Na campanha, há que ouvir as pessoas, os seus desejos e aspirações
Encontro Regional de Setúbal da CDU
O melhor projecto para a região
Centenas de militantes e activistas da CDU participaram, no dia 19, no Encontro Regional de Setúbal da CDU para discutir a preparação das eleições autárquicas. Jerónimo de Sousa esteve presente e fez uma intervenção que abaixo em parte se transcreve.
Definir eixos estratégicos para a actividade autárquica da CDU para o próximo mandato e decidir sobre as principais linhas de trabalho para a campanha eleitoral foram os dois objectivos principais do Encontro, realizado, domingo, no Seixal. E foram cumpridos. Durante todo o dia, dezenas de activistas da coligação PCP-PEV trocaram experiências e opiniões que permitirão a todos os presentes – e a outros que, ausentes, conhecerão o conteúdo da discussão e das decisões – ir para a batalha eleitoral «com mais elementos e com mais força», como afirmou, a abrir, Armindo Miranda, da Comissão Política do PCP e responsável pela organização regional.
O dirigente comunista destacou que, apesar de ser uma batalha exigente e difícil, as possibilidades são também imensas: desde logo a de se poder começar a dar a conhecer a obra realizada, nomeadamente no mandato que está a findar, bem como as características distintivas do projecto da CDU.
Para Armindo Miranda, há também que recordar às populações que foi a CDU, e os seus eleitos, quem esteve ao seu lado na luta por reivindicações tanto na rua como na Assembleia da República a apresentar as respectivas iniciativas legislativas. E salientou alguns exemplos característicos desta acção dos comunistas e seus aliados: a luta dos trabalhadores da Alcoa pelos seus legítimos postos de trabalho; a luta pela construção do hospital do Seixal, que tocou mais de 60 mil pessoas; a luta dos pescadores de Sesimbra; dos utentes da linha do Sado; assim como a reivindicação da descida dos preços praticados pela Fertagus, entre outras que podiam ser referidas.
Assim, lembrou, «matéria prima para um grande trabalho não nos falta, e da boa». A questão, alertou, está em saber como «levá-la às populações de uma forma simples, por forma a que seja entendida e se traduza em mais apoio, mais votos, no reforço da CDU». Para este dirigente comunista, há que transformar a nossa campanha «numa grande acção de massas, de contacto directo com a população, ouvir, aprender, esclarecer, convencer». E terminou com um apelo: «Vamos, então, a isto, camaradas e amigos!»

Um projecto de futuro

A CDU, na região de Setúbal, tem passado e futuro. Responsável pelas grandes e positivas alterações na qualidade de vida das populações da península, a coligação está longe de ter esgotado as suas potencialidades e de continuar a dirigir autarquias que, graças à sua intervenção, se encontram na vanguarda dos mais variados índices sociais.
Para o próximo mandato, o encontro aprovou alguns eixos estratégicos que nortearão a actividade das autarquias de maioria CDU. A coligação entre comunistas e ecologistas define, à cabeça das suas prioridades, a defesa, promoção e qualificação do serviço público «enquanto pedra angular de uma sociedade mais justa e solidária», lê-se na resolução do encontro, aprovada por unanimidade. A garantia da participação e acesso generalizado aos bens e serviços essenciais à vida com qualidade surge também como eixo prioritário.
A defesa da água como bem público e universal, nomeadamente através da criação da um sistema intermunicipal de abastecimento de água, com gestão municipal, é um outro grande objectivo, juntamente com a elaboração de uma estratégia de mobilidade e acessibilidades da Península de Setúbal. Coerentemente com as suas posições de sempre, a CDU assume mais uma vez a Regionalização como forma de garantir um desenvolvimento harmonioso do território e garantindo a efectiva participação democrática na administração pública a nível regional. A participação popular é, aliás, outra das grandes preocupações da CDU.

Silêncio e determinação

As centenas de militantes e activistas da CDU e dos partidos seus componentes presentes no Encontro Regional de Setúbal, durante o debate vivo e intenso sobre as eleições autárquicas, não esqueceram dois companheiros recentemente falecidos e que lutaram como poucos para a liberdade, a democracia e o socialismo em Portugal: O general Vasco Gonçalves e o histórico dirigente comunista Álvaro Cunhal. Os votos de pesar foram ambos aprovados por unanimidade e, com grande determinação, assegurou-se que a luta a que dedicaram as suas vidas até ao último dia continua. Em seguida, por proposta de um participante no encontro, fez-se um minuto de silêncio.

