«Deputados da CDU honrarão os compromissos assumidos»
CDU afirma-se como a terceira força política
Mais fortes para intervir
A CDU cumpriu os objectivos inicialmente traçados de derrubar o Governo da direita e aumentar o número de votos e de deputados. O PSD e o CDS/PP sofreram uma derrota histórica.
Links:
- Deputados eleitos pela CDU (nesta edição)
- Resultados nacionais (do Ministério da Justiça)
Ao final da tarde, domingo, ainda as urnas não haviam encerrado, já um batalhão de jornalistas e repórteres marcava presença na Soeiro Pereira Gomes.
Os militantes e activistas da CDU também afluíram em grande número à sede do PCP, uns provenientes das assembleias de voto onde estiveram a trabalhar, outros simplesmente para assistirem junto dos camaradas e amigos ao desenrolar de mais uma noite eleitoral, mas todos com a confiança num crescimento que a coligação não conhecia desde 1979.
As primeiras projecções fornecidas pelas estações televisivas foram recebidas com cautela, mas à medida que os dados definitivos confirmavam o aumento da influência dos comunistas e a copiosa derrota de Santana Lopes e Paulo Portas, os sorrisos rasgados encheram a sala apinhada.
Cada deputado eleito pela CDU foi efusivamente festejado, com particular destaque para os eleitos reconquistados nos distritos de Braga, Porto e Lisboa, mas mesmo onde não foi possível eleger, os resultados demonstraram que a força da razão conquistou razões para ter mais força.
No total nacional, a CDU obteve mais 53 mil votos em relação às legislativas de 2002 - subindo em todos os distritos e nas duas Regiões Autónomas - e elevou o número de parlamentares de 12 para 14.

Nova política precisa-se

Apurada a esmagadora maioria dos votos, Jerónimo de Sousa, Francisco Madeira Lopes e João Corregedor da Fonseca, surgiram na conferência de imprensa satisfeitos pelos objectivos alcançados.
O secretário-geral do PCP saudou «todos os trabalhadores e trabalhadoras que com a sua luta contribuíram para combater a política desastrosa e injusta do PSD e do CDS/PP» e destacou o facto da CDU ser agora a terceira força política, resultado que «contrariando a ideia de um declínio irreversível que alguns precipitadamente pressagiaram, constitui um elemento reforçado de afirmação do seu papel e intervenção futuras», afirmou.
A necessária «viragem política» pela qual a CDU se bate não se encontra, no entanto, assegurada, visto que o PS venceu as eleições com maioria absoluta.
Também por isso, Jerónimo de Sousa reforçou que os deputados da CDU honrarão os compromissos assumidos, até porque «a corrente de apoio às nossas propostas e intervenção são um sólido elemento de confiança e de ânimo para o trabalho e para a luta pela conquista de uma nova política, pela defesa dos interesses dos trabalhadores e por um Portugal mais justo e soberano», disse.
Questionado pelos jornalistas sobre a importância do reforço da CDU e os factores decisivos para a concretização desse objectivo, Jerónimo de Sousa preferiu sublinhar o empenhamento do colectivo de militantes e activistas do PCP, do PEV, da ID e de muitos independentes em contraste com a «fulanização» que faz carreira noutros partidos, palavras de agradecimento repetidas na intervenção proferida posteriormente junto de dezenas de camaradas e amigos que se concentraram para festejar. «A luta continua», foi o compromisso assumido por todos.

Declaração de Jerónimo de Sousa
sobre os resultados eleitorais

Confiança e ânimo para a luta


«A CDU sublinha a importância e o significado da derrota dos partidos da direita nestas eleições.
Inscrito desde a primeira hora como objectivo primeiro da CDU, a sua concretização confirma a justeza da luta contra a política dos últimos governos e da exigência da convocação de eleições antecipadas como primeiro passo para pôr termo à obra de destruição dos Governos do PSD e CDS/PP.
Este facto e sobretudo a sua expressão — um dos resultados mais baixos de sempre do PSD, uma quebra de votação do CDS/PP e uma perda de cerca de 12 pontos percentuais dos dois partidos no seu conjunto — confirmam o profundo descontentamento e erosão de apoio social que a política dos governos de Durão Barroso e Santana Lopes nos últimos três anos geraram em largos sectores da população portuguesa.
Independentemente das soluções e opções políticas que a vida política nacional reserve na sequência destas eleições a CDU saúda todos os trabalhadores e trabalhadoras, todos os portugueses e portuguesas que com a sua luta contribuíram para combater a política desastrosa e injusta do PSD e do CDS e criaram as condições para o isolamento, enfraquecimento e derrota dos governos da direita.
O resultado obtido pela CDU — traduzido numa evolução positiva do número de votos e da sua expressão eleitoral — não pode deixar de ser registado como um importante elemento a valorizar. É de sublinhar o facto da CDU ter passado a ser a terceira força política e ter visto a sua representação parlamentar reforçada com mais um deputado em Lisboa, um segundo deputado pelo Porto e a eleição de um deputado por Braga.
Invertendo a tendência de quebra eleitoral registada nas últimas eleições, contrariando assim a ideia de um declínio irreversível que alguns então precipitadamente pressagiaram, o resultado da CDU, seguramente aquém daquele que asseguraria uma mais sólida contribuição para uma mudança a sério na vida política nacional, constitui por si um elemento reforçado de afirmação do seu papel e intervenção futuras.
A todos e a cada um dos portugueses e portuguesas que confiaram o seu voto à CDU queremos assegurar que agora, como no passado , saberemos honrar e respeitar os nossos compromissos e garantir uma intervenção na Assembleia da Republica e fora dela em defesa dos seus interesses, direitos e aspirações.
A mais que certa maioria absoluta obtida pelo PS, resultante sobretudo da capitalização do vasto descontentamento com os governos do PSD e beneficiando da dinâmica induzida pela falsa ideia dos candidatos a primeiro-ministro, constitui um elemento menos positivo e menos tranquilizador quanto à concretização da necessária mudança que a situação do país exigia.
Sendo certo que muitos milhares de eleitores optaram por dar o seu voto ao PS não tanto com a convicção de que isso corresponderia à decisão mais segura para uma mudança a sério, mas sim pela vontade de afastar o PSD e o CDS/PP do governo, o resultado final obtido, como insistentemente a CDU sublinhou, está longe de garantir a viragem política a que muitos aspiravam.
Sendo necessário esperar pelo programa do governo e pelas soluções de governo que o PS venha a apresentar, o facto de se encontrar de mãos livres e sem necessidade da procura de convergências e acordos à sua esquerda é em si um sinal inquietante quanto às opções e orientações essenciais que possa vir a adoptar.
A CDU saúda os milhares de activistas e militantes do PCP do PEV da ID e independentes que com a sua generosa dedicação, com a sua intervenção insubstituível contribuíram para levar a todo o país uma palavra de confiança na possibilidade de um novo rumo para a vida política nacional.
A campanha de esclarecimento e de mobilização de vontades que semana após semana a CDU desenvolveu constitui já, para além dos resultados obtidos, um inestimável ganho para a afirmação de uma força identificada com os interesses dos trabalhadores e da população, sentindo e vivendo as suas preocupações, partilhando os seus sonhos a uma vida melhor e digna.
Na vida que continua para além deste 20 de Fevereiro os resultados obtidos pela CDU, e sobretudo a corrente de apoio ás nossas propostas e intervenção, são um sólido elemento de confiança e de ânimo para o trabalho e para a luta pela conquista de uma nova política, pela defesa dos interesses dos trabalhadores e por um Portugal mais justo e soberano.»


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