As políticas anunciadas pelo PS são mais do mesmo que nada resolvem
Campanha do PCP contra as políticas do Governo
Lutar e resistir contra a injustiça
Os comunistas não se conformam com as medidas propostas pelo Governo, e rejeitam que a solução passe por fazer com que voltem a ser os mesmos a pagar a dita «crise» – que cada vez mais é só para alguns. Lisboa e Porto arrancaram, no passado dia 2, com duas grandes acções de rua, com a campanha de esclarecimento e denúncia promovida pelo Partido. Acções que se multiplicaram pelo País.
«Aldrabões. Prometem umas coisas e fazem outras. E quem perde são os mais pequenos.» Esta frase, ou outras da mesma índole, foram ouvidas em praticamente todas as acções – grandes ou pequenas – promovidas pelo PCP, no âmbito da campanha nacional de esclarecimento que está a levar a cabo, contra as medidas aprovadas pelo Governo para, alegadamente, combater o défice das finanças públicas.
Ditas por quem recebia o folheto, as queixas não eram dirigidas contra os comunistas, mas contra o Governo e os partidos da política de direita. O lema da campanha, «Basta de sacrifícios para os mesmos», é sentido na pele por muitos e muitos portugueses a quem, desde há anos, são pedidos sacrifícios. E as contrapartidas? Mais sacrifícios e mais ataques aos seus direitos e aspirações.
Como se afirma no folheto de apoio à campanha, bem se pode tentar descobrir as diferenças entre as medidas levadas a cabo pelo actual Governo e pelo anterior: Se um aumentou o IVA de 17 para 19 por cento, o actual fá-lo-á, mas de 19 para 21 por cento; se o anterior congelou os salários aos trabalhadores da administração pública, este propõe o congelamento nas progressões nas carreiras e nos suplementos remuneratórios; e os exemplos poderiam ir mais longe. Ao mesmo tempo, os grandes grupos económicos e financeiros acumulam lucros.
Alguns exemplos: em 2004, as empresas cotadas na Bolsa aumentaram os seus lucros em 45,8 por cento, ou seja, lucros de 900 milhões de euros – a GALP amealhou 333 milhões e a PT 500 milhões. No primeiro trimestre de 2005, as coisas não parecem mudar muito… Os quatro maiores bancos privados aumentam os lucros em mais de 42 por cento (371 milhões de euros); o BES triplica os lucros; a GALP quintuplica-os; a Brisa acumula 40 milhões. Crise? Só se for para alguns…

Na rua, com os trabalhadores

A praça do Rossio, em Lisboa, foi o local escolhido pelos comunistas para dar arranque a esta campanha. A hora era de muito movimento e milhares de trabalhadores regressavam a casa, depois de mais um dia de trabalho. Junto à estátua, muitas dezenas de militantes do PCP concentravam-se e distribuíam folhetos a quem passava. Reunidos todos, a maré de bandeiras e corações vermelhos percorreu as ruas da baixa lisboeta afirmando que «há outro caminho» e apelando a plenos pulmões à luta e resistência dos trabalhadores e das populações às medidas recentemente anunciadas pelo Governo, à boleia do défice. E ninguém ficou sem a palavra do PCP. Nem os passageiros dos transportes públicos, que a recebiam no momento da paragem do autocarro ou do eléctrico em algum semáforo.
À mesma hora, na praça da Liberdade, no Porto, as coisas não se passavam de forma muito diferente. Dezenas de comunistas distribuíam folhetos e falavam com as muitas pessoas que por ali passavam e que apresentavam as suas reclamações. Trabalhadores, comerciantes, reformados, todos têm razões de queixa. E estão revoltados! Presente na iniciativa, esteve um grupo de operárias da Vissuto, uma empresa de confecções de Paredes em risco de encerramento. Que fizeram ouvir a sua voz no comício realizado no encerramento da iniciativa.

Há outro caminho

As duas grandes iniciativas de arranque da campanha nacional de esclarecimento do PCP culminaram em pequenos comícios que reuniram, cada um deles, centenas de comunistas e amigos e muitas pessoas que por ali passavam e que iam ficando e ouvindo atentamente as palavras de Francisco Lopes, em Lisboa, e Sérgio Teixeira, no Porto.
Para os dois dirigentes comunistas, estas medidas são politicamente inaceitáveis, socialmente injustas e economicamente desastrosas. E, além do mais, são a «repetição agravada» das políticas aplicadas pelo anterior governo há três anos atrás, «com os resultados que todos nós conhecemos», como afirmou Francisco Lopes, da Comissão Política e deputado do PCP na Assembleia da República. O principal problema do País não é o défice, afirmam os comunistas, mas o desenvolvimento económico. E as medidas tomadas, nomeadamente o aumento dos impostos indirectos, não servem para estimular a actividade económica. Antes pelo contrário.
Ironizando, Francisco Lopes afirmou que se medidas desta natureza resultassem nós teríamos o País mais desenvolvido da União Europeia, já que esta política vem sendo seguida desde há 28 anos. «Se a solução para os problemas do País passasse pelas privatizações que desenvolvimento não teríamos?», questionou o dirigente do PCP. E as consequências estão à vista. Para além de perdido o controlo de instrumentos fundamentais do desenvolvimento do País, para além dos milhões de euros de lucros que deixam de entrar nos cofres do Estado e passam a engordar os poderosos potentados económicos.
Para os comunistas, este caminho «não é inevitável». É possível mudar. Mas para isso, destacam, é preciso coragem. E coragem, lê-se no folheto, é tocar nos interesses dos grandes, acabando com expedientes e benesses de que gozam as grandes empresas ou tributando de forma efectiva as mais-valias das SGPS, entre outras medidas.
Por tudo isto, o PCP apelou aos trabalhadores e a todos os sectores afectados com estas medidas para que participem, no dia 17, na jornada de luta da administração pública, promovida pela Frente Comum, e, no dia 28, na luta descentralizada promovida pela CGTP-IN.


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