo, na Baixa da Banheira, a sua lista de candidatos às próximas eleições legislativas de 20 de Fevereiro. Estiveram presentes, no pavilhão e fora dele (porque nem todos couberam), cerca de mil e quinhentas pessoas, que quiseram conhecer os candidatos do distrito e participar no comício.
Mas, aparentemente, este comício não existiu para os grandes órgãos de informação, especialmente para as estações de televisão. Nenhuma compareceu. Na sua intervenção, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, sublinhou que a pré-campanha – que tem percorrido o País – tem sido acompanhada, «mal ou bem, pouco ou muito», pela televisão.
«Curiosamente, hoje, a televisão não está presente.» E há décadas não se via esta sala a «transbordar de tanta gente, com confiança e alegria».Para o secretário-geral do PCP, bem «podem esconder esta imagem, mas não conseguem esconder nem vencer os sentimentos que vos levam a estar aqui para o reforço da CDU».

Jerónimo de Sousa
PS e BE não são solução

Fazendo da derrota da direita o principal objectivo da CDU para as eleições de 20 de Fevereiro, o secretário-geral do PCP não deixou de alertar para os perigos de uma maioria absoluta do PS. Para Jerónimo de Sousa, o PS entende a «conquista do poder como um fim em si mesmo» e, no seu discurso pouco ou nada mais adianta do que este seu «objectivo hegemónico» de alcançar uma maioria absoluta. Para Jerónimo de Sousa, o que o PS faz é afirmar:«Dêem cá o voto que nós depois logo vemos como vamos governar e que políticas vamos realizar». Para o dirigente comunista, o PS sabe que prometer ao povo português «um pouco daquilo que fez quando esteve no governo é curto, é mau e pode ser negativo mesmo no plano eleitoral».
Sobre a inclusão dos alegados «renovadores» nas listas do BE, o dirigente comunista considerou que estes são «passageiros em trânsito com destino que o tempo há-de clarificar». E afirmou que o BE «que se afirma novo e moderno» se está a transformar num depósito de desiludidos, «recolhendo velhas insatisfações, zangados com a vida, frustrados com a evolução da situação». E concluiu o assunto, afirmando que esta notícia ajuda a clarificar muita coisa.


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