Os trabalhadores exigem cláusulas que salvaguardem os têxteis
Concentração em Guimarães
Garantir o futuro do têxtil
Os trabalhadores dos sectores têxtil, de vestuário e calçado concentraram-se, terça-feira, no Largo do Toural, em Guimarães, no âmbito de uma jornada de luta sectorial.
A iniciativa, que serviu para exigir a adopção de clausulas de salvaguarda para o sector, foi promovida pela Fesete/CGTP-IN e contou com a presença do secretário-geral da central, Manuel Carvalho da Silva. Antes, este dirigente tinha-se deslocado à Flor do Campo, em Vilarinho, Santo Tirso, e à Sampaio Ferreira, em Riba D’Ave, onde manifestou solidariedade com os trabalhadores em greve.
A concentração em Guimarães contou com a presença de sindicalistas de todo o País e trabalhadores da Bacia do Ave. Foram denunciados os bloqueios à contratação colectiva nos sectores têxtil e de cordoaria. Os trabalhadores pretendem aumentos salariais de 25 euros em 2005, a alteração do Código do Trabalho (nomeadamente, para evitar a caducidade da contratação) e regras no comércio internacional, além da criação de emprego estável no sector, entre outras reivindicações.
Segundo a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal, desde Janeiro de 2004, realizaram-se quinze reuniões, com as associações patronais a aproveitarem o Código do Trabalho para atacarem direitos conquistados e diminuírem a remuneração dos trabalhadores.
A federação chama a atenção para o comportamento destes dirigentes empresariais que criticam a entrada dos produtos asiáticos, «mas quando são chamados a negociar, tendem a seguir o modelo que criticam e denunciam», considera a Fesete/CGTP-IN, em comunicado.

Propostas inaceitáveis

A título de exemplo, a federação divulgou 14 das propostas patronais que comprometem direitos conquistados. Entre elas está a redução do horário nocturno, que passaria a contar apenas a partir das 23 horas, em vez das actuais 20 horas, no sector têxtil. A remuneração do trabalho nocturno seria reduzida de 40 para 25 por cento, todas as faltas passariam a contar para descontar no 13.º mês, e o subsídio para amas e infantários seria suprimido.
Os patrões pretendem ainda que o trabalho ao sábado seja pago como dia útil, além de pretenderem reduzir as faltas pagas por motivo de doença ou marcação de consultas médicas. Exigem ainda a retirada da pausa de 10 minutos e que os horários possam ir até às 50 horas semanais. Recusam ainda o acréscimo de três dias de férias anuais, bem como a actualização do subsídio de alimentação.


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