Candidatos ilegais no PS e PSD

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) deliberou, no final do passado mês de Janeiro, que todos os candidatos a deputados que exerçam, simultaneamente, a presidência de uma autarquia devem suspender as respectivas funções desempenhadas no âmbito do mandato local.
A decisão, que deverá ser hoje confirmada numa reunião da CNE, conforme foi anunciado pelo próprio organismo, afecta sobretudo muitos dos candidatos do PS e PSD.
Alguns já terão recorrido para o Tribunal Constitucional (TC), mas a justiça não lhes deu razão e decidiu em harmonia com o parecer emitido pela CNE.
A aproximação das eleições legislativas assinala, quase invariavelmente, o tiro de partida para, no PS, PSD e CDS/PP, uma acérrima disputa entre correligionários interessados em garantir a eleição para a Assembleia da República.
Luís Filipe Menezes, Armando França e José Raul dos Santos são alguns dos nomes de presidentes de câmara que se verão obrigados a suspender as suas funções pelo menos até ao apuramento dos resultados no próximo dia 20 de Fevereiro.


Apito não pára de soar

O final da semana passada voltou a trazer novos desenvolvimentos no âmbito da investigação a alegadas práticas de corrupção e tráfico de influências no fenómeno desportivo, com particular incidência nos clubes profissionais de futebol.
Na sexta-feira da semana passada, foi o ex-árbitro Azevedo Duarte a ser ouvido pela juíza Ana Cláudia Nogueira no Tribunal de Gondomar, tendo saído das instalações com a medida de coacção menos gravosa, o Termo de Identidade e Residência.
O actual vice-presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol é suspeito de te praticado seis crimes de corrupção desportiva activa e outros dois de falsificação de documentos.
No dia anterior, foram também ouvidos os árbitros Lucílio Baptista e Bruno Paixão, mas só o segundo revelou ter prestado declarações como testemunha.
Desde Abril de 2004 que a Polícia Judiciária tem vindo a inquirir e a constituir arguidos diversos agentes desportivos ligados ao futebol profissional, entre os quais figuram o presidente da Liga de Clubes e da Câmara de Gondomar, Valentim Loureiro, o presidente do FC Porto, Pinto da Costa e Isabel Damasceno, autarca de Leiria eleita pelo PSD. No total estão já arroladas mais de 20 pessoas no processo «Apito Dourado».


Último adeus a Canto e Castro

Dezenas de familiares e amigos despediram-se, quarta-feira da semana passada, de Henrique Canto e Castro, participando no cortejo fúnebre do actor até ao cemitério do Alto de São João, em Lisboa.
Conhecido do grande público pelos muitos papeis desempenhados ao longo de uma carreira longa e multifacetada, Canto e Castro foi «uma figura de cidadão e artista que para sempre recordaremos», sublinha o secretariado do Comité Central do PCP em nota de pesar enviada à família enlutada.
João Dias Coelho, do Secretariado do Comité Central, José Casanova, da Comissão Política e José Morais do Comité Central do PCP, acompanharam o corpo do militante comunista até à sua última morada.
Homem de causas e lutador com convicções, o actor «nunca separou a sua condição de artista da construção de uma sociedade mais livre e mais justa», recorda a CGTP-IN em nota de imprensa onde recorda também o papel assumido por Canto e Castro enquanto activista e membro do Corpos Gerentes do Sindicato dos Trabalhadores dos Espectáculos.


Guebuza assume presidência

Na sequência da vitória eleitoral da FRELIMO e do seu candidato à presidência nas eleições gerais moçambicanas, decorridas nos dias 1 e 2 de Dezembro de 2004, realizou-se, no passado dia 2 de Fevereiro, a cerimónia oficial de tomada de posse de Armando Guebuza como chefe de Estado da República de Moçambique.
Companheiros de muitas lutas pelo derrube da ditadura fascista e colonialista que dominou Portugal e as ex-colónias ultramarinas durante quase meio século, a FRELIMO endereçou ao PCP e ao seu secretário-geral, Jerónimo de Sousa, o convite para que participassem na sessão solene de investidura.
Impedido de marcar presença devido à preenchida agenda da campanha eleitoral em curso, Jerónimo de Sousa desejou ao presidente Guebuza os «maiores êxitos no exercício de tão elevadas responsabilidades» e expressou a vontade de, tão breve quanto possível, testemunhar «de viva voz» o empenho dos comunistas portugueses no reforço das relações de amizade entre os dois partidos e ambos os povos.


Recordar Bob Marley

Dezenas de milhares de pessoas juntaram-se, sábado, em Addis Abeba, capital da Etiópia, para assinalar a passagem do 60.º aniversário do malogrado cantor e compositor jamaicano Bob Marley.
Numa festa que entrou noite dentro, estiveram presentes diversos músicos que acompanharam o percurso de Marley desde os bairros de lata de Kingstown, passando pelo trabalho operário numa fábrica automóvel nos EUA, até aos palcos da fama, dos quais foi, em 1981, prematuramente afastado, com apenas 36 anos, vítima de cancro.
Ziggy e Rita Marley, filho e esposa, aliaram-se ao evento que celebrou igualmente a vitalidade do movimento Rastafari e das palavras de luta e esperança de Bob Marley.
Marley transformou o Reggae num estilo musical conhecido por todos os povos do mundo, os mesmos que constantemente incitava «levantarem-se para defenderem os seus direitos».


Resumo da Semana