Editorial

« CDU: o único voto eficaz para derrotar a política de direita»

COM MUITA CONFIANÇA

O Encontro Nacional do PCP, realizado no passado sábado, no Centro de Congressos de Lisboa, confirmou, por um lado, as potencialidades da CDU nas próximas eleições legislativas e, por outro lado, o papel dos militantes e activistas do PCP e da CDU na batalha eleitoral como elemento decisivo para a concretização dessas potencialidades. Para além disso, o Encontro constituiu mais uma inequívoca manifestação da diferença existente entre o PCP e os restantes partidos nacionais em matéria de participação militante – facto que aqui se sublinha, quanto mais não seja para não deixar passar despercebida mais uma situação concreta evidenciadora dessa realidade: se a participação é pedra de toque da democracia partidária e condição indispensável para assegurar o funcionamento democrático de qualquer partido (coisa da qual ninguém se atreve a discordar...), então, observem-se e comparem-se as práticas dos diversos partidos, neste caso em matéria de análise político-eleitoral e de definição de linhas e estilo de campanha, veja-se a diferença entre a democracia participada do PCP e a democracia de faz de conta em vigor nesses partidos: de um lado, um partido que mobiliza e envolve na discussão colectiva, cerca de dois mil militantes, vindos de todos os distritos e das regiões autónomas; dos outros lados, o que se viu...
Das dezenas de intervenções proferidas no Encontro, emergiu, clara, a ideia, contida na Declaração final aprovada e na intervenção do Secretário Geral do Partido, de que o êxito da CDU nesta batalha eleitoral depende do grau e da intensidade de participação e do empenhamento nela dos militantes e activistas. Com a certeza de que, no nosso caso, cada voto terá que ser conquistado com trabalho, com perseverança, com inteligência e, sobretudo, com muita confiança. Aquela confiança que as provas dadas, as nossas propostas e o nosso projecto justificam; aquela confiança a que o nosso XVII Congresso deu mais força – e que esteve presente no Encontro Nacional.

Num quadro em que, como sublinhou o camarada Jerónimo de Sousa, está por de mais confirmada «a incapacidade da política de direita, seja ela conduzida pelo PSD, com ou sem CDS, ou pelo PS, para dar respostas aos grandes problemas do País e às aspirações e interesses dos trabalhadores e do povo», a questão maior que se nos coloca é a de saber se após estas eleições vamos «continuar com o essencial da política de direita ou se, finalmente, depois de anos consecutivos de arrastadas e gastas soluções políticas e governativas, vamos ter uma nova política». Ou seja: a mais do que certa derrota eleitoral do PSD e do CDS-PP e a mais do que previsível emergência do PS como partido mais votado, conduzirão a uma mudança a sério na política nacional ou à manutenção da «mesma política, retocada ou reciclada aqui ou ali, para que tudo o que é essencial fique na mesma»? As posições assumidas por José Sócrates em relação, nomeadamente, ao Código do Trabalho, à despenalização do aborto, à regionalização, à política fiscal, não deixam margem para dúvidas: o PS continua agarrado à política de direita – tudo o resto são palavras com as quais pretende fingir que vai mudar para deixar tudo na mesma, dando continuidade, no essencial á política que a imensa maioria dos portugueses rejeita e prosseguindo, em nome da esquerda, a política de direita que há mais de vinte e oito anos tem vindo a ser levada à prática e está na origem dos muitos e graves problemas existentes. É com esse objectivo, aliás, que o PS apela à maioria absoluta nestas eleições. E é por isso mesmo que o eleitorado deve recusar-lhe essa maioria.

Sendo óbvia a necessidade e a importância de, nestas eleições, o PSD e o CDS-PP serem derrotados, importa rechaçar as pressões bipolarizadoras visando assegurar a continuação do rotativismo alternante e mais uma vez estribadas na confusão entre derrotar a direita e derrotar a política de direita. Diz-nos a memória que, de todas as vezes que os partidos da direita foram derrotados eleitoralmente, a política de direita prosseguiu aplicada por governos do PS. E é necessário que, desta vez, se dê um passo em frente no sentido de, não apenas derrotar a direita, mas vibrar um forte golpe na política de direita. Para isso é indispensável uma forte votação na CDU, lembrando e demonstrando aos eleitores que o voto na CDU é, no mínimo, tão eficaz como o voto no PS para derrotar a direita – e possui o valor acrescentado de ser, entre os dois, o único eficaz para derrotar a política de direita. De facto, o voto na CDU é o único caminho para se pôr termo ao mais do mesmo que, para mal dos portugueses, há vinte e oito anos tem sido servido, rotativamente, pelo PS e pelo PSD (com o CDS-PP atrelado); o único caminho para alcançar uma mudança a sério de política, uma mudança que tenha como referência e preocupação primeiras os interesse dos trabalhadores, do povo e do País.
Demonstrar ao eleitorado a necessidade de votar na CDU constitui, assim, a preocupação maior da nossa campanha eleitoral. E não estamos a pedir um cheque em branco: a actividade dos eleitos e activistas do PCP e da CDU, em todas as áreas de intervenção, fala por si; os portugueses sabem que podem confiar na palavra e nos compromissos assumidos pela gente da CDU, sabem que, na CDU, não se vende gato por lebre, sabem, por tudo isso, que «o voto na CDU não dá só mais força a quem o recebe, mas também mais força a quem o dá».


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