Casas cheias no Alentejo para reforçar a confiança num bom resultado
Confiança no Alentejo
<font color=0093dd>«CDU está a crescer»</font>
Jerónimo de Sousa passou a tarde e noite de domingo no Alentejo. Dividido entre os distritos de Évora e de Beja, foi entusiasticamente recebido em todas as iniciativas.
Vindo do distrito Santarém, e do grande almoço de Almeirim, o secretário-geral do PCP chegou a Évora pouco passava das quatro da tarde. À sua espera, o teatro Garcia de Resende, completamente cheio. Terminado o comício, o dirigente do PCP rumou a Beja, para outro comício: Em ambas as iniciativas, o entusiasmo era transbordante, como transbordantes eram as enchentes verificadas.
O secretário-geral comunista, impulsionado pela receptividade à campanha – verificada de Norte a Sul do País –, afirmou perante os muitos apoiantes alentejanos que «sentimos que a CDU está a crescer», afirmando não estar a «confundir desejos com realidades». E realçou ser possível que a coligação consiga os seus objectivos de «derrotar a direita e de reforçar o número de votos e deputados nas eleições do próximo dia 20». E lembrou a campanha digna e afirmativa que a CDU está a fazer. Mas, afirmou Jerónimo de Sousa, não se pode deixar que, «em Portugal, a culpa morra solteira». A situação que o País e o Alentejo atravessam tem responsáveis, afirmou, apontando o dedo acusatório aos partidos que se revezaram no poder durante os últimos 28 anos: o PSD, o PS e o PP.
Acerca da suposta «modernidade» que o PS afirma, o secretário-geral do PCP reservou algumas palavras, lembrando o tempo em que o PS afirmava que o Alentejo estava atrasado devido à influência dos comunistas. «Mas, quando o PS conseguiu maiorias na região, e foi inclusivamente para o Governo, porque é que o Alentejo continua desertificado, continua a ter problemas sociais e estruturais?», questionou.
E, nunca abandonando a tal «modernidade», acusou o PS de – após ter criticado o Governo por ter tentado enterrar de vez a questão da Regionalização – atirar «lá para 2010» a discussão da Regionalização e, «mesmo assim, com base em consensos com o próprio PSD». O mesmo, afirmou, em relação à pobreza, em que o PS faz a vaga proposta de tirar 300 mil reformados da miséria não tendo, no seu programa «nem uma palavra sobre a necessidade do aumento dos salários, designadamente do aumento do salário mínimo nacional». E, lembrou, não haverá reformas altas com salários baixos.

Espantosas «modernidades»

Ainda sobre a «modernidade», o secretário-geral comunista afirmou que, consultando o programa do PS se descobre uma coisa espantosa: a proposta de aumento da idade das reformas tendo em conta o aumento da esperança de vida. É certo que o PS, quando foi governo, com Guterres, não revogou a norma do anterior executivo, de Cavaco Silva, de aumento da idade de reforma das mulheres dos 62 para os 65, mas daí a defender o seu aumento para ainda mais tarde… «Eu pergunto, que modernidade é esta que leva a que um partido que se diz de esquerda queira retroceder anos e anos, para que o direito a ter uma reforma no tempo certo e no tempo justo, para que as pessoas possam usufruir, no resto da sua vida, com a sua família, com os seus netos, do descanso de uma vida de trabalho?»
Em relação às «modernidades», o dirigente comunista aconselhou o PS a procurar inspiração no 25 de Abril – nas suas conquistas e seus direitos –, o acto mais moderno e avançado da história recente portuguesa.
E recordou ainda os tempos em que o PCP e a CDU andaram, no plano político, sozinhos, a defender o «cartão vermelho ao Governo», enquanto o PS e o BE preferiam que ele governasse até 2006, com a tese do «quanto pior melhor». Mas, lembrou, os comunistas tiveram ao seu lado todos quantos sofriam com a política praticada.

José Soeiro
Projectos importantes na gaveta

Em Beja, José Soeiro – cabeça de lista pelo círculo eleitoral – valorizou os compromissos da coligação para o distrito. Compromissos que, tendo a concordância das muitas associações com quem a CDU se encontrou, visam fazer de Beja um «distrito de excelência do quadro de um Alentejo regionalizado e desenvolvido», recordou o candidato. Mas a CDU foi ainda mais longe, afirmando que os seus adversários «não seriam capazes de apresentar nenhuma proposta diferente daquelas que avançámos para resolver os problemas do distrito e da região».
E que propostas são essas? Exactamente aquelas pelas quais se batem o PCP e a CDU há vários anos: Alqueva, o Aeroporto de Beja, turismo, uma agricultura diversificada… Mas, questionou José Soeiro, porque razão «não resolveram antes» estes problemas, quando estiveram no Governo? As obras de Alqueva estiveram paradas durante quinze anos, de 1978 a 1993. O aeroporto, depois de a autarquia de Beja o considerar como um dos projectos estruturantes para o concelho, só ao fim de onze anos despertou a atenção de PS e PSD.
Sobre o sector mineiro, que o próprio candidato do PS assumiu recentemente como um elemento importante para o desenvolvimento, José Soeiro questionou por que razão, depois de se ter investido milhões do erário público para modernizar as minas de Aljustrel, se decidiu pela aplicação do lay-off e o despedimento de centenas de trabalhadores? Ou por que se privatizou a Somincor à Eurozink por 120 milhões de euros, «para que esta empresa, num só ano apresente lucros de 68 milhões de euros»?
Sobre as promessas de José Sócrates, de que, com o PS, «teremos 5 mil hectares de regadio por ano» em Alqueva, José Soeiro perguntou: «Já fez contas, se já percebeu que pelas suas contas teremos ainda de esperar 22 anos para que o regadio chegasse a toda a área do perímetro de Alqueva?» Para o candidato comunista, há muito que Alqueva podia estar a regar os 110 mil hectares de campos do Alentejo.
José Soeiro critica ainda os outros partidos, mas nomeadamente o PS, por ter dificultado o projecto pioneiro de instalar, em Moura, uma central foto-voltaica – e de fábricas complementares – que poderia estar a contribuir para a criação de postos de trabalho, entre 1300 e 2400. «Não há responsáveis por isto tudo?», perguntou José Soeiro.

