Governo corta-fitas

Anunciada e concretizada a dissolução da Assembleia da República e a consequente realização de novas eleições, o executivo liderado por Pedro Santana Lopes dedica-se a tempo inteiro a uma autêntica maratona de inaugurações.
O facto não é novo na história recente do País, mas os números revelam que desde que Sampaio convocou os portugueses às urnas o Governo de coligação PSD/PP já procedeu a mais de seis dezenas sessões de corta-fitas, sendo possível distinguir, entre ministros e secretários de Estado, fundistas e meio-fundistas no contra-relógio eleitoral.
Fernando Negrão, ministro da Segurança Social, da Família e da Criança, lidera o pelotão com 16 inaugurações, seguido de perto pelo primeiro-ministro com menos uma.
Santana Lopes deu o exemplo e, no passado fim-de-semana, em cerca de duas horas participou em mais de uma dezena de inaugurações, facto apontado por Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP e cabeça de lista da CDU por Lisboa às eleições de 20 de Fevereiro próximo.


Apito sopra em Leiria

Depois das investigações realizadas pela Polícia Judiciária no Porto e em Gondomar no âmbito operação «Apito Dourado», as autoridades inquiriram, quarta-feira da semana passada, três árbitros da Associação de Futebol de Leiria e a presidente da Autarquia local, Isabel Damasceno.
A presidente da Câmara Municipal de Leiria e responsável distrital do PSD foi mesmo constituída arguida sob suspeita do crime de tráfico de influências, alegadamente por ter abonado as qualidades humanas e profissionais de um ex-colaborador.
Em causa está uma conversa telefónica entre Damasceno e Pinto de Sousa, presidente suspenso do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol e também ele arguido juntamente com outros membros deste órgão.
A autarca terá elogiado Carlos Amado, árbitro do distrito e seu antigo subordinado na Portugal Telecom, facto que a mesma considerou, em comunicado, pouco relevante tendo em conta um «dever ético e moral de que não abdica».
A PJ informou ainda que as investigações avançaram nas últimas semanas noutras cidades do País, como em Braga e no Porto, onde mais de três dezenas de árbitros de diversas categorias foram ouvidos pelos inspectores.


Morreu Manuel Lopes

O escritor cabo-verdiano Manuel Lopes morreu anteontem, em Lisboa, aos 97 anos.
Natural do Mindelo, na ilha de São Vicente, Manuel Lopes dedicou-se desde cedo à escrita, fundando na sua terra natal o movimento «Claridade», na década de 30, cujo objectivo era projectar a identidade cultural, social e política dos africanos.
Entre o ensaio, o romance, a poesia e o conto, destacam-se as obras «Chuva Braba» e «O Galo que Cantou na Baía (e outros contos cabo-verdianos)», ambas distinguidas no final doa anos 50 com o prémio Fernão Mendes Pinto.
«Os Flagelados do Vento Leste» foi mesmo adaptado para o cinema pela mão do realizador António Faria, surgindo no grande ecrã em 1987.
Em 2003, Manuel Lopes foi homenageado em Lisboa pelo Instituto Camões no âmbito do projecto «Pontes Lusófonas».
O corpo do escritor esteve em câmara ardente na Igreja dos Anjos donde seguirá, quinta-feira às 14h30, para o cemitério do Alto de São João.


Auschwitz nunca mais

Assinala-se hoje a passagem do sexagésimo aniversário da libertação do campo de concentração nazi de Auschwitz-Birkenau, no sul da Polónia.
A 27 de Janeiro de 1945, a campanha vitoriosa do Exército Vermelho remetia as tropas hitlerianas para o interior da Alemanha, desvendando um cenário de horror que desde 1940 forçou à escravatura e exterminou cerca de um milhão e meio de pessoas.
A «solução final» posta em prática por Hitler foi responsável, só em Auschwitz, pela morte de mais de um milhão de homens, mulheres e crianças de ascendência judaica e centenas de milhar de soviéticos, polacos, cidadãos de etnia cigana e membros da resistência à ocupação nazi.
A cerimónia oficial decorre hoje no que resta do antigo campo de concentração, estando prevista a presença de ex-prisioneiros e de mais de 40 chefes de Estado.
Na segunda-feira, a Assembleia Geral das Nações Unidas assinalou a data e evocou o Holocausto.
Kofi Annan, secretário-geral da organização fundada após a Segunda Grande Guerra Mundial, sublinhou a dívida que todos os países mantêm no esclarecimento do terror nazi e na preservação da memória histórica, muito embora, destacou, nos últimos anos não tenham sido capazes de evitar o extermínio de milhares de pessoas por razões políticas, religiosas ou étnicas em diversos conflitos regionais.


Empresas pagam menos

De acordo com dados da Direcção-Geral dos Impostos, divulgados terça-feira pelo Diário Económico, metade das sociedades registadas em Portugal não apresentaram lucros e cerca de 18 por cento não pagou IRC referente ao ano de 2003.
Os números revelam que 64 por cento das empresas não liquidou o imposto no mesmo ano, mais seis por cento que em 2002, embora tenham pago impostos por via de outros rendimentos colectáveis ou através do Pagamento Especial por Conta.
O sector financeiro foi dos que menos IRC pagou, cerca de 12 por cento, fruto das benesses fiscais que gozam na zona franca da Região Autónoma da Madeira.


Resumo da Semana