Lygia Fagundes Telles recebe Prémio Camões

A escritora brasileira Lygia Fagundes Telles foi distinguida com a edição deste ano do Prémio Camões, sucedendo à portuguesa Agustina Bessa-Luís, vencedora do galardão em 2004.
O júri constituído por Agustina Bessa-Luís, Vasco Graça Moura, António Carlos Sussekind, Ivan Junqueira, Germano de Almeida e José Eduardo decidiu, sexta-feira da semana passada, atribuir o mais significativo prémio da literatura de língua portuguesa, com um valor pecuniário de 100 mil euros, à autora de obras como «Histórias de Mistério» (2004) ou «Horas Nuas» (1998).
Nascida em 1923 no Estado de São Paulo, Lygia Fagundes Telles publicou o seu primeiro livro de contos em 1938, com apenas 15 anos. Desde então não mais parou de escrever, publicando mais de duas dezenas de livros entre contos, romances, antologias da sua própria obra ou participações em colectâneas.


Maus-tratos atingem crianças

A responsável pela Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens (CNPCJ) defendeu, quinta-feira da semana passada, que a protecção dos direitos dos menores exige do governo «maior investimento».
Em declarações proferidas durante um seminário no Porto, Dulce Rocha comentou os dados relativos aos maus-tratos a crianças constantes no relatório de 2004 da UNICEF e considerou que se tornam cada vez mais necessárias tanto a redefinição do conceito de perigo como a de prevalência dos interesses dos progenitores em face dos direitos das crianças.
A presidente da CNPCJ esclareceu ainda que, de acordo com o documento da organização da ONU, Portugal encontra-se entre os seis países com maior índice de mortalidade infantil em resultado de maus-tratos infligidos contra menores.
A estatística recolhida e apurada pela UNICEF diz respeito a um ranking de 26 países.


Capital engorda lucros

Pouco mais de um mês depois de ter sido divulgado que, no ano de 2004, os lucros das empresas cotadas no índice bolsista PSI20 viram os seus lucros crescer mais de 47 por cento face a 2003, os resultados trimestrais do ano corrente voltam a confirmar que o discurso da crise do governo PSD/PP, que o executivo do PS se prepara para retomar, afinal não toca a todos.
A Sonae SGPS anunciou ter recolhido, nos primeiros três meses deste ano, lucros consolidados na ordem dos 134 milhões de euros, oito vezes mais que os resultados apresentados em igual período de 2004.
Apesar de mais «modestos» na subida, os lucros trimestrais do Banco Espírito Santo também deixam satisfeitos os accionistas da empresa, uma vez que duplicou o seu resultado atingindo a cifra de 80,3 milhões de euros, aos quais acrescem dividendos provenientes da participação do Grupo BES no banco brasileiro Bradesco, cujos lucros deste trimestre também duplicaram chegando aos 381 milhões de euros.
A ainda portuguesa Jerónimo Martins subiu 11,2 por cento para os 16,8 milhões de euros de lucro trimestral, resultado largamente superado pela Galp, que registou o lucro record de 160 milhões de euros.


Governo «estuda» portagens

Contrariamente ao que havia prometido durante a campanha eleitoral, o Governo do PS equaciona a introdução de portagens em algumas das vias de comunicação ainda não contempladas na filosofia utilizador-pagador.
A informação avançada na edição de anteontem do Jornal de Negócios indica que o ministro Mário Lino pode mesmo avançar com a introdução, para já, de portagens na Via do Infante e no troço entre Porto e Mira.
Questionado sobre a matéria, o responsável pelas Obras Públicas no executivo liderado por José Socrates não confirmou a medida, mas também não esclareceu se as condições que argumentou para manter a utilização gratuita das SCUT’s se alteraram desde a vitória eleitoral do PS, há cerca de três meses.


ONG’s espiam a Leste

O director do Serviço Federal de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, disse, quinta-feira da semana passada, na Duma, ter provas de que os EUA, a Inglaterra e a Arábia Saudita promovem acções de espionagem no país e em várias ex-Repúblicas da União Soviética.
O responsável pelos serviços secretos afirmou no parlamento de Moscovo que «as actividades destes países eram realizadas através de organizações não-governamentais», as quais, continuou, desenvolvem «jogos de influência para promover os interesses de países estrangeiros e a recolha de informações, a coberto de vários programas humanitários e educacionais».
O objectivo principal é acelerar mudanças políticas de acordo com os interesses anglo-norte-americanos na região, facto que Patrushev interliga com outro desígnio, o de «enfraquecer a influência da Rússia na Comunidade de Estados Independentes (CEI) e na arena internacional».
A Bielorússia é para o Ocidente o próximo alvo, considerou Patrushev, antes de acrescentar que algumas ONG’s dispõe já de quase 4 milhões de euros para aplicarem no terreno, incluindo o transporte e subsidiação de ucranianos que recentemente se manifestaram a favor da «revolução laranja».


Resumo da Semana