Jerónimo de Sousa no encontro regional de Setúbal da CDU
Um projecto combatente


Os comunistas não se devem limitar a defender o que se pode, mas devem, sim, assumir uma posição ofensiva, lutando e propondo uma ruptura com esta política, afirmou no encontro de Setúbal o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

A batalha das autárquicas não pode ser dissociada do reforço geral do Partido, da sua organização e acção, afirmou Jerónimo de Sousa no encerramento, no passado dia 19, do encontro regional de Setúbal da CDU. O secretário-geral comunista realçou que «nas últimas semanas, e particularmente nesta que agora finda, há dezenas de novas inscrições no Partido». Este facto, destaca, «só nos dá ânimo e confiança para o futuro».
Para o dirigente comunista, o «nosso combate quotidiano no plano político e social incorpora um potencial de possibilidades de atracção à CDU, ao seu projecto autárquico distinto». Por parte de «muitos que estiveram ali na manifestação da Administração Pública, que estiveram ali na ímpar e impressionante despedida do camarada Álvaro, que encontram neste Partido, nesta CDU, um projecto sério, capaz, competente e combatente por um futuro melhor, que nos testemunharam que vale a pena ter princípios, valores, ideais e a confiança no futuro».
O secretário-geral do PCP afirmou que os comunistas, nas empresas, locais de trabalho, organizações de massas, nos movimentos sociais, «não nos devemos limitar a defender o que se pode, à espera que o Governo PS continue a governar mal para depois dizermos “estão a ver, estão a ver que tínhamos razão?”». Não, por outro lado, prosseguiu o secretário-geral comunista, os militantes do PCP devem, partindo dos problemas concretos, nas causas mais diversas e mais justas, «assumir uma posição ofensiva, defendendo, lutando, mas consciencializando, propondo a ruptura com esta requentada política, para que se retome uma nova política, uma política de esquerda».
Política esta que tenha como matriz, designadamente, a «defesa do aparelho produtivo e da produção nacional, o crescimento económico e do emprego, o respeito e a valorização do trabalho com direitos, a salvaguarda da universalidade do direito ao ensino, à saúde e à Segurança Social, a salvaguarda da nossa soberania e independência nacional».

Forçar à mudança

O PS tem que mudar de política, reafirmou o dirigente comunista, realçando que o «PS não mudará se não for obrigado a mudar». E só o será, prosseguiu, se for constituída uma «vasta frente de luta e movimentos sociais e de massa» envolvendo os trabalhadores, os reformados, a juventude, as mulheres, os intelectuais e quadros técnicos, os micro, pequenos e médios empresários e sectores da burguesia antimonopolista.
São estas alianças sociais, destacou, que serão capazes de fazer com que o PS mude o «rumo desastroso por onde quer ir». O secretário-geral do PCP afirmou mesmo que «sem esta convergência e estas alianças alicerçadas em interesses e direitos concretos, em causas justas, progressistas e patrióticas, não será possível construir alianças políticas e uma alternativa política e de esquerda para Portugal».
Para o secretário-geral comunista o PS bem pode «pôr as coisas ao contrário», defendendo que quem tem que mudar é o PCP. «Só que – afirmou – pode exigir-se a um partido que se afirma de esquerda que faça uma política de esquerda. Não se pode reclamar dum partido de esquerda que subscreva ou execute uma política de direita.» Jerónimo de Sousa, lembrando os cem dias passados sobre a entrada em funções do Governo PS, recordou os sentimentos e anseios que os portugueses tinham quando «nas eleições de Fevereiro aplicaram uma pesada derrota à direita, deram a maioria absoluta ao PS e reforçaram o PCP e a CDU». Para o secretário-geral do PCP, mais do que uma mudança de governo, foram criadas «justas expectativas» de mudança na política.

Tratado europeu «ferido de morte»

Após um dia de intenso debate sobre as próximas eleições autárquicas, Jerónimo de Sousa recordou que se esteve até há pouco na «contingência de vir a travar a batalha eleitoral que se avizinha em circunstâncias que nós considerámos inaceitáveis e deploráveis com a errada pretensão do PS e dos partidos da direita, PSD e CDS, de imporem para o mesmo dia das eleições autárquicas o referendo sobre o tratado da “Constituição Europeia”». Pretensão essa contra a qual o PCP afirmou a sua «mais profunda discordância e praticamente sozinhos, no quadro das forças políticas, movemos uma firme oposição».
Para o secretário-geral do PCP, o adiamento do referendo é uma «boa notícia». E por várias razões, esclareceu: «Não só porque a batalha das autarquias pode ser agora travada num contexto de clara afirmação dos projectos autárquicos em confronto, mas também porque, com tal decisão, tomada como sabemos a contra gosto pelo Governo PS, põe termo a um acto referendário que estava condenado a transformar-se numa farsa e numa inadmissível fraude política».
Farsa porque, afirmou, a consulta iria ser realizada em circunstâncias que não permitiriam um «debate sério e esclarecedor sobre as consequências para os trabalhadores, o povo português e para a soberania nacional do conteúdo do tratado a referendar». Iria também ser uma farsa porque os portugueses iam ser chamados a pronunciar-se sobre um tratado que está «ferido de morte» pelas vitórias do «Não» em França e na Holanda.
«O adiamento do referendo é uma vitória de todos aqueles que, como nós PCP/CDU, se bateram contra e denunciaram a inqualificável estratégia de manipulação que estava em curso e uma derrota que devia servir de ensinamento para todos aqueles que subestimando a vontade expressa dos povos pensavam que bastava pôr em marcha a bateria dos fazedores de opinião encartados» para imporem as suas decisões. Mas, destacou o secretário-geral do PCP, o mais profundo significado deste adiamento e da decisão tomada neste último Conselho Europeu de adiar por um ano o processo de ratificação do novo Tratado «é a de que, tais decisões, constituem uma pesada derrota da União Europeia neoliberal, federalista e militarista».



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