Editorial

«No debate quem perdeu foram os trabalhadores, o povo e o País»

CONFIRMAÇÕES

À medida que avança, a campanha eleitoral tem vindo a confirmar apreciações e análises produzidas pelo PCP sobre um vasto conjunto de questões.
O fim da maioria de direita é, hoje, um dado adquirido e que, para além de não ser alvo de qualquer contestação, é assumido pelo próprio líder do PSD no ar vencido e convencido que ostenta. Da mesma forma, a evidente disponibilidade do CDS-PP para contrair novas núpcias governamentais, desta vez (outra vez...) com o PS, mais não é do que a assunção do fim da maioria PSD/CDS-PP. E são sintomáticos os sinais enviados por José Sócrates ao partido do cada vez mais salazarento Paulo Portas. Sinais que hão-de ter provocado preocupados sobressaltos ao líder do BE, que, entretanto, prossegue o seu negócio de venda de lebres autenticadas, enquanto Fernando Rosas, sub-repticiamente, vai atirando as peles dos gatos para os caixotes do lixo.
De tudo isto emerge uma outra confirmação: a de que o único caminho – sublinhe-se: o único caminho - para enfraquecer a política de direita; para fortalecer de facto a esquerda; para, numa primeira fase, minorar as consequências gravosas da política de direita e, posteriormente, criar condições favoráveis à implementação de uma política de esquerda; para, enfim, dar a volta a isto – o único caminho para se atingirem esses objectivos é o de aumentar o número de votos e de deputados da CDU.

O debate televisivo a dois – exemplo perfeito do conceito de pluralismo dominante – confirmou, também ele, o que já se sabia e aqui temos referido amiúde: nas questões essenciais, nem com forte lupa é possível detectar qualquer diferença entre o que o PSD e o PS defendem em matéria de política governamental. Foi um debate em família, foi a família da política de direita que ali esteve, sentada à mesa, a falar consigo própria, cenarizando diferenças inexistentes, e que apenas era verdadeira nas acusações mútuas de responsabilidade pelo mau estado a que o País chegou. Nesse aspecto, sim, estão ambos cheios de razão: são eles os reais responsáveis por todos os males reais existentes porque são eles que, há quase vinte e nove anos, desgovernam o País e que, ao longo de todo esse tempo, em todas as campanhas eleitorais, se vão revezando na capitalização dos descontentamentos provocados pela política que é comum aos dois quando estão no governo.
Foi, enfim, a imagem de um PS e de um PSD a confirmarem-se iguais a si próprios e iguais entre si em tudo o que é essencial, quer em termos de políticas, quer em matéria de método. Um debate em que ambos ganharam e quem perdeu foram os trabalhadores, o povo e o País.

Confirmando a vontade de nada mudar, aí está Jorge Coelho que, aproveitando a coluna para propaganda de que dispõe no Diário de Notícias, ocupava há dias a dita coluna com um pungente lamento sobre «o estado em que deixam Portugal». Como se o PS, nomeadamente os governos que ele próprio integrou, nada tivessem a ver com o lamentável e lastimável estado a que Portugal chegou. Ou seja: é o anúncio prévio do prosseguimento da lenga-lenga da atribuição das culpas sobre o mau estado do País aos antecessores, é o anúncio prévio de que a tanga do «país de tanga» vai continuar a ser pretexto para a prossecução da política de aperto do cinto para todos os que trabalham e vivem do seu trabalho, de ataques aos direitos dos trabalhadores, de favorecimento dos interesses do grande capital.
Protagonista de outras confirmações, foi, também, o previsível Manuel Alegre. Sem surpresas, ele foi ao Alentejo confirmar-se como estafeta de serviço à tarefa de, através de arrebatados discursos em louvor da esquerda, criar as melhores condições para o PS prosseguir, no governo, a política de direita, política que, ele, Alegre, sempre tem apoiado. Igualmente sem surpresas, foi a confirmação demonstrada de que, para ele, Alegre, o PCP é o inimigo principal. E tão contagiante foi a sua diatribe que um seu colega, certamente também homem de esquerda, não se coibiu de proclamar, em tom igualmente inflamado, que «o voto no PCP é um voto inútil e perigoso». Registem-se os factos concretos, quanto mais não seja em abono da verdade e da limpidez.

Posto isto, confirma-se, igualmente, que a questão essencial continua a ser a de saber se, no dia 20, serão apenas derrotados os partidos que cumpriram o último turno de execução da política de direita, ou se é a própria política de direita que sofrerá, também ela, um golpe significativo. A simples substituição, no governo, da maioria PSD/CDS-PP por uma maioria PS, não passaria do mais do mesmo, da prossecução do ciclo alternante que há quase vinte e nove anos tem dominado o País e o fez chegar ao estado a que chegou. E, insista-se, a mudança a sério só será concretizável com um PCP mais forte, com uma CDU com mais votos e mais deputados, assim dando mais força aos que, todos os dias, haja ou não eleições, estão presentes na luta pela defesa dos interesses daqueles que são os alvos principais e as vítimas prioritárias da política de direita.
A campanha da CDU, plena de participação, de entrega, de entusiasmo, de confiança, é uma clara demonstração das possibilidades de obtenção de um bom resultado no próximo dia 20. Nos dias que faltam, todavia, muito há ainda a fazer: há muitos trabalhadores, jovens, reformados, mulheres, micro, pequenos e médios empresários a conquistar para que votem nos seus interesses e direitos.


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