Editorial

Um ideal pelo qual vale a pena lutar

ÁLVARO

Donde nos vem a nós, comunistas portugueses, esta alegria de viver e de lutar? O que nos leva a considerar a actividade partidária como um aspecto central da nossa vida? O que nos leva a consagrar tempo, energias, faculdades, atenção, à actividade do Partido? O que nos leva a defrontar, por motivo das nossas ideias e da nossa luta, todas as dificuldades e perigos, a arrostar perseguições, e, se as condições o impõem, a suportar torturas e condenações e a dar a vida se necessário?
A alegria de viver e de lutar vem-nos da profunda convicção de que é justa, empolgante e invencível a causa por que lutamos.
O nosso ideal, dos comunistas portugueses, é a libertação dos trabalhadores portugueses e do povo português de todas as formas de exploração e opressão.
É a liberdade de pensar, de escrever, de afirmar, de criar.
É o direito à verdade.
É colocar os principais meios de produção, não ao serviço do enriquecimento de alguns poucos para a miséria de muitos mas ao serviço do nosso povo e da nossa pátria.
É erradicar a fome, a miséria e o desemprego.
É garantir a todos o bem-estar material e o acesso à instrução e à cultura.
É a expansão da ciência, da técnica e da arte.
É assegurar à mulher a efectiva igualdade de direitos e de condição social.
É assegurar à juventude o ensino, a cultura, o trabalho, o desporto, a saúde, a alegria.
É criar uma vida feliz para as crianças e anos tranquilos para os idosos.
É afirmar a independência nacional na defesa intransigente da integridade territorial, da soberania, da segurança e da paz e no direito do povo português a decidir do seu destino.
É a construção em Portugal de uma sociedade socialista correspondendo às particularidades nacionais e aos interesses, às necessidades, às aspirações e à vontade do povo português – uma sociedade de liberdade e de abundância, em que o estado e a política estejam inteiramente ao serviço do bem e da felicidade do ser humano.
Tal sempre foi e continua a ser o horizonte na longa luta do nosso Partido.

O caminho da libertação dos trabalhadores e dos povos foi descoberto e é definido e iluminado pelo marxismo-leninismo. O marxismo-leninismo é um sistema de teorias que explicam o mundo e indicam como transformá-lo.
Os princípios do marxismo-leninismo constituem um instrumento indispensável para a análise científica da realidade, dos novos fenómenos e da evolução social e para a definição de soluções correctas para os problemas concretos que a situação objectiva e a luta colocam às forças revolucionárias.
A assimilação crítica do património teórico existente e da experiência revolucionária universal é uma arma poderosa para o exame da realidade e para a resposta criativa e correcta às novas situações e aos novos fenómenos.
O marxismo-leninismo surgiu na história como um avanço revolucionário no conhecimento da verdade sobre o mundo real – sobre a realidade natural, sobre a realidade económica e social, sobre a realidade histórica, sobre a realidade da revolução e do seu processo.
O marxismo-leninismo é uma explicação da vida e do mundo social, um instrumento de investigação e um estímulo à criatividade.
O marxismo-leninismo, na imensa riqueza do seu método dialéctico, das suas teorias e princípios, é uma poderosa arma para a análise e a investigação que permite caracterizar as situações e os novos fenómenos e encontrar para umas e outros as respostas adequadas.
É nessa análise, nessa investigação e nessas respostas postas à prova pela prática que se revela o carácter científico do marxismo-leninismo e que o PCP se afirma como um partido marxista-leninista.

De todos os partidos, o PCP foi o único que propôs ao povo português com clareza e verdade os objectivos que considerava essenciais na revolução democrática e que constavam do seu Programa.
Foi o único que se mostrou sempre coerente com a política que propunha. O único cujas palavras tiveram sempre correspondência nos actos. O único que falou verdade ao povo e que foi fiel à sua palavra.
Outros partidos proclamaram programas que depois renegaram. Apoiaram medidas contra as quais depois se insurgiram. Diziam estar com os trabalhadores e conspiravam com os multimilionários fascistas. Todos se declararam pelo «socialismo», tudo fazendo entretanto para defender e manter os monopólios e os latifúndios. Diziam estar com a revolução e procuraram sabotá-la e comprometê-la. A pretexto por vezes de impedirem supostos «golpes comunistas», que eles próprios inteiramente inventavam, mais que uma vez organizaram verdadeiros golpes, cujo objectivo era liquidar a jovem democracia portuguesa em formação.
De todas as forças políticas, o PCP foi o mais consequente e firme lutador pelas liberdades democráticas. Não apenas para que fossem instauradas. Também para que fossem defendidas.

O PCP confirma no presente todo o seu glorioso passado. Passado e presente creditam a sua futura acção.
O balanço do passado, a actividade do presente e a previsão do futuro definem a importância , o papel e o valor do PCP na vida nacional. O passado é a prova, o presente o testemunho, o futuro a confiança.
A perspectiva histórica de um partido afere-se pelo que fez, pelo que faz e pelo que mostra estar em condições de fazer. Afere-se pela ligação do seu ideal, dos seus objectivos, da sua acção à classe ou classes às quais historicamente o futuro pertence. Neste duplo aspecto se afere e revela a perspectiva do PCP e se fundamenta a sua profunda e inabalável confiança no futuro.

(O Editorial do Avante! é um texto não assinado e da responsabilidade da Direcção do Partido. Foi escrito, algumas vezes, pelo camarada Álvaro Cunhal.
O Editorial desta edição é composto de extractos do seu livro «O Partido com Paredes de Vidro»)


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