Editorial

«O voto a sério e para uma mudança séria, é o voto na CDU: a esquerda séria»

CONFIANÇA SERENA

A evolução da campanha tem vindo a confirmar o que, desde o início, aqui dissemos: que a maioria PSD/CDS-PP estava irremediavelmente derrotada e que o PS seria o partido mais votado – não por mérito próprio, sublinhámos, (já que, se os votos viessem na proporção directa do trabalho positivo realizado, o PS ficar-se-ia por uma muito magra votação) mas por força de um conjunto de circunstâncias nas quais residem, ao fim e ao cabo, as raízes essenciais do mau estado a que o País chegou. Sublinhámos, e é importante repeti-lo porque se trata da questão maior em causa nestas eleições, a importância de a política de direita sofrer um sério revés, e de os partidos que a têm praticado ao longo de vinte e oito anos – PS, PSD e CDS-PP – serem penalizados pelas malfeitorias de que são responsáveis. Dissemos, e a campanha confirmou-o plenamente, que o único voto que responde a esses dois objectivos – vencer a direita e a política de direita – é o voto na CDU, o qual vale tanto como o do PS para derrotar o PSD/CDS-PP e tem um valor singular para derrotar a política de direita. E que tem, ainda, uma terceira utilidade relevante: é um voto para dar força à luta que é necessário continuar no dia 21, não apenas na Assembleia da República, mas nas empresas, nos locais de trabalho, nos campos, nas escolas, nos locais de residência, em todo o lado onde as consequências da política de direita se fazem sentir.

O desnorte de Santana Lopes, cada vez mais embaraçado na rede das suas irresponsabilidades, das suas trapalhadas, das suas incompetências e das consequências delas para o povo e para o País, é um sinal da derrota que o espera. Preso na ratoeira de Paulo Portas (que chamou a si os pretensos louros de inventadas acções positivas do governo e atirou para cima de Santana as culpas todas das tropelias governamentais), o líder do PSD é um náufrago sem bóia à vista. Repelido pelo pernóstico Professor Cavaco; tolerado, para eleitorado ver, por meia dúzia (ou ainda menos) de outros fiéis professores – sobra-lhe, afundante, a bóia de ferro que é o apoio do inimitável Alberto João Jardim. Com tudo isto, resta-lhe – e assim está a fazer – seguir o caminho da auto-vitimização, matéria na qual dispõe de vastíssimo currículo, e a cuja intensificação é bem capaz de recorrer nestes últimos dias de campanha.
Por seu lado, Paulo Portas passeia a sua figura de demagogo e populista com recortes fascizantes; ridículo nas poses e vestes, mas perigoso nos actos e nos objectivos; espécie de professor saído de Santa Comba há um século e acabado de chegar a Lisboa – figura real, escondida por detrás de inflamadas profissões de fé patriótico-salazarenta. E sem culpas, antes pelo contrário, nos dramas provocados pelos dois governos que, durante três anos, integrou com altíssimas responsabilidades...
Três anos, durante os quais, na sequência dos vinte e cinco anos anteriores, SantanaLopes/DurãoBarroso/Paulo Portas, em partes iguais, agravaram ainda mais a situação de todos os que trabalham e vivem do seu trabalho, dando continuidade à política antes praticada por António Guterres, Cavaco Silva, e por aí fora até 1976.

Quando José Sócrates e os seus pares assestam baterias nos últimos três anos de governação e neles situam as causas do mau estado a que o País chegou, têm dois objectivos: sacudir a água do capote em relação às suas próprias responsabilidades nesse mau estado e procurar - capitalizando os descontentamentos gerados pela governação Santana Lopes/Paulo Portas – criar condições para prosseguir, sem entraves, a mesma política que a coligação de direita fez.
Idêntica é a postura do BE, cujas referências constantes aos «três últimos anos da política das direitas» outra coisa não são do que, por um lado, a tentativa de branquear a prática do PS enquanto executante dessa política e, por outro lado, a tentativa de se fazer passar por campeão da luta contra a política «das direitas», patranha suportada pelo facto de Francisco Louçã ter sido presença diária nas televisões, rádios, jornais e revistas – que lá sabiam o que faziam e porque o faziam. Tal como Durão Barroso sabia o que fazia quando nomeou Francisco Louçã «líder da oposição»...
Registe-se, ainda, em relação ao BE, a acentuação crescente de um anticomunismo primário, velho, boçal, repetitivo, amiúde desembocando na provocação da praxe, com o seu hierático líder,
possuído por um nervosismo incontrolável, a deixar cair a máscara e a desnudar a imensa arrogância de que é feita a sua auto-proclamada tolerância.

Os activistas da CDU têm múltiplas razões para estar satisfeitos com esta campanha – com as mobilizações expressivas, o acolhimento caloroso, a adesão popular, o entusiasmo, a confiança – na qual tiveram como preocupação primeira o respeito pela inteligência, pela sensibilidade, pelos direitos dos eleitores, um respeito traduzido no apelo à reflexão; na apresentação de propostas para a resolução dos problemas da maioria dos portugueses; no compromisso de, em qualquer situação, prosseguir a luta. Têm razão, igualmente, para estar confiantes, com aquela confiança serena que decorre de uma postura de seriedade e de verdade.
E a batalha do esclarecimento e do convencimento vai continuar (até ao dia 20 – até à contagem e registo dos votos!), demonstrando que o voto a sério e para uma mudança séria, é o voto na CDU: a esquerda séria.


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