Estudantes estreiam testes nacionais do 9.º ano

Os alunos do 9.º ano começaram os testes nacionais na segunda-feira, num dia marcado pela greve de professores e funcionários não docentes das escolas abrangidas pela Direcção Regional de Educação do Centro, que registou uma adesão superior a dois terços, segundo a Fenprof (ver página 11). É a primeira vez que os estudantes têm de fazer um teste nacional no último ano do ensino básico.
Entretanto, prosseguem os exames nacionais do 12.º ano em todas as disciplinas. A JCP lançou esta semana uma campanha contra estas provas, distribuindo em diversas escolas secundárias um documento em forma de exame. Com um tom divertido, apresenta um poema para analisar sobre a falta de diálogo com os estudantes, as políticas do Governo e os benefícios da avaliação contínua. «Insistem nas provas globais / E inventaram os exames nacionais. / É o estudante a fazer o pino / Com a sua vida deixada a um acaso do destino, / Somo julgados sem demoras», lê-se numa parte do texto.
Os alunos são depois convidados a responder a questões, como a diferença entre a avaliação contínua e a avaliação pontual e contingente ou os futuros resultados do novo sistema de acesso ao ensino superior.


Racismo e tolerância manifestam-se em Lisboa

A baixa de Lisboa foi palco de duas manifestações na tarde de sábado. De um lado desfilavam pessoas contra a permanência em Portugal de emigrantes, responsabilizando-os pela criminalidade no nosso país; do outro caminhavam cidadãos que reagiam às palavras de racismo e xenofobia que ouviam, apupando as ideias de extrema-direita e gritando «25 de Abril sempre!».
Várias organizações manifestaram-se contra o desfile xenófobo convocado pela Frente Nacional e pelo Partido Nacional Renovador. Para o PCP, «não pode haver tolerância para com ideais racistas e xenófobos» e exige ao Governo que encerre sites que difundem estas ideias.
O PCP condena e «está solidário com todos quantos são vítimas de assaltos, na praia ou em casa, no carro ou no local de trabalho. Rejeitamos catalogar em função da cor da pele ou naturalidade. Não existem assaltos maus e menos maus conforme seja um negro ou um branco a praticá-los, um português ou um ucraniano, um africano de África ou um português de ascendência africana nascido e criado num qualquer bairro da periferia da cidade de Lisboa», lê-se numa nota de imprensa.
O PCP lembra ainda que «atirar para a ilegalização, para uma vida de fuga e inquietação permanentes, milhares de pessoas, é atira-los para as situações mais incríveis de sobreexploração, de uso e abuso do ser humano».


Português no pódio da Fórmula 1

Tiago Monteiro ficou em terceiro lugar no Grande Prémio dos Estados Unidos, tornando-se assim no primeiro português a subir a um pódio de uma corrida de Fórmula 1. A prova decorreu no domingo, depois de 14 pilotos das sete equipas que usam pneus Michelin abandonarem a corrida ainda na volta de aquecimentos por não ter sido construída mais uma chicane numa zona da pista considerada «problemática».
Dos seis pilotos que continuaram em prova, Michael Schumacher ficou em primeiro lugar, Rubens Barrichello em segundo e Tiago Monteiro em terceiro. Em declarações à imprensa, o piloto português afirmou que se tratava do «dia mais fantástico» da sua carreira, apesar de admitir que «sem os problemas dos Michelins não havia a menor hipótese de ir ao pódio».


Faleceu Corino de Andrade

O médico neurologista e investigador Corino de Andrade faleceu na quinta-feira, no Porto, com 99 anos. A sua carreira ficou marcada pela descoberta da paramiloidose ou «doença dos pezinhos» em 1952, quando observava pescadores da Póvoa de Varzim que não sentiam dor quando se cortavam nos cabos dos barcos e se queimavam com cigarros. Mais tarde, em 1976, Corino de Andrade identificou uma outra doença, a de Machado-Joseph.
O Secretariado do PCP manifestou a sua homenagem ao neurologista e à sua obra, lembrando que Corino de Andrade se assumiu «coerentemente como um democrata consequente» na resistência ao fascismo ao lado de intelectuais do Porto, como Abel Salazar, Ruy Luís Gomes, Armando Castro, Virgínia Moura e Lobão Vital.


Concorrência dos produtos agrícolas aumenta

A concorrência dos países em desenvolvimento terá consequências nos preços dos produtos agrícolas nos próximos dez anos, nomeadamente os portugueses, segundo um relatório da OCDE e da FAO, a Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação, emitido na terça-feira.
«As importações agrícolas dos países em desenvolvimento deverão evoluir em alta, mas esta subida deverá ser parcialmente absorvida pelo aumento das exportações dos países produtores com fracos custos no mundo em desenvolvimento», lês-se no documento. Por isso, «a concorrência nos mercados mundiais dos produtos de base vai reforçar-se a médio prazo».
«Conjugada com uma forte progressão dos ganhos de produtividade a nível mundial, esta evolução levará a uma nova quebra dos preços reais da maior parte dos produtos agrícolas», acrescentam as organizações.


Resumo da Semana