«As pessoas não têm dúvidas sobre quem dá o corpo às suas reivindicações»
Encontro Nacional do PCP
sobre as eleições legislativas
<font color=0093dd>Entusiasmo e confiança</font>
Mais de dois mil militantes comunistas participaram no Encontro Nacional do PCP sobre as eleições legislativas que se realizou, no sábado, em Lisboa. Num ambiente de entusiasmo e confiança, foram apontados os principais problemas do País, avançadas propostas da CDU e debatidas as melhores formas de chegar ao eleitorado e aumentar a votação.
Os problemas dos trabalhadores, a ofensiva ao mundo do trabalho pelo PSD e pelo CDS/PP, as posições de direita do PS, o programa do PCP e as estratégias eleitorais da CDU foram das questões mais referidas pelos participantes ao longo do dia, no Centro de Congressos de Lisboa, em Alcântara, numa iniciativa que espelhou o entusiasmo e a confiança dominantes no Partido. No final, após um dia de debate, foi aprovada por unanimidade a declaração do encontro.
«Isto cheira mal, isto está podre. Eles são amigos durante as eleições, nós somos amigos no resto do tempo, quando os operários estão à porta das fábricas com salários de lágrimas, quando o povo está em filas de espera à porta dos hospitais. Nessas alturas, eles estão a vender o País a retalho ou a dar mergulhos em São Tomé. Nacionalizam os prejuízos e privatizam os lucros», afirmou César Príncipe, cabeça de lista em Viana do Castelo.
Muitos foram os participantes que se congratularam pela realizam destas eleições, fruto da contestação da população, em particular dos trabalhadores. Mas a questão que agora se coloca é lutar contra a abstenção e a desinformação, aumentar a votação na CDU e eleger mais deputados do PCP e d’«Os Verdes».
Como referiu Ilda Figueiredo, «há quem não queria ir votar, porque pensa que a política é sempre a mesma. Temos de mostrar que está nas suas mãos mudar o País e que a solução é votar na CDU.»
A primeira candidata no círculo eleitoral de Aveiro lembrou que os últimos anos foram marcados pelo agravamento de despedimentos, deslocalizações de empresas, a liberalização do comércio internacional e a aprovação da Constituição Europeia. «Que diferença há entre o PS, o PSD e o CDS, se votam na mesma matriz do liberalismo? Há que mostrar isto com alegria, porque estivemos à frente das lutas nos julgamentos por prática de aborto, nas empresas, nas lutas dos estudantes...»
Ilda Figueiredo lançou três desafios: o primeiro é mobilizar os eleitores para o voto na CDU, mostrando que os candidatos estão disponíveis para defendê-los; o segundo combater estereótipos e preconceitos da campanha anti-comunista; e o terceiro reforçar a ideia da campanha eleitoral, em torno da ideia da necessidade de mudar a sério. «Para isso, cada um tem de se assumir como a televisão que não temos. Não nos podemos limitar a dar o papel, temos de estabelecer diálogo com as pessoas», salientou.
Outras propostas foram avançadas ao longo do dia. Eugénio Rosa, economista e candidato em Setúbal, lançou um conjunto de ideias para desenvolver durante a campanha: o problema mais grave da economia portuguesa é a diminuição do crescimento económico e não o défice; a necessidade de repartir melhor a riqueza existente; e combater a fuga à evasão fiscal e a privatização das empresas públicas. «Com as privatizações, o Estado perdeu uma importante fonte de riquezas e está mais endividado do que antes», esclareceu.

Contacto directo

Se o Partido e a CDU são discriminados pela generalidade dos meios de comunicação social, os militantes têm de arranjar formas alternativas de chegar ao eleitorado. Carlos Humberto, dirigente da Organização Regional de Setúbal, recordou o recente comício na Baixa da Banheira, com cerca de 1500 participantes, que não foi referido pelas televisões ou pelos grandes jornais e rádios. «Não estiveram presentes, mas não apagaram o grande entusiasmo que lá se vivia. Limitaram a nossa campanha, mas insistiremos junto dos media e dos seus trabalhadores. Temos de trabalhar com esta comunicação social, obrigando-a a dar-nos voz.»
José Pedro Rodrigues, da Organização Regional do Porto, falou num outro caso semelhante, o da apresentação da lista da CDU do distrito, ignorada por dois jornais diários. «Cerca de 2500 militantes protestaram por telefone e exigiram equilíbrio nas notícias. Dois dias depois, os dois jornais publicaram notícias, pequenas, mas publicaram. Ao silenciamento respondemos com combate.»
Diversos participantes defenderam que o contacto directo deve ser privilegiado, inclusivamente para mostrar como os candidatos da CDU estão preparados para serem deputados por conhecerem bem as realidades dos seus distritos. Como referiu José Amante, de Portalegre, não se trata de «candidatos paraquedistas», ao contrário do que acontece com outros partidos que apresentam pessoas que não estão ligadas às regiões «e que depois de eleitos desaparecem.»
Em Santarém, por exemplo, apesar de ter apenas uma deputada eleita, o PCP é a força mais interveniente. «O seu trabalhado parlamentar é apreciado, porque os nossos deputados estão sempre disponíveis a dar voz a quem não tem voz», afirmou Valdemar Henriques, salientando que se trata de uma lista de candidatos ligada à vida e à região. Afinal, como disse Leonel Nunes, cabeça de lista na Madeira, «as pessoas não têm dúvidas sobre quem dá o corpo às suas reivindicações e quem as lidera».
A internet e os telemóveis – muito usados em Portugal – vão também servir como instrumentos de trabalho ao PCP. «Não podemos desperdiçar meios de contactar as pessoas», referiu Sofia Grilo, do Departamento de Propaganda, que lançará em breve no site da CDU um álbum com fotos da campanha, uma newsletter semanal e um forum de discussão on line sobre o programa eleitoral. Amanhã, iniciam-se as emissões de rádio no site.


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