Casa da Música abre portas

Seis anos depois do início da construção e quatro após a cidade do Porto ter sido anfitriã da iniciativa Capital Europeia da Cultura, projecto para o qual foi lançado o empreendimento da Casa da Música, a nova sala de espectáculos abriu as portas.
A abertura ao público aconteceu na passada quinta-feira com dois concertos. Primeiro actuaram os Clã, uma banda da «casa», depois foi a vez do já lendário Lou Reed.
O brilho da inauguração e a boa impressão causada aos primeiros visitantes pela arquitectura arrojada do novo edifício da Rotunda da Boavista não fazem, no entanto, esquecer o autêntico calvário em que se tornou a sua construção.
Inicialmente, a Casa da Música deveria ocupar uma área de cerca de nove mil metros quadrados, mas o projecto do holandês Rem Koolhaas acabou por se estender pouco mais de 21 mil metros quadrados.
No que toca ao financiamento da obra, contando com as duas sociedades gestoras constituídas para levarem a bom porto a Casa, a Porto 2001 e a Casa da Música S.A., os números indicam que foram gastos cerca de 20 milhões de contos, falando em moeda antiga, valor demasiado distante dos quase 7 milhões previstos no primeiro orçamento.
Por esclarecer encontra-se ainda a construção de um outro edifício junto à Casa da Música. Caso a nova obra avance, um dos atractivos da Casa, a vista sobre o mar proporcionada aos espectadores no Grande Auditório, poderá deixar de ser realidade para passar de facto para o campo das boas intenções.


Apelo pela despenalização

Um conjunto vasto de personalidades subscreveu um abaixo-assinado, dirigido ao Presidente da Assembleia da República e aos deputados, no qual consideram que as eleições de 20 de Fevereiro «deram expressão a uma nítida vontade de mudança», colocando na AR «uma clara e legítima maioria de opiniões» favorável à ultrapassagem do problema da criminalização das mulheres que se vêem na necessidade de recorrer ao aborto clandestino.
Sublinhada com particular realce no abaixo-assinado é a ideia de que «esta maioria pode, e em nossa opinião deve, no imediato, resolver um problema que afecta profundamente as mulheres e a sociedade portuguesa».
Entre os subscritores do texto, cuja entrega estava prevista para ontem, figuram nomes como os de Armando Myre Dores (psicolólogo), Domingos Lobo (escritor), Irene Cruz (actriz), a bibliotecária Leonor Santa Rita ou o poeta Manuel Gusmão.


Einstein, 50 anos depois

Assinalou-se na passada segunda-feira, dia 18, a passagem do 50.º aniversário da morte de Albert Einstein.
O cientista alemão que revolucionou a física e a ciência modernas com trabalhos relacionados com a identificação das moléculas, a Teoria da Relatividade ou o efeito fotoeléctrico – que mereceu o galardão do Prémio Nobel, em 1921 – vai ser homenageado um pouco por todo o mundo durante o ano de 2005, com destaque para as comemorações preparadas na sua terra natal.
Para além de um brilhante cientista, Einstein marcou o século XX também pela sua condição de livre pensador.
Partidário das ideias socialistas, o cientista de ascendência judaica foi obrigado a fugir da Alemanha devido às perseguições nazis, sendo obrigado a refugiar-se nos EUA onde trabalhou como professor e investigador até ao seu desaparecimento.
Activista dos direitos do homem e convicto adepto da desmilitarização, Einstein presidiu à Liga dos Direitos do Homem anos antes de se lançar num combate pelo uso pacífico da energia nuclear, descoberta na qual teve um papel determinante.


Cuba foi a votos

Domingo passado foi dia de eleições em Cuba, um processo de democracia participativa que decorre a cada dois anos e meio com o fim de escolher os delegados para as quase 170 Assembleias Municipais do Poder Popular.
A afluência às urnas foi muito superior a 95 por cento dos inscritos e superou em quase 200 mil votos as eleições anteriores.
Entre os mais de 32 mil candidatos aos cargos locais– cujo perfil e percurso se está afixado à porta de cada assembleia de voto – encontravam-se 28,2 por cento de mulheres e 23 por cento de jovens.
Os eleitores mais novos constituíram, aliás, um dos factos de destaque nestas eleições. Quase 400 mil jovens com 16 ou mais anos de idade votaram no sufrágio, indicador que, como outros já referidos, demonstra a vitalidade do projecto socialista na ilha e do processo revolucionário iniciado em 1959.
A organização das eleições envolveu a participação directa de quase 600 mil cidadãos voluntários, cenário que se deverá repetir no próximo domingo quando se realizar a segunda volta das eleições, na qual se vai decidir os delegados dos círculos onde houve empate ou nenhum dos candidatos alcançou mais de 50 por cento do total dos boletins.


Fumo branco

Pouco mais de 24 horas depois de se terem fechado na Capela Sistina, no Vaticano, os 115 cardeais eleitores escolheram o alemão Joseph Ratzinger para presidir aos destinos da igreja católica romana.
O novo Papa, dito Bento XVI, foi anunciado na tarde de anteontem depois de por duas vezes o fumo negro ter assinalado iguais votações falhadas.
Ratzinger, de 78 anos, é Decano do Conselho cardinalício e durante a regência de Karol Woitila, do qual era muito próximo, foi sempre apontado como um dos principais responsáveis pela manutenção do dogma católico contra as ideias mais progressistas e reformadoras no interior da igreja.
Até terça-feira, Ratzinger presidia à Congregação para a Doutrina da Fé, órgão da igreja católica que surgiu após a Inquisição.


Resumo da Semana