Abílio Fernandes
Tirar o Alentejo da cauda da Europa

Encabeçando a mais jovem das listas apresentadas pelo distrito de Évora, Abílio Fernandes lembrou que «hoje, todos se queixam que o Alentejo não se desenvolveu e que o é lamentável é que se queixem precisamente aqueles que mais têm contribuído, com o seu voto e com os seus cargos de governação, para este estado de coisas». Mas, lembrou o ex-autarca de Évora, o que «não aceitamos é que misturem a CDU nestas responsabilidade pelo atraso do Alentejo». E recordou que a CDU nunca esteve na governação do País e «é bom que vejam quanto contribuímos para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos no trabalho e na gestão das autarquias do Alentejo». Para Abílio Fernandes, basta comparar as zonas de maior influência comunista com o resto do interior do País para se perceberem as diferenças.
Lembrando o compromisso da CDU na região, o candidato afirmou que a coligação insistirá, em reivindicações como a Reforma Agrária. «Batemo-nos pela solução democrática da criação do banco de terras no Alqueva para satisfazer pequenos, médios e jovens agricultores», afirmou o cabeça de lista por Évora. Esta proposta foi já apresentada pelo PCP na Assembleia da República mas, sem o apoio do PS, foi rejeitada. Abílio Fernandes lembrou ainda a defesa das iniciativas para a utilização dos fins múltiplos de Alqueva.
Em seguida, o candidato comunista avançou com um conjunto de propostas que defenderá, uma vez eleito, na Assembleia da República. O desenvolvimento da agro-indústria, da indústria aeronáutica e automóvel ou a produção de energia foto-voltaica e eólica são algumas das propostas avançadas.
Mas há mais. Na opinião do candidato, há que «fazer sair o Alentejo da paralização a que foi votado durante estes largos anos». A regionalização, antiga proposta comunista ainda por concretizar, parece, mais uma vez à beira da protelação, a julgar pelas afirmações de dirigentes e candidatos do PS.
Para Abílio Fernandes, é essencial que a CDU se reforce para que a regionalização possa avançar. «A CDU com mais força, mais deputados, mais contribuirá para fazer sair o distrito de Évora e o Alentejo da causa da Europa e começar um novo rumo de política de esquerda para o desenvolvimento do País», avançou Abílio Fernandes.

Apoiar os reformados

Horas antes, o secretário-geral do PCP, durante um encontro/convívio com reformados, afirmou que as políticas para os mais idosos, implementadas por Bagão Félix, Paulo Portas e Durão Barroso são «demagógicas e enganosas».
«Ao apresentar aumentos entre 2,3 e 9 por cento, o Governo, vendendo gato por lebre quis fazer passar a falsa ideia que os reformados beneficiariam de aumentos superiores à inflação, quando apenas 10 mil dos cerca de 2 milhões de reformados é que beneficiaram disso», afirmou Jerónimo de Sousa, na Casa do Alentejo, em Lisboa.
O secretário-geral do PCP criticou também a política do Governo quanto às pensões para os reformados afirmando que «não há nenhuma convergência das pensões mínimas com o salário mínimo nacional, mas sim exactamente o contrário, o que se aproximou das reformas mínimas foi o salário mínimo».
Ao terminar o seu discurso junto dos reformados e pensionistas que encheram a Casa do Alentejo, Jerónimo de Sousa lançou de novo a discussão da Lei do Arrendamento mas desta vez tendo como alvo o PS.
«O PS anuncia para os primeiros 100 dias uma nova lei sobre arrendamento urbano, um anúncio nada tranquilizador como se pode depreender quando se lê no seu programa eleitoral que é fundamental agilizar os contratos e ampliar a liberdade das partes», sublinhou. «Isto só resulta na fragilização dos inquilinos e da parte mais fraca, entre os fracos, os reformados e pensionistas», acrescentou.
Na preenchida agenda do secretário-geral do PCP houve ainda tempo, na parte da manhã, para contacto com a população e comerciantes, em Odivelas, para um almoço com intelectuais das áreas da cultura artística e, à noite, para um jantar com activistas e apoiantes da CDU na Voz do Operário, em Lisboa.




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