<font color=994000><em>Companheiro Vasco</em></font>
A morte levou-nos o Companheiro Vasco. E deixou-nos uma tristeza e uma saudade do tamanho do mundo. Connosco fica, contudo, a memória viva daquele que, enquanto militar de Abril e Primeiro-Ministro de vários governos provisórios, foi o mais puro e fiel intérprete dos ideais libertadores e transformadores do 25 de Abril. E essa memória, gravada para sempre no coração dos trabalhadores e do povo português, constituirá um poderoso estímulo à continuação da luta por esses ideais de justiça social, de liberdade, de fraternidade, de solidariedade.
Lucidez e coerência, dignidade e verticalidade, coragem e patriotismo, inteligência e cultura, são alguns dos atributos que fazem do general Vasco Gonçalves, pela sua vida, pela sua acção, pelo seu exemplo, uma figura maior da História de Portugal.
Vasco Gonçalves foi o Primeiro-Ministro do período mais exaltante, inovador e criativo da revolução de Abril: desse período feito de múltiplos primeiros passos rumo a um Portugal justo, livre e solidário; desse período de notáveis avanços revolucionários, de históricas conquistas políticas, económicas, sociais, culturais, civilizacionais; desse período de início de construção de uma democracia de novo tipo, avançada, amplamente participada, em que a opinião dos trabalhadores e dos cidadãos era estimulada, ouvida e considerada; desse período que, porque foi ponto de partida para a edificação de um país novo, nos permitiu ver um pedacinho do futuro contido nos anseios e aspirações do povo português; desse período que, por tudo isso, constituiu o momento de maior modernidade da nossa história colectiva, o momento mais luminoso da História de Portugal.

É um facto que esse tempo novo foi interrompido - por efeito, recorde-se, da contra-revolução de Abril liderada, internamente,